Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Aos 95 anos, morre o Dr Jorge do Prado Leite, “um homem chamado trabalho”
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Dr Jorge Leite, como é carinhosamente chamado, e a sua Angelina, a quem deixa viúva

Neste domingo, 16 de agosto de 2021, morreu aos 95 anos, um mês e 27 dias o engenheiro civil e industrial Jorge do Prado Leite, um dos homens mais respeitados da velha guarda da vida sergipana.

Jorge do Prado Leite, a quem deram-lhe o codinome de “um homem chamado trabalho”, faleceu às 8h10 da manhã, na mesma casa em que nasceu, na Avenida Ivo do Prado, em Aracaju.

O corpo foi velado a partir das 14h deste domingo no Cemitério Colina da Saudade, e sepultado ali mesmo duas horas depois, às 16.

Há cerca de cinco anos, o Doutor Jorge, como era tratado por todos, vivia em estado vegetativo sob profundos cuidados da família entre a fazenda no povoado Crasto, em Santa Luzia do Itanhi, vizinha a Estância, e a casa de Aracaju, onde nasceu.

O que o levou à prostração foi o Mal de Parkinson. Mesmo nesse estágio de saúde assim, o Doutor Jorge Leite contraiu a Covid-19 duas vezes e venceu a ambas. Foi em junho de 2020 e em fevereiro deste ano.

Primogênito dos 11 filhos do também industrial e senador Júlio Leite, Jorge Leite fez Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

Na maturidade, bacharelou-se em Comunicação Social na primeira turma de uma universidade sergipana, com habilitação em Jornalismo.

Poderoso no campo da economia e do respeito social, Jorge Leite gostava de brincar com os jornalistas mais antigos, chamando a todos de “meu colega”.

O doutor Jorge foi fundador da Rádio Esperança e manteve o time do Santa Cruz por 40 anos - de 1950 a 1990.

Sua maior obra, no entanto, é a Sulgipe, empresa por ele fundada em Estância em 1958 com atuação sobre 12 municípios de Sergipe e dois da Bahia, com quase 200 mil consumidores, e presidida pela neta Yvette Leite, filha de Ivan Leite.

Jorge deixa três filhos: Marcelo, Adriana e Ivan Leite. Deixa viúva dona Angelina Emiliana Santos.

No dia do aniversário de 94 anos dele ano passado, o filho Ivan Leite, o que tem a vida pessoal mais exposta publicamente por ter sido prefeito de Estância e deputado estadual, escreveu aqui nesta Coluna Aparte o artigo “Os 94 anos do grande Jorge Leite e a crônica afetiva de um filho seu”.

Neste texto, Ivan Leite carrega nas tintas da suprema afetividade que nutria pelo pai e pinta dele um retrato como talvez poucos fossem capazes de pintar em Sergipe. Por isso, a Coluna Aparte o republica aqui na íntegra.

Opinião - Os 94 anos do grande Jorge Leite e a crônica afetiva de um filho seu

[*] Ivan Leite

No dia 19 de junho de 1926 nasceu em casa, na Avenida Ivo do Prado, em Aracaju, meu pai, Jorge Prado Leite, primogênito de Júlio César Leite e de Carmem Prado Leite, e também primeiro neto do coronel Gonçalo Rollemberg. Aos 11 anos de idade foi estudar, sozinho, em Fortaleza, Ceará, na Escola Militar.

Aos 12 anos, mudou-se para Minas Gerais. Foi estudar internamente no Colégio Cataguases Leopoldinense, e de lá ele mantém até hoje memórias deliciosas, não apenas pelos tradicionais doces mineiros, mas pelo carinho e amizade de famílias e amigos que o acolhiam aos finais de semana e as paqueras de adolescente.

Mudou-se para São Paulo alguns anos depois, para o internato do Colégio Mackenzie, do qual também guarda sempre boas memórias. Serviu ao CPOR - Centro Preparatório de Oficiais da Reserva - Exército, o que lhe era fácil, pelo temperamento disciplinado, mas difícil pelas ações físicas, pois mesmo não tendo limitações que o impedissem de executá-las, a elas não era muito afeito.

