Articulista
Will Valente

É jurista e podcaster. Escreve às quartas.

Síndrome de Cômodo
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Joaquin Phoenix, no filme Gladiador: Lúcio Aurélio Cômodo em Hollywood

A figura de Lúcio Aurélio Cômodo é um intrigante exemplo de desequilíbrio político. Um governante, notoriamente destemperado e carente de capacidade administrativa, que imperou numa Roma marcada por instabilidade e pela ausência de liderança, frequentemente recorrendo ao expediente do panem et circenses para manter uma fachada de controle.

Suas manifestações de vaidade exacerbada, prepotência e de confusão entre esfera pública e interesses pessoais o levaram a se envolver em lutas de gladiadores no Coliseu, utilizando táticas de distração para mascarar sua inabilidade política. Esse comportamento, posteriormente, o levou a Hollywood, como a caracterização do vilão no filme “Gladiador”, interpretado por Joaquin Phoenix.

Com as devidas proporções, o passado nunca se fez tão presente quanto agora, quando observamos a ausência de verdadeiros líderes, com a predominância de interesses pessoais sobre o bem comum, resultando em crises institucionais e descontentamento popular. Nesse cenário, o estamento burocrático se mostra insuficiente para manter a estabilidade política diante da impopularidade governamental.

Recorremos, então, às lições históricas da Roma Antiga, onde traições e conflitos políticos emergiram da falta de competência administrativa, resultando na ascensão de líderes populares que restauraram a ordem e o equilíbrio, deixando marcas na história. Vejamos como exemplo Octaviano Augusto, herdeiro legítimo de Júlio Cesar, que ascendeu ao poder após anos de guerra civil, decorrente do assassinato de seu tio.

A Síndrome de Cômodo, título deste artigo, serve como um paradigma para a compreensão dos ciclos políticos, onde crises e impopularidade abrem espaço para a emergência de líderes carismáticos, numa dinâmica recorrente na história política.

 

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Wilson Costa Santos
Um artigo jornalístico coerente e de uma elaboração ética e exemplar pra os dias de hoje... Parabéns... E obrigado por dar ao leitor sergipano um bom texto.