Aparte
Opinião - Bora de Jackson do Pandeiro: “Dança aí, 17 Na Corrente”

[*]  Rômulo Rodrigues 

Foi com esse refrão que o inigualável Jackson do Pandeiro imortalizou a música 17 Na Corrente.

O número 17 identifica o grupo sorteado por uma das quatro dezenas do jogo do bicho, como sendo o macaco.

Nas lindas e concorridas feiras da minha infância e adolescência, os cantadores de versos de cordel e os diversos vendedores de raízes, remédios milagrosos e outras especiarias destacavam-se por ter sempre a parceria de um adestrado macaco preso por uma corrente a chamar a atenção e a divertir a freguesia com suas peripécias.

Foi nessa riqueza de vida urbana, bucólica e feliz que algumas gerações encontraram assuntos diversos para nortear suas conversas nas tertúlias e bolandeiras das noites, sem preocupações.

E assim o número 17 era sempre um bom palpite para fazer uma fezinha nas visitas frequentes aos conhecidos e simpáticos cambistas.

Triste melancolia que se abateu sobre nós ao perceber que essa dezena 17 se transformou em símbolo de uma desgraça, ao ser escolhida por 57,5 milhões de descerebrados e idiotas, para jogar o país no inferno astral de uma pandemia que já vitimou mais de 500 mil pessoas.

Pandemia que, estima-se, de 375 a 400 mil poderiam ter sido evitadas, e tudo sob o comando de um agente especial americano chamado Sergio Fernando Moro, tendo à sua disposição um grupo de quatro desembargadores do TRF-4 que, onde a bola da roleta caísse o bicho do dia era macaco, o 17.

A caçada a Lula começou no dia 4 de março de 2016, quando um procurador cúmplice de Moro sequestrou esse nosso petista como um recado de referência ao inquérito do Galeão que culminou com o suicídio do presidente da República Getúlio Vargas em 24 de agosto de 1954.

Ao contrário de Vargas, Lula foi incisivo em sua reação e disse: “Vocês pisaram no rabo da jararaca, mas esqueceram de esmagar a cabeça”.

A partir daquele dia foi esticado o cabo de guerra. De um lado, os times dos partidos da justiça, da mídia e militar, comandados pela CIA e, na outra ponta, o destemido Lula, as forças populares e a ainda indecisa sociedade civil organizada.

Nos primeiros meses Lula prendeu a corda entre os dentes e como um leão em fúria começou a emitir seus potentes rugidos.

Liderou uma caravana pelo Brasil e mostrou ao povo qual era o lado certo da história. A CIA contra-atacou, mandou prendê-lo em uma jaula em Curitiba e então o povo foi para a porta do circo e esperou 580 dias sem arredar o pé, para ter o gigante de volta ao palco onde reina - o meio desse próprio povo.

Passados cinco anos, três meses e 20 dias, aquela cobra jararaca que virou onça presa numa jaula federal para ser impedida de derrotar o macaco, acaba de ser declarado jacaré, ao ganhar o julgamento de número 15 no Supremo Tribunal Federal.

Isso dos 17 que a quadrilha de Curitiba engendrou para tirá-lo do cenário da política e destruir o Brasil a ponto de não haver mais possibilidade de recuperação da economia e ser reduzido a uma colônia exportadora de minérios e produtos do setor primário e receber turista dos EUA e da Europa, além de príncipes, sultões e marajás das arábias, abrir cassinos e transformar este imenso paraíso tropical no celeiro de exploração do turismo sexual.

Transformar este imenso paraíso tropical naquilo que era Cuba nos tempos de Fulgêncio Batista e seu regime militarista, abolido por Fidel Castro, Che Guevara, José Marti e outros guerrilheiros que desceram a Sierra Maestra em 1º de janeiro de 1959.

A classe média, que vai deixar de lado o seu sonho de ser da elite do atraso depois de levada ao universo dos pobres que tanto odeia, se desdobrará em mesuras agradecendo as gorjetas em dólares e euros.

Com profundo orgulho, vão encher os peitos e dizer: “Somos todos apolíticos de direita, fomos enganados pela Rede Globo, Lava Jato e Bolsonaro. Perdemos casas próprias, carros, direitos trabalhistas, acessos às universidades, passeios com as famílias, mas, tiramos o PT do poder”. Ufa!

Como esqueceram que a roda da história projeta para a frente e que existe lei do retorno, o furacão Lula está voltando com toda força para botar o Brasil, de novo, como protagonista da agenda mundial. A geringonça já está em fase de testes.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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