Mas conseguiu superá-las através de atribuições que buscou na biblioteca. Aos 19 anos, papai ingressa na já cobiçada nacionalmente e já consagrada formadora de excelentes engenheiros, a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo -, feito este que muito o orgulha.

Na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo estudaram contemporaneamente jovens que vieram a ser dois governadores de São Paulo, Mario Covas e Paulo Maluf. Com este, papai concorreu em eleição para o Grêmio da Poli, e o venceu - fato que atesta a sua grande capacidade de aglutinação e liderança.

Como presidente do Grêmio da Poli, e vindo de outro Estado morar em São Paulo, era conhecedor das dificuldades que enfrentavam os alunos originários do interior e de outros Estados de todo o Brasil.

Por isso, idealizou e empenhou-se na viabilização e construção da Casa do Politécnico. E teve sucesso nesta empreitada, construindo um prédio de 11 andares que, ao término da sua gestão, já estava no sexto pavimento e com recursos assegurados para a sua conclusão.

Em 1950, já formado em Engenharia Civil, papai retorna a Sergipe a convite de seu pai, que dele precisava para dirigir a Fábrica Santa Cruz uma vez que, como senador, iria morar no Rio de Janeiro. Este é o mesmo ano em que conheceu e apaixonou-se pela ainda adolescente Angelina, a minha mãe.

Em 1956, três importantes fatos ocorrem na vida de papai: o time de futebol da fábrica, o Santa Cruz, o Azulão do Piauitinga, sagra-se campeão estadual no primeiro campeonato desta abrangência, e ainda fora campeão seguidamente 1957/58/59/60, sendo o primeiro pentacampeão; é fundada a Companhia Sul Sergipana de Eletricidade, a Sulgipe, e lhe nasce o seu primogênito, euzinho aqui.

Em 5 de maio de 1964, ocorrem os dois maiores reveses de sua vida: a perda prematura de sua genitora, Vovó Carmem e, no mesmo dia, a destruição da Fábrica Santa Cruz por uma gigantesca enchente dos rios Piauí e Piauitinga.

Demonstrando sua garra e seu empreendedorismo, em 1º de maio de 1967 papai inaugura a primeira estação de rádio do interior de Sergipe, a Rádio Esperança, numa data que demonstra explicitamente seu apreço e reconhecimento aos trabalhadores - ele próprio um eterno trabalhador -, a ponto de receber o codinome de um homem chamado trabalho!

Aos filhos, que criou e educou com exemplos - Ivan, Marcelo, Adriana -, e aos netos Jorge, Yvette, Júlia e Luiza, e ao bisneto Pedro Jorge, ele segue dando demonstração de perseverança. Chega hoje aos 94 anos e, como lhe é peculiar sempre ter metas, a de agora é de ir rumo aos 100. Então vamos!

[*] É engenheiro, foi deputado estadual, prefeito de Estância e secretário de Estado da Indústria e Comércio de Sergipe, mas para o que ele mais levanta crachá mesmo é para a condição de um filho de Jorge. Este texto foi publicado no dia 19 de junho de 2020.

 

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JOSE MARCELO FRANCO BARRETO
IVAN LEITE RECEBA MEU ABRAÇO FALECIMENTO SEU PAI DR.JORGE LEITE EXTENSIVOS A TODS DA FAMILIA.QUE DEUS ILUMINE O CAMINHO DE TODOS VOCÊS
Josevânia Sobrinho Santos
Meus sentimentos a família enlutada, parentes e amigos pela passagem desse ilustre cidadão sergipano. Parabéns ao Sr.Ivan leite pela linda homenagem ao seu querido pai. Parabéns ao Jlpolitica pela Excelente matéria.
Hugo Ferreira
RECEBA MINHAS CONDOLÊNCIAS EXTENSIVAS A TODOS OS FAMILIARES. FICA O LEGADO. UMA REFERÊNCIA.
Clyton Houly
Parabéns pela veiculação do conteúdo sobre o Comandante da Sulgipe. Sergipe ficou mais pobre com a partida do genial Jorge Leite.