
Valmir de Francisquinho: uma renovação como foi Marcelo Déda
O processo eleitoral brasileiro nem sempre andou de mãos dadas com a democracia. Ora sim, ora não, conforme as prioridades estabelecidas pelos políticos, ou seja, seus próprios interesses. Foi assim que surgiu o voto vinculado, ideia criada para obrigar o eleitor a votar num menu fechado de opções, sem a possibilidade de votar em alguém fora da coligação.
Convicto de que não era fácil encontrar candidatos razoáveis num único bloco, o eleitor queria a liberdade de escolha. Essa liberdade era tolhida em nome de uma fidelidade partidária.
É isso que o leitor ouviu: político exigindo fidelidade. O resultado é que o eleitor rejeitava essas coligações, instâncias arbitrárias que, a seu ver, eram sacos de gatos com poucas opções de gente de bem em quem depositar um voto.
A vinculação surgiu com a esfarrapada desculpa de que, para consolidar a democracia, era preciso, primeiramente, fortalecer os partidos, portanto adotando como critério central para o eleitor a escolha de um “projeto” político, e não os projetos pessoais.
Falar em projeto político no Brasil, da extrema esquerda à extrema direita, é um desaforo ao bom senso e à própria história dos partidos políticos, praticamente iguais em seus programas vazios e genéricos, reduzidos por um denominador comum apenas simbólico, com pouca relação com a vida cotidiana.
Um exemplo simples para ilustrar essa afirmação: há alguns dias, telejornais nacionais exibiram matérias sobre a infame fila de contribuintes do INSS. Uma parte deles sofrendo numa fila de incríveis dois milhões e meio de cidadãos aguardando a simples realização de uma perícia para receber suas humildes aposentadorias.
Outros tantos penavam sob sol e chuva, alguns amputados, outros usando muletas ou cadeiras de rodas, para cumprir a chamada prova de vida.
Um marciano que observasse de fora o rigor do INSS com os desvalidos na porta das altas autoridades poderia imaginar que se tratasse de um país sério. Não é o caso. O INSS é o mesmo que permitiu uma roubalheira que durou os quatro anos de Bolsonaro e avançou mais dois anos no atual governo Lula.
Uma lambança que molhou o bico das excelências de todas as cores partidárias. Portas abertas para os engravatados que praticaram o roubo; portas fechadas para os pobres que geraram o dinheiro com o suor de uma vida inteira. E o que diz o programa dos partidos para proteger a gente pobre e desamparada, como os aposentados? Nada.
O blá-blá-blá dos programas partidários entrega, na prática, roubo e humilhação.
Num quadro onde, para desgraça do eleitor, gatos e pardos se misturam, restam poucas opções coerentes. A vinculação de votos a coligações, então, jamais dará conta da vontade do eleitor. Isso reforça o caráter de eleições que terão critérios estritamente locais, quase ignorando os alinhamentos nacionais.
Aqui em Sergipe, um governador descolado da realidade, talvez bafejado pelos eflúvios etílicos disparados pelo cordão dos puxa sacos que sacolejam nos camarotes oficiais, resolveu que a próxima eleição não teria adversários, seria um pleito vitorioso por WO.
No jargão pebolístico, WO é quando um time ganha o jogo porque o adversário não compareceu à partida. Além de imaginar-se porta voz da oposição, o atual governador encheu demais a bola do próprio governo.
E o que é seu governo? Sem se estender muito, no conjunto da obra situa-se entre os piores da história – e olhe que a concorrência é forte. Nunca disse ao que veio, porque jamais apresentou concretamente um plano de governo. Não há nenhuma ideia em pé.
Depois de três anos fazendo água, respondendo a uma pergunta que o eleitor médio sempre faz, anunciou como sua principal obra uma ponte para a Atalaia Nova. Aliás, perdão por usar a expressão "fazer água", um dito popular que significa algo que está arruinado, que não deu certo.
Mas lembrar de água na casa do governo é falar de corda em casa de enforcado.
O pior é que sua única obra nem sairá dos recursos do governo. É uma cortesia com o chapéu alheio, já que é um presente do Governo Federal. Diante de uma capital congestionada em todas as direções, praticamente sem alternativas de mobilidade para as cidades da região metropolitana, o que faz o governo? Uma espécie de ponte do nada para lugar nenhum, porque ela jamais poderia ser da Coroa do Meio para a Atalaia Nova. Imagine o impacto de um tráfego intenso numa comunidade pequena, com ruas estreitíssimas, sem opções de escoamento.
Mas, se não fez nada, no entanto, o atual governo conseguiu desfazer muito. A privatização da Deso, com a desculpa de que era uma privatização pela metade, é a maior aberração jamais cometida em solo sergipano por um governante.
Bem ou mal, a Deso funcionava, e atuava, inclusive, fazendo o papel social do Estado onde o setor privado não chega, por não engordar suas planilhas financeiras.
O governo arrecadou uma dinheirama que não se reverteu em nada, absolutamente nada, e ainda entregou, no apagar das luzes de 2024, centenas de milhões a prefeitos que encerravam seus mandatos no dia 31 de dezembro daquele ano.
Perdemos parte de uma poderosa companhia de saneamento e águas e ganhamos uma empresa privada geradora de faturas infladas, inclusive, em muitos casos, para consumidores onde a água não pinga das torneiras.
Bairros de Aracaju e cidades do interior que nunca viveram crises de abastecimento enfrentam dias de sofrimento com a falta d’água.
E o que fez o dono da cadeira do governo, depois de cobrado por toda a população, depois de oferecer a própria casa para um jornalista tomar banho?
Chamou a Deso para oferecer “consultoria” à famigerada Iguá. Enfim, vai ser difícil, até outubro, acertar suas contas com as torneiras. Por essas e muitas outras, o surgimento de um candidato forte, popular e com a experiência de gestões transformadoras na locomotiva de Itabaiana, vem oferecer finalmente uma alternativa concreta aos sergipanos.
Valmir de Francisciquinho encarna uma renovação semelhante à que precedeu a chegada de Marcelo Déda ao Governo. Se no plano nacional é Lula quem ainda representa o pouco de avanços mais significativos, aqui, sem dúvidas, o lado do bem, de um líder simples e trabalhador, é o lado de Valmir.
A eleição aqui tem caráter local e consiste numa só ideia: botar o Estado nos trilhos e resolver coisas simples, como levar água para a população.
















