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Luciano Pimentel: “O Brasil não pode deixar morrer sua vocação industrial”

Luciano Pimentel: “Foram fechadas entre 2015 e 2020 nada menos do que 36,6 mil unidades industriais”

O deputado estadual Luciano Pimentel manifestou nesta segunda-feira, 18 de janeiro, “uma profunda preocupação” com os destinos da atividade industrial brasileira que vem, segundo ele, passando “por uma desidratação severa de importância e de significação perante o resto do mundo”.  

“Segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo - CNC -, o Brasil perdeu, em média, 17 fábricas por dia nos últimos seis anos. Ou seja, foram fechadas entre 2015 e 2020 nada menos do que 36,6 mil unidades industriais”, aponta o deputado.

Segundo Luciano Pimentel, que é também empresário e já foi superintendente da Caixa Econômica no Estado de Sergipe, esses dados que ele revela ganharam relevância mais recentemente numa matéria publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, “que chama a atenção para a gravidade do momento em que passa a economia brasileira”.

“Veja que tivemos recentemente a decisão da Ford de encerrar imediatamente suas atividades no Brasil, atingindo a Bahia e São Paulo. A japonesa Sony anunciou o fim da produção na fábrica em Manaus, no Estado do Amazonas até o mês de março, e a também japonesa Mitutoyo fechou a planta de instrumentos de medição em Suzano, São Paulo. O grupo farmacêutico suíço Roche informou que até 2024 deixará de fabricar medicamentos no Brasil. Vejo isso como uma profunda gravidade”, adverte o parlamentar.

Para Luciano Pimentel, essa atividade reclama por mais ações concretas em favor dela há tempos. “É preciso aumentar a produtividade industrial média nacional, que é muito baixa e vem se mantendo há mais de 20 anos nesse mesmo tom. Nossa participação na produção industrial mundial vem caindo sistematicamente. A situação é grave: até 2014, o Brasil figurava como 10° produtor no ranking mundial e em 2019 já passou a 16º do ranking”, diz ele.

Luciano aponta estudos que acusam sucateamento da atividade e desvantagem perante a mesma área no resto do mundo. “Segundo estudos apresentados pelo professor Sérgio Sukurai, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto - FEA - da Universidade de São Paulo, um trabalhador brasileiro leva uma hora para fazer o mesmo produto ou serviço que um norte-americano faz em 15 minutos e um alemão ou coreano, em 20 minutos. Esse custo é horrível, e vai nos excluir fatalmente da rota do desenvolvimento mundial. A quem isso interessa? A quem isso serve?”, questiona o parlamentar.

Mas há outros dados graves revelados por Luciano Pimentel. “Com relação às exportações mundiais da indústria de transformação, o Brasil apresenta uma performance sucessiva de decréscimo muito preocupante. Veja: tínhamos uma participação de 1,10% em 2008, 1,06% em 2012, 0,92% em 2016 e 0,82% em 2019, segundo informe da Confederação Nacional da Industria - CNI - , com base em estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE”, compara ele.

“É urgente que tenhamos que atuar na revisão e na simplificação dos marcos regulatórios deste setor, simplificando-os e dando segurança ao investidor. É urgente que tenhamos reforma tributária, investimentos em energia e infraestrutura, aumento e qualificação dos investimentos em educação de forma a melhorar a produtividade do trabalhador brasileiro. Esse é o nosso grande desafio para os próximos anos. Ou o cumprimos rigorosamente isso ou seremos devorados”, diz Luciano Pimentel.

 

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