Articulista
Will Valente

É jurista e podcaster. Escreve às quartas.

Como assim quebrar as pernas da direita?
Compartilhar

Norberto Bobbio: “As generalizações são sustentadas por preconceitos”

Um jornal de Sergipe defendeu que a esquerda deveria se unir para impedir o crescimento da direita. Chegou a dizer que era preciso “impedir o avanço de outras forças”. Mas qual é o motivo de tanto pavor da direita?

Não falo da direita que a mídia retrata como golpista e cruel, numa tentativa simplista de distorcer a realidade, mas da direita que zela pelas instituições, da que preserva a tradição e o legado histórico do nosso povo e que busca a ordem adequada das coisas.

Lembre-se que o termo “direita” surgiu no contexto da Revolução Francesa, ocorrida entre 1789 e 1799. Na Assembleia Nacional Constituinte dali, os girondinos, que propunham uma mudança moderada e gradual do sistema político, se posicionavam à direita do orador.

Já os jacobinos, que propunham uma ruptura radical e violenta com o Antigo Regime, se posicionavam à esquerda. Assim, a direita passou a ser ligada aos valores conservadores, tradicionais e liberais, enquanto a esquerda passou a ser ligada aos valores progressistas, revolucionários e caóticos.

Estamos num momento em que o evidente precisa ser afirmado e que os conceitos e as definições devem não apenas ser protegidos mas recuperados. De repente, a verdade se tornou relativa, conceitos foram corrompidos e a realidade passou a ser determinada por uma elite pseudointelectual que se acha dona dos rumos da sociedade.

Aliás, nada do que está acontecendo é novo. Schopenhauer, em seu livro A Arte de Escrever, já dizia que “a cada trinta anos, desponta no mundo uma nova geração, pessoas que não sabem nada e agora devoram os resultados do saber humano acumulado durante milênios, de modo sumário e apressado, depois querem ser mais espertas do que todo o passado”.

E disse mais o Schopenhauer: “É com esse objetivo que tal geração frequenta a universidade e se aferra aos livros, sempre aos mais recentes, os de sua época e próprios para sua idade. Só o que é breve e novo! Assim como é nova a geração, que logo passa a emitir seus juízos.”

Um ótimo exemplo desses juízos e da corrupção desses conceitos é a rotulação de todo e qualquer defensor da direita como fascista. Bom, normalmente, quando os acusadores se dispõem a responder, o que convenhamos é bem raro, começam seu discurso com “fascismo para mim é...”.

Aos que atribuem o rótulo de fascista a todos que pensam um pouco diferente, cito, por fim, Norberto Bobbio, quando disse que “as generalizações são sustentadas por preconceitos”.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.

Deixe seu Comentário

*Campos obrigatórios.