Articulista
Marcio Rocha

É economista, jornalista e radialista. Escreve às quintas.

Governança forte para uma Telebras mais estratégica
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Aécio Prado Dantas Júnior: missão de fortalecer e qualificar a governança

A chegada de Aécio Prado Dantas Júnior à Diretoria de Governança da Telebras vai além de uma simples recomposição administrativa. Trata-se de um movimento que sinaliza uma tentativa de qualificar a gestão de uma empresa que, embora muitas vezes fora do centro do debate público, ocupa um espaço estratégico na infraestrutura digital do país.

Em um ambiente onde estatais ainda enfrentam desconfiança quanto à eficiência, à transparência e à capacidade de execução, a escolha de um perfil técnico, com forte atuação em contabilidade pública e controle institucional, aponta para um caminho de maior racionalidade administrativa. E isso não é detalhe. É fundamento. Sem governança sólida, qualquer política pública tende a perder eficiência, elevar custos e gerar insegurança.

A função que Aécio assume não é operacional, nem voltada à expansão de mercado. É estrutural. A governança atua como o sistema nervoso da organização: organiza fluxos, define regras, estabelece controles e reduz a margem de erro nas decisões. Em termos práticos, isso se traduz em processos mais claros, contratos mais seguros, menor risco de irregularidades e maior capacidade de planejamento.

A expectativa, portanto, é de um trabalho focado em fortalecer os mecanismos de compliance, aprimorar a transparência e qualificar a relação da empresa com órgãos de controle como Tribunal de Contas e Controladoria-Geral. Pode parecer um campo burocrático, mas é justamente aí que se decide a eficiência, ou a ineficiência, de uma estatal.

Há também um efeito indireto relevante. Uma governança bem estruturada aumenta a credibilidade da empresa perante parceiros institucionais e o próprio mercado. Em um setor como telecomunicações, que exige integração entre público e privado, esse fator é determinante para viabilizar projetos e ampliar resultados.

É importante, nesse contexto, situar o papel da Telebras no Brasil contemporâneo. Desde a Privatização do Sistema Telebras, o país avançou significativamente na expansão dos serviços de telefonia e internet, impulsionado pela iniciativa privada. No entanto, esse modelo, por definição, prioriza áreas de maior retorno econômico. Isso deixa lacunas, e são nessas lacunas que a Telebras se torna necessária.

A estatal atua como instrumento de política pública, especialmente em frentes como conectividade em regiões remotas e de baixa atratividade econômica, suporte à inclusão digital, atendimento a órgãos públicos e serviços essenciais, além da garantia de infraestrutura estratégica para o Estado.

Do ponto de vista econômico, trata-se de uma atuação clássica de correção de falhas de mercado. O setor privado maximiza retorno; o Estado entra para garantir acesso e equilíbrio.

Mas há um ponto crítico: para cumprir bem esse papel, não basta existir. É preciso funcionar bem. E é justamente aí que a governança deixa de ser um conceito técnico e passa a ser um ativo estratégico. Uma Telebras com governança frágil tende a desperdiçar recursos, comprometer resultados e reforçar a percepção negativa sobre estatais. Por outro lado, uma empresa organizada, transparente e eficiente consegue ampliar seu impacto, reduzir custos e entregar políticas públicas com mais qualidade.

Se Aécio Dantas conseguir imprimir rigor técnico, fortalecer controles e dar maior consistência institucional à Telebras, o ganho será sistêmico. Não apenas para a empresa, mas para o próprio Estado brasileiro, que passa a contar com um instrumento mais eficaz de execução de políticas digitais.

No fim das contas, a equação é simples, ainda que desafiadora: governança forte, eficiência na execução e clareza de propósito público. A nomeação aponta na direção correta. O próximo passo é transformar essa base técnica em resultado concreto, porque, no setor público, a credibilidade não vem do discurso. Vem da entrega.

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