Aparte
Opinião - Engana-se quem acha que pode destruir ideias e ideais

[*] Luís Fernando Silveira de Almeida

A peleja é dura e nunca foi fácil. Mas em alguns momentos se torna mais árdua, mais exigente, com aqueles, que têm na vida a ilustre e sublime missão de lutar. E a luta não é algo de militares em campo de batalha. Isso aí é guerra. A guerra mata, flagela, expõe, desabona, tortura, constrange, derrota, inclusive os que se acham vencedores, pois uma alma dilacerada não se refaz jamais!

A luta é pela vida. Pelo povo, pelo prato de comida, pelo trabalho digno, pela reconstrução de uma nação. Pelo direito ao sonho e à realização dele. A luta não separa. Junta. A luta não divide, soma.

Engana-se quem acha que pode destruir ideias e ideais. Elas são atos e atitudes imortais. Renascem a cada choro de uma criança que chega ao mundo, que nos traz o mais sublime dos sentimentos: a esperança!

Aquela esperança que sobrou na caixa de Pandora, como símbolo de recomeço, de possibilidade, de perseverança. Carregamos no sangue o DNA dos fortes e dos corajosos, e insistimos num mundo melhor, com fraternidade, igualdade de oportunidades. Solidariedade e compaixão. Viver, não duvide camará, é lutar.

Tentam de forma vil, cruel, falsa e odienta dividir uma nação. Esse grande Brasil não é feito de cores das quais uns e outros tentam se apropriar.

Ele é feito pretos, pretas, brancos, brancas, índios e índias, migrantes de todas as partes, gente que fecundou esse chão, que ergueu construções. Gente que cultivou por esta terra um sentimento tão profundo que a transformou em pátria! E pátria é a língua una e indivisível de todos.

Por diversas vezes, na caserna, marchei ao som de “Fibra de Herói”, letra de Barros Filho e música de César Guerra Peixe, da qual cito dois trechos: “Bandeira do Brasil, ninguém te manchará.../ Bandeira idolatrada, altiva a tremular,/ onde a liberdade é mais uma estrela a brilhar”.

Não existem donos de um símbolo tão sublime, senão toda a nação, única, indivisível. Não há liberdade na fome, na opressão e na morte. A liberdade é par sereno da vida plena. Aquela e essa são indissociáveis.

Portanto, ao povo brasileiro, todo o poder. Poder legítimo e constitucional. Poder de escolha livre e consciente, poder de autodeterminação. Aos seus representantes, que seja negado o direito de vangloriar-se, quando simplesmente cumprem sua obrigação, seu serviço ao seu povo. E a aqueles que usurpam desse poder, que um dia encontrem-se com a justiça, na terra ou nos recantos sombrios do além que seus iguais povoam.

Sim, existe Deus, um Deus que é afastado de nós por aqueles que se apropriam Dele, como se fossem seus donos. Mas é comungado e partilhado conosco por aqueles que estendem a mão e levantam os caídos. Esse país tem jeito, sim. Vamos reerguê-lo!

Podem nos levar tudo, menos a fé e a esperança em dias melhores, a capacidade de lutar e repartir o pão. Somos mulheres e homens de fibra, não vamos desistir. “Vamos renascer das cinzas, plantar de novo o arvoredo, bom calor nas mãos unidas”.

É hora de enxugar o suor, de abraçar os que resistiram, de receber os que virão e fecundar essa terra e de vê-la florescer!

[*] É oficial da reserva da Polícia da Militar do Estado de Sergipe, ex-secretário Municipal da Defesa Social e da Cidadania - Semdec - de Aracaju e filiado ao PCdoB. 

 

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