Articulista
Rômulo Rodrigues

É ex-operário e sindicalista aposentado. Escreve às sextas.

São 44 anos de sangue e sonhos, e da América do Sul
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Sergio Moro: mais repudiado, segundo a pesquisa Atlas/Intel.

Em sua bela canção “A Palo Seco”, Belchior se refere a 1976, quando o Partido dos Trabalhadores ainda nem estava na incubadora, mas que veio ao mundo quatro anos depois, em 10 de fevereiro de 1980.

No PT sempre foi assim, a fruta só nasce no tempo certo e, com certeza, devido ao tempo de maturaçã, é que foi execrado como uma invenção do general Golbery do Couto e Silva e hoje já está consolidado como a maior trincheira da classe trabalhadora cabendo a cobrança de autocrítica àqueles que, com o passar do tempo, tiveram que se abrigar nas cinco pontas da estrela para sobreviver. Coisa da política.

Por falar nessas coisas, o Partido dos Trabalhadores de Sergipe bem que poderia parar por alguns instantes e debater o tema, coisas da política, para não sair das eleições de 2024 enfrentando uma grande crise de direção.

Por enquanto corre só o perigo. Mas, mesmo sendo o momento de comemorar, a realidade impõe pensar o ano eleitoral como estratégico para 2026, 2028 e 2030 e essencial como estandarte dos 44 anos.

Anteontem, ontem, hoje, quem se deu ao trabalho de acompanhar as notícias proferidas pelas bocas amargas dos predadores do Deus mercado ficou sabendo que o outrora homem mais respeitado e admirado do Brasil, Sergio Fernando Moro, é o mais repudiado, segundo a pesquisa Atlas/Intel.

Também ficou sabendo que o conto de fardas nunca passou de uma falácia dita, apregoada e ensinada nas escolas para manter a garotada, futuro da sociedade, desinformada e apavorada com medo da corrupção e do comunismo, levando o pavor para a adolescência e idade adulta e reproduzindo para as gerações seguintes.

As descobertas e revelações são de que um governo militarizado, comandado por um delinquente, expulso do Exército por atos terroristas, reformado como capitão para não perder o direito ao soldo, servia como fachada para que generais quatro estrelas, almirantes e brigadeiros conspirassem contra a pátria e acobertassem a grande escalada de corrupção.

Tudo o que está sendo mostrado e o que ainda vai ser, dos panos de fundo das mais diversas maquinações para darem mais um Golpe de Estado, se deve, e muito, à existência, resistência e resiliência do PT como partido nascido no palco das lutas da classe trabalhadora e que a sociedade civil organizada tem o dever de fazer tal reconhecimento.

Os feitos deste partido são únicos e inigualáveis no mundo, e não há, também no mundo, um fenômeno semelhante. Todos que tentaram sufocá-lo e impedir sua existência por meio de Law Fere, estão caindo ou já caíram no esquecimento ou estão a caminho das masmorras.

Todos os que lhe apontaram canhões, ergueram baionetas ou lhe ameaçaram com julgamentos sumários, estão ouvindo as pancadas nas portas das batidas policiais e tendo que ler e assinar mandados de buscas e apreensões que são, em suma, avisos de que a Papuda e a Colmeia lhes esperam.

Enfim, já é a glória suprema? Não, nunca! Não existe glória em desbaratar quadrilha e prender traidores. Existe e existirá a esperança de que a lei seja igual perante todos.

Tudo bem, e qual será o próximo passo? Será compreender que o dever dos que fazem a consolidação da República pela via da democracia é permanecerem em estado de alerta e não transigirem nas cobranças de apurações, julgamentos e condenações de culpados, tenham eles as patentes que tiverem e que qualquer proposta de anistia será uma afronta à soberania popular.

No estratégico ano eleitoral em curso é inadmissível concentrar todas as energias em discussões de candidaturas majoritárias e relegar a segundo plano, sem uma tática eleitoral, as candidaturas proporcionais, tão apregoadas como base do partido.

Basta puxar um pouco pela memória para ver que nas eleições municipais de 2020 entre 58.208 parlamentares municipais eleitos, o Partido dos Trabalhadores, do alto dos seus 29% de preferência dos votantes tenha conquistado apenas 2.658 cadeiras ou, 4,57%. É assim que nasce e que cresce gente como Artur Lira.

Foto: Waldemir Barreto -  Agência Senado

 

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