
Bolsonaro e o best-seller do asco: Brilhante Ustra, o torturador-mor da ditadura
Jair Bolsonaro tem um livro de cabeceira: “Verdade sufocada”, do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, chefe da repressão nos anos sinistros da ditadura militar.
Embora não manifeste a menor preocupação com as frescuras das belas artes, o sujeito fez questão de declarar os próprios hábitos de leitura em diversas oportunidades.
Um tiro certeiro. Ele reforçava, assim, os laços atados com os reacionários da audiência e ainda se apresenta como uma alternativa de carne e osso às cirandas da esquerda progressista - tão esnobe quanto letrada.
Sejamos francos: o personalismo é moeda corrente no presidencialismo à brasileira. Os planos de governo não passam de uma carta de intenções, jamais tiveram peso na composição das alianças partidárias e, menos ainda, nas escolhas do eleitorado.
Portanto, se é assim mesmo, se um nome próprio vale mais do que as antipáticas siglas dos partidos políticos, todos os candidatos deveriam comunicar, junto à declaração de bens, como uma exigência da legislação eleitoral, as páginas pelas quais passam a vista nas horas vagas.
A tese é muito simples: diga-me o que lês e eu te direi quem és. Ou, por outra, a biblioteca de um homem reflete sempre a sua personalidade.
Tivéssemos os brasileiros atentado para os afetos declarados de Bolsonaro, por exemplo, o golpe do oito de janeiro, fruto podre da impunidade que sucedeu aquele outro, em 1964, após tanto arbítrio, talvez não fosse tentado.
A memória importa. Neste dia 1º de abril, portanto, celebre-se os verdadeiros heróis, sem mentiras, vivos ou mortos.














