Articulista
José Roberto de Lima Andrade

É economista, professor da UFS e presidente do SergipePrevidência. Escreve às sextas.

É cansativo participar do apocalipse
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Essa história do fim dos tempos é antiga (FOTO: Freepik)

Semana passada vi em um dos grupos de whatsapp que faço parte, um post – aquelas tiradas normalmente engraçadas – que as pessoas colocam para se reportar a determinadas situações, que me chamou bastante atenção. Nós brasileiros somos especialistas em produzir posts para redes sociais. Insuperáveis.

O título do post – É cansativo participar do apocalipse”. Achei fenomenal a “captura” do momento. E acabei ganhando um título menos óbvio para o artigo desta semana.  Para os não cristãos, ou aqueles ditos cristãos mas com conhecimento zero da Bíblia, principalmente do novo testamento – há uma onda de cristãos “israelitas”, o que é uma contradição explícita – o apocalipse é o último livro do novo testamento, o livro da revelação, que fala sobre o fim dos tempos.

Essa história do fim dos tempos é antiga. Deve ter uns 500 anos que determinado período da história é associado ao fim dos tempos. E ainda tem os “esotéricos” como Nostradamuns para colocar mais pimenta no molho. 

Mais enfim, qual o sinal apocalítico de 2026? Certamente não é a crise no Flamengo, com a demissão de Felipe Luís após a goleada por 8 a 0 no Madureira. 

A guerra contra o Irã é vista como um prenuncio de que agora “o bicho vai pegar”. Sou um cético por natureza. Principalmente quanto a previsões feitas muito em cima da hora. Acho que o poderio e a eficiência militar americano-israelense são incontestáveis.  E com a característica que as guerras têm sido cada vez mais “cirúrgicas”, com muto explosão para pouca gente. Me refiro aos atacantes, obviamente.

Certo também que os resultados nunca são os esperados. Vide Iraque, Afeganistão, Síria...Era melhor do jeito que estava antes da intervenção americana. Me refiro a estabilidade política.

Mas o Irã não é a Venezuela. Um país de 90 milhões de habitantes, com importância geopolítica. Não só pela produção de petróleo, mas por controlar – não se sabe até quando – o estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo, principalmente para o sudeste asiático – leia-se China.

Menos petróleo, aumento de preços, impacto na economia, aumento na inflação, não possibilidade de redução nas taxas de juros – caso brasileiro, tão esperado – etc, etc.
Pense em um cenário apocalíptico “a altura” do texto bíblico. Logo agora que as coisas estavam indo bem – dólar em queda, grande probabilidade de redução nos juros...

Confirmaremos o cenário apocalíptico ou não? É aguardar. Um sinal ruim é que o preço da gasolina nos postos de Aracaju – pelo menos nos que vi hoje – tiveram aumento significativo.

Uma foto que vi no Instagram que não merece ser tratada como post de grupo de whatsapp. Mostra uma criança “brincando” com um míssil que não explodiu. Será que ainda há uma esperança, ou estamos no fim dos tempos realmente? 

Tento superar refletindo a frase que sempre ouço de minha esposa – “Nós sempre fomos assim”. Que pena.

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