
200 anos discutindo e a solução parece longínqua
O feriado de Tiradentes no dia 21 de Abril já teve um significado mais representativo. Na minha infância, aprendi que Tiradentes foi um herói da pátria. Um misto de figura religiosa e revolucionária, que merecia nossa devoção. Se somos um país independente, tínhamos uma dívida grande com o líder da inconfidência mineira, morto em 1792.
O tempo foi passando e o culto a figura de Tiradentes como herói da pátria, na minha impressão, foi diminuindo consideravelmente. O 21 de abril ficou mais presente pela aquela lista de feriados obrigatórios, que torcemos que caia em uma segunda ou sexta feira.
Eis que vejo um comentário destacando Tiradentes como um dos primeiros liberais no Brasil. No alto dos meus quase 57 anos, é a primeira vez que tinha escutado algo a respeito. Tiradentes, um liberal.Isso no século XVII. Faz sentido?
Coincidentemente, a aula de finanças na UFS do dia 24/04 tratou sobre indicadores macroeconômicos. Acredito que economistas devem ter a habilidade de ler e entender o sentido das coisas – na área da economia obviamente – através de gráficos e equações. A princípio, não é tão simples assim. Mas é necessário.
Eis que em um dado momento apresentamos o gráfico referente ao superávit primário – receitas – despesas, excluindo o pagamento de juros – no último 10 anos. Expresso em proporção do PIB. E eis que constatamos a enorme dificuldade em termos superávits primários significativos, principalmente depois do período da COVID.
Acrescentamos os gráficos de dívida pública e vencimento dos títulos públicos. E as informações vão se acumulando, e os cenários prospectivos para a economia brasileira vão se abrindo. Sem esoterimos e palpites coach/influencers tão em voga.
Retornando a Tiradentes. Foi morto, brutalmente, por ter se levantado contra o excesso de impostos cobrado pela coroa portuguesa. Monarquias e repúblicas gastadoras sempre acharam no aumento de impostos, a solução para manter o status quo. No limite, faz-se uma revolução.
Mas Tiradentes era de fato um liberal, ou um cidadão comum que teve a coragem de organizar um movimento que pretendia romper com o existente? Fico com a segunda opção. Às vezes temos o mal hábito de trazer o passado para debates recentes, com a perspectiva recente. Certa vez participei de uma banca de dissertação de mestrado que tentava comprovar que Marx era um ecologista. Não me convenceu.
Ao final, fica a constatação de continuamos a mais de 200 anos discutindo, consciente ou inconscientemente, a necessidade de um ajuste fiscal para a economia brasileira. A questão, que não mudou até hoje, é como resolver esse problema.
Cortando gastos? Quem se habilita a contribuir? Aumentando receitas, através de impostos? Estamos de saco cheio, desde a época de Tiradentes.
Feliz ente não precisamos esquartejar mais ninguém por pensar diferente. Falo fisicamente. Transferimos a violência para o virtual das redes sociais.
Por enquanto, vamos aguardar o próximo feriado.













