Aparte
Opinião - A vida exige coragem

[*] Rômulo Rodrigues

Munido da coragem necessária, ouso prognosticar sobre a eleição de domingo em Aracaju indicando que vai ter segundo turno entre Edvaldo Nogueira do PDT e o candidato do PT, Márcio Macedo. Com Ibope, com tudo.

Analisando a campanha de Edvaldo, enxergo que ele sabia desde o primeiro momento que não conseguiria arrebanhar os cerca de 130 a 132 mil votos, ou um pouco mais, necessários para fechar a conta no próximo dia 15.

Não encaro uma tarefa difícil e arriscada fazer um prognóstico baseado nos resultados de quatro anos atrás, até porque, há repetições de nomes e similaridades e não há um fenômeno eleitoral na disputa.

No primeiro turno da eleição de 2016, Edvaldo Nogueira gozava de um favoritismo similar ao que propaga hoje e teve 99.815 votos, distante 30 mil votos do que precisava para atingir seu objetivo.

Na eleição deste domingo vai precisar de um pouco mais, 36 mil votos, para fechar a conta e passar a régua. As últimas horas estão recheadas de análises sem fundamentos e cheias de rancores a dizerem que o PT está morto, que a candidatura de Márcio é um cadáver mal cheiroso, e pro aí vai.

Pena, argumentos pobres que não enriquecem a política. Esperava coisas bem melhores de quem até cultivo admiração e respeito. Mas vamos falar em tijolo que é pau que boia.

Nenhum dos doloridos avaliadores se arrisca a dizer, peremptoriamente, que o prefeito não atinge os 100 mil votos e, portanto, não lacra. Sendo assim, quem vai ao segundo turno para virar o jogo e ficar com a faixa?

A delegada que parece que só grava programa eleitoral quando está de TPM? Está muito longe da linha de corte para pegar o bilhete de embarque - não passa no check-in.

Rodrigo? Galinho de briga que cisca no terreiro, ameaça desmontar o ringue antes da luta começar e corre para se refugiar ao lado do retrato do pai - de saudosa memória -, que, acho, não lhe recomendaria um papel tão tosco.

Georlize apareceu entre todos e todas como uma pessoa doce, de fino trato, querendo suavizar a política em vez de torná-la um prato feito com jiló e pimenta malagueta.

Deixa a impressão de ser equilibrada e ensina a Danielle que a polícia civil não é o partido político que ela pensa ser presidenta da executiva estadual.

Talvez, o comportamento de Georlize seja o reflexo de ter como conselheiro político o experimentado e sempre polido José Carlos Machado.

Aos outros seis postulantes, com todo o esforço e boa vontade, só posso atribuir uma pesagem na ordem dos 20 mil votos, dentro da margem de erro - como contabilizo para Danielle, Rodrigo e Georlize coisa de uns 80 mil votos.

No final da contagem, estarão reservados para Márcio Macedo uns 70 mil votos. Mais, ou menos, 3 mil votos. Esta é a linha de corte para ir ao segundo turno e nocautear Edvaldo no round final.

Não vão faltar os que me chamarão de louco, fora da realidade, arrivista e franco atirador. Só não de engenheiro de obra feita. Se estiver errado, pago o preço.

Porém, se me  chamarem de otimista, direi que sou! Prefiro ser um otimista que erre, que um pessimista que acerte. A aposta na chapa Márcio Macedo e Ana Lúcia tem fundamentos.

É uma chapa do único partido do Estado e que tem, no geral, 25% do eleitorado votante - leiam Lavareda. Têm os maiores apoios de bases sociais organizadas, tem uma base eleitