Articulista
Valter Joviniano de Santana Filho

É fisioterapeuta e reitor da UFS. Escreve às sextas.

Democracia e transparência: a quem interessa difundir fake news na UFS?
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As fake news adoecem a sociedade e os cidadãos

As notícias falsas, popularmente conhecidas como fake news, são como sombras que pairam sobre a luz da verdade. Elas distorcem fatos, manipulam narrativas e, em última instância, minam os fundamentos de qualquer democracia.

As fake news adoecem a sociedade e os cidadãos, por terem como fundamento a distribuição deliberada de desinformação.

Em qualquer lugar, quando informações falsas são criadas, difundidas e reiteradamente repetidas, torna-se evidente o objetivo em torná-las “verdades” ou “meias-verdades”.

No entanto, quando confrontadas com a veracidade dos fatos, as narrativas falaciosas não se sustentam e tendem a se desfazer. Não por acaso, o dito popular lembra que “as mentiras têm pernas curtas”.

Nas últimas semanas, tem sido difundido em nossa universidade material impresso que antecipa a campanha para a eleição dos próximos reitor e vice-reitor. O problema não é a pressa em si, mas a perigosa veiculação de informações deturpadas sobre o processo.

O material divulgado cria uma narrativa de golpe, sustentada por inverdades que omitem e distorcem fatos e informações públicas. É preciso perguntar: quem pensou, planejou e pagou por tudo isso? Quem são os seus financiadores e quais seus objetivos?

A publicação, sem qualquer compromisso com o contraditório, difunde a ideia de que, na condição de reitor da Universidade Federal de Sergipe, criei, autocraticamente, uma resolução alterando a forma do processo eleitoral para a escolha dos futuros dirigentes da UFS.

O texto demonstra notório desconhecimento sobre o funcionamento das instâncias administrativas da UFS, suas funções e responsabilidades. Ao omitir informações, cria-se uma narrativa falsa, desenha-se um vício administrativo inexistente, dissemina-se ódio e cria-se um clima de confronto prematuro.

Ora, resolução é ato administrativo cabível a um colegiado, e nunca a uma autoridade monocrática. Reitor, em nenhuma hipótese, escreve ou impõe uma resolução.

O que, de fato, ocorreu? A necessária normatização dos processos das eleições na UFS foi decisão do Conselho Universitário – Consu -, formado pela administração, por professores, técnicos e estudantes democraticamente eleitos pela comunidade acadêmica, além de representantes da sociedade civil. Somente o Consu tem a prerrogativa de normatizar tais processos.

O Consu da Universidade Federal de Sergipe estabeleceu as normas e os procedimentos dos processos eleitorais para a escolha das listas tríplices de reitor, vice-reitor, diretores e vice-diretores dos centros e dos campi, conforme disposições da legislação federal sobre a matéria.

As decisões do Consu foram materializadas através da Resolução nº 44/2022, de 21 de novembro de 2022, aprovada por unanimidade dos membros do Consu. Também é fundamental pontuar que todo esse processo foi feito a partir de um grupo de trabalho formado por docentes, técnicos administrativos e discentes.

A discussão envolveu a realização de plenárias presenciais em todos os campi da UFS, ouvindo-se a comunidade acadêmica e colhendo sugestões para a construção da nova regulamentação. Tudo isso foi documentado, fotografado e registrado em atas.

Provavelmente por causa desse caminho cuidadoso e democrático, o Consu tenha aprovado, repito, por unanimidade, a resolução que agora, com fins eleitoreiros e interpretação distorcida, imputam ao reitor.

Conforme estabelecem as normas aprovadas pelo Consu, nenhum membro da UFS será excluído das votações. Inclusive, os Campi de Glória e de Lagarto já realizaram suas consultas, seguindo as novas resoluções, para a escolha dos seus dirigentes. Tudo dentro da mais completa normalidade, sem que até o momento se levantassem questionamentos sobre a idoneidade do processo.

Vivemos um momento em que precisamos discutir ideias, projetos, ações, fortalecer a democracia e encontrar soluções para os desafios na atualidade, dentro e fora da universidade. Respeitar o Consu é respeitar a UFS.

As resoluções emanadas dele, discutidas, debatidas e votadas por professores, técnicos e estudantes, democraticamente eleitos pela comunidade universitária, expressam a defesa e a segurança da democracia para toda a comunidade da UFS.

A sociedade brasileira ainda sofre duramente por causa de fake news. Vidas foram perdidas por causa disso. Ódio foi difundido graças a elas. Não aceitamos tomar esse caminho, não precisamos de mais fomento ao caos.

Conclamo a comunidade universitária a rejeitar a desinformação e a fortalecer a verdade. No momento oportuno, todos estarão envolvidos nas eleições da nossa universidade e, das divergências naturais ao processo, fortaleceremos os princípios democráticos em nossa instituição. Democracia se faz com transparência e verdade!

Imagem: TRE-GO

 

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