Articulista
José Roberto de Lima Andrade

É economista, professor da UFS e presidente do Corecon-SE. Escreve às sextas.

É bom, mas está ruim. Por que os economistas são tão cautelosos?
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Não é fácil encontrar o mix ideal de crescimento econômico e inflação

Semana passada escrevemos sobre a super quarta - anúncio dos bancos centrais brasileiro e americano - sobre as suas respectivas taxas de juros. Do lado brasileiro, o mercado - todos nós - ficamos felizes com a redução e, mais que isso, os sinais de que a tendência de redução das taxas de juros continuará. Do lado americano, manutenção dos níveis atuais de juros e os sinais de que...

Os sinais. Esse é o ponto chave. Normalmente, a preocupação maior não é tanto com a taxa de juros anunciada - o que na imensa maioria das vezes é igual às previsões do mercado -, mas com os motivos determinantes da decisão.

Muitas vezes, os anúncios do dia são repletos de sinais. Como a economia não vive de sinais, os reais motivos das decisões são expressos nas famosas atas.

Divulgadas normalmente uma semana após o anúncio da taxa de juros, as atas revelam não só os motivos das decisões, mas e principalmente, como os Bancos Centrais enxergam o presente e o futuro, revelando as tendências em relação às próximas decisões de política monetária. Ali, os sinais são revelados.

Voltando ao título deste artigo - O que é bom mas está ruim? - o Banco Central americano - FED - anunciou que a manutenção - e não a queda - nas taxas de juros se deu em função dos bons resultados da economia americana, principalmente os relacionados ao emprego e à própria taxa de juros.

O crescimento da economia americana e o consequente aumento da geração de empregos não têm permitido uma redução maior nos níveis de preços - inflação - que tem como meta 2% ao ano. A inflação americana nos últimos 12 meses está em 3,2%.

E eis que o presidente do Banco Central americano anuncia que “está bom, mas está ruim”. Essa é uma simplificação minha. Um resumo mais adequado, seria de que “sim, pretendemos baixar os juros ainda este ano, mas estamos cautelosos com os números da economia”.

Há um senso comum, principalmente entre os políticos, de que as decisões em economia devem estar muitas vezes vinculadas a um certo “estado de espírito”.

Não é fácil encontrar o mix ideal de crescimento econômico e inflação. Recordando que a política monetária - principalmente via taxa de juros - tem a função de dar a liga nesse angu.

Enfim, é o dia a dia na economia. Tão difícil quanto colocar três mil pessoas em uma avenida, em alas diferentes, cantando a mesma música, no mesmo ritmo, terminando o desfile em um tempo determinado.

Somos craques em fazer isso. Que esse talento contamine nossos condutores de política econômica. Para que no final a frase seja - Está bom, sem a adversativa mas está ruim. Somente. E viva o carnaval.

 

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Edson Jacintho da Silva
É isso, em economia tudo que está bom, pode estar ruim. Buscar o equilíbrio é a cereja do bolo. Parabéns pelo artigo, grande professor!