
Barril de petróleo em alta: preço pago por todo mundo (FOTO: Freepik)
Em menos de duas semanas, a guerra dos EUA com o Irã já começa a produzir seus efeitos ao redor do mundo. E nós que, aparentemente, não temos nada a ver com o conflito, já começamos, talvez mais rápido que o esperado, a sentir os efeitos.
Há um conceito em economia chamado de externalidade. Em síntese, significa o impacto que um agente econômico recebe em função do comportamento de outro agente econômico.
Um exemplo simples é o de uma pessoa que fuma em um ambiente fechado. Os não fumantes, que não tem nada a ver com a atitude do fumante, serão também impactados. É a famosa externalidade negativa.
E nós brasileiros com isso? Quem passa pelos postos de combustível já percebe aumentos constantes no preço da gasolina e do diesel. Justamente agora que estávamos acostumados a uma certa estabilidade.
A diferença em relação aos aumentos anteriores é não só no percentual, mas também na periodicidade - cada vez menor. Algo em torno de 7,5% no preço da gasolina e de 20% no preço do óleo diesel em menos de uma semana.
O preço da gasolina e do diesel é uma função de três fatores importantes: o preço do barril do petróleo no mercado internacional, em dólar, a taxa de câmbio, e os impostos que incidem sobre o produto.
A guerra no Irã, principalmente os impactos na comercialização do petróleo dado ao fechamento parcial do Estrito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% da produção mundial, tem levado a um “rally”, com o barril chegando a US$ 106,00 , com variações de 6% em um único dia. Destacamos que antes da guerra o mesmo barril estava cotado a US$ 72,00.
Este brutal “choque de oferta” - aumento nos preços de insumos importantes - certamente irá impactar nos preços e consequentemente na inflação.
E a tão esperada redução na taxa de juros prevista para a reunião do Comite de Política Monetária - Copom - na próxima semana, deve aguardar mais um pouco. Ou mais um muito.
O que fazer? O Governo Federal já anunciou a redução de impostos sobre o diesel para “segurar” os preços. Obviamente que isto tem um custo que poderá impactar no endividamento público, que pode impactar nos juros, que impacta na economia.
E, portanto, a externalidade negativa deixa de ser apenas um conceito econômico para atrapalhar, e muito, a vida real de todos nós.
Normalmente a “munição” utilizada na economia para eventos como este é escassa e cara. Que a guerra acabe logo.













