Articulista
Antonio Passos

É jornalista, professor e servidor aposentado da PRF. Graduado em História e mestre em Ciências da Religião pela UFS. Escreve às segundas.

A origem mítica das relações de poder entre os sergipanos!
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Das três diversidades, nenhuma é boa

Três tipos ideais regem a diversidade de comportamentos no tocante às relações de poder entre o povo sergipano.

Podem ser reconhecidos nos detentores de mandatos públicos: desde o vereador da menor cidade até o governador do estado. Mas conduzem também as relações cotidianas em todos os setores e ambientes da vida social.

São espíritos ancestrais encarnados em cada um de nós. São os nossos modelos míticos: o anjo acumulador, o guerreiro contaminado e o santo despedaçado. 

Há quem encarne um só tipo durante toda a vida e há quem transite entre eles de acordo com as circunstâncias.

O anjo acumulador: recebe esse nome porque tem aparência angelical, no bom sentido. A cara de anjo funciona como uma pele de cordeiro disfarçando um lobo devorador. 

Tudo o que faz o tempo todo é acumular bens. O acúmulo de poder reforça a benquerença, porque passa a ser visto como potencial doador de benefícios, já que dispõe de muitos recursos. 

Os dessa linhagem são os mais abundantes: nunca há espaço ou tempo sem a presença dos anjos acumuladores.

O guerreiro contaminado: este reconhece a verdadeira face do anjo acumulador, se revolta e faz acusações. Os confrontos entre os dois tipos, quando conflagrados trazem confusão, pois, o ataque a um anjo acumulador, de início, causa comoção. 

Com muita luta e desgaste, o guerreiro sai vitorioso, porém, nesse caminho acaba sendo contaminado pelo perfil acumulador. 

Logo quando desponta, para quem o admira, o guerreiro parece puro, porém, no decorrer do processo evidencia-se a contaminação.

O santo despedaçado: desde cedo o santo se diferencia do guerreiro, deixando claro que na sua caminhada será muito mais imune às contaminações. 

Entretanto, por isso mesmo, embora desponte como um purificado fio de esperança e conquiste o coração de multidões, o santo logo começa a despertar violentas e encasteladas iras e ciúmes. 

Ao final, é quase certo que o santo restará despedaçado. Sua imagem, porém, permanece sustentando o sonho de novas aparições.

E quanto aos exemplos concretos desses modelos? Sem muito esforço, relembro três recentes governadores de Sergipe, cada um representante de um dos perfis. São eles…

Pensando bem, é melhor deixar essa identificação para a livre imaginação dos poucos leitores que chegarem até aqui. Façam suas correlações!

 

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