
Jaci Rosa Cruz: esta mulher preenche a teoria de Frederico
Digo e repito: uma revolução silenciosa está em curso na Galeria de Artes Álvaro Santos - GAAS. Ali, onde todos os últimos prefeitos de Aracaju erraram, a gestão de Emília Corrêa surpreende e faz bonito. Ou seja: acerta.
Volto ao tema, em função do convite para conferir a oportuna mostra dedicada ao patrono da Galeria - justamente o Mestre Álvaro Santos. E credito o bom momento vivido no espaço à exuberância notável de uma mulher das mais dispostas, feliz de estar ali - ela própria uma artista.
Antes de Jaci Rosa Cruz assumir a GAAS, o prédio modernoso fincado numa quina da praça Olímpio Campos esteve largado às moscas. O vislumbre de um papel social a ser desempenhado pela GAAS, contudo, tem muita razão de ser.
Entendido como um ambiente vivo, um lugar de convivência e emergência de novas sensibilidades do lugar, o cubo branco amplia as suas possibilidades exponencialmente.
Esta não é uma ideia nova. Está ligada à vanguarda carioca dos anos 50, quando o exercício artístico brasileiro ganhou expressão mundial e registro criterioso do crítico Frederico Morais.
Frederico intuiu e dedicou todo o seu trabalho à defesa daquele que se tornaria um dos pilares desejáveis da gestão cultural nos dias correntes: a democratização do acesso e produção dos bens de natureza artística.
Para Frederico, trata-se de uma causa libertária, em sintonia com os bons ventos da emancipação humanística: “O poeta-suicida Maiakovski afirmava que “a arte não é para a massa desde seu nascimento. Ela chega a isso ao fim de uma soma de esforços. É preciso saber organizar a compreensão””.
Continua Frederico: “Entendo que organizar a compreensão é criar condições para que todos possam exercitar sua liberdade criadora, treinar continuamente sua percepção. Pois a arte tem por objetivo ativar todos os sentidos do homem, criando-lhe condições para melhor captar ou mesmo antecipar os novos ambientes. Trata-se, portanto, de um problema de ordem geral, de cada indivíduo, de cada professor, crítico ou artista, das instituições culturais. É problema de Governo”.
É fiando nas palavras de Frederico que afirmo: uma revolução silenciosa está em curso na GAAS – uma mulher na vanguarda, à frente de tudo, o entusiasmo em pessoa, mangas arregaçadas, Jaci.
Serviço:
Álvaro Santos, Presente!
De 29 de abril a 22 de maio, na GAAS.

















