Articulista
Tanuza Oliveira

É jornalista profissional. Escreve às terças.

Da Espanha a Aracaju, casos de abuso sexual seguem assombrando mulheres 
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Casos de abusos aumentam e já são quase mil em Sergipe

Semana passada, o jogador brasileiro - e abusador sexual - Daniel Alves foi condenado pela justiça espanhola pelo crime de estupro, que lá é chamado de agressão sexual, termo que abarca todos os delitos de conteúdo sexual. 

Aqui em Aracaju, um caso de suposto abuso também ganhou repercussão por envolver dois advogados. O caso corre em segredo de justiça, mas segundo algumas informações divulgadas, eles eram amigos e, ao saírem de uma festa, uma carona teria resultado na oportunidade para praticar o crime.

Esses são apenas dois exemplos entre literalmente milhares: aqui em Sergipe, em um ano e dois meses, a Secretaria da Segurança Pública registrou 959 casos consumados, divididos em 215 estupros de adultos e 744 estupros de vulneráveis. São quase mil estupros em solo sergipano. O menor Estado do país! 

No Brasil, o número desses dois níveis de estupro teve crescimento de 14,9% no ano passado. Foram 34 mil casos, o que significa que a cada oito minutos uma menina ou uma mulher foi estuprada entre janeiro e junho de 2023, o maior da série histórica iniciada em 2019.

Pelas estatísticas, 74,5% delas são consideradas vulneráveis por serem menores de 14 anos ou possuírem enfermidade, deficiência mental ou outra causa que impeça o consentimento. 

Esse índice é um desenho exato - e muito triste - da realidade que as mulheres enfrentam e, enquanto sociedade, precisamos dar um basta nessas estatísticas absurdas e vergonhosas, que se amparam no machismo que se apresenta ainda em forma de julgamentos constantes em relação às vítimas.

Quando a condenação de Daniel Alves foi noticiada, por exemplo, muitos comentários julgavam a sentença pesada demais, outros ainda questionavam a palavra da vítima - mesmo tendo sido Daniel o responsável por mudar o depoimento várias vezes. A vítima sempre contou a mesma história.

No caso do suposto abuso em Aracaju, os julgamentos seguem. Falam como se a suposta vítima estivesse mentindo. E embora ainda não se saiba o que houve de fato, essa certeza de que não houve crime e de que o homem é sempre inocente até que se prove, com muitos elementos, o contrário, também é reflexo desse machismo.

Obviamente que o oposto também é errado e prejudicial. Não é à toa que a justiça tem seus ritos. Mas não dá pra fazer piada com um assunto tão sério como esse. Por isso voltamos e infelizmente voltaremos a esse tema, para dizer, mais uma vez, que chega de abusos, chega de julgamentos paralelos, chega de assédio. 

Do que precisamos é avançar enquanto sociedade, porque não se trata apenas de números, de estatísticas. São mulheres e meninas que têm suas vidas invadidas de forma arrasadora e irreversível por homens que acham que estão acima de tudo: das mulheres, da sociedade e da própria lei. Precisamos provar que eles não estão! 

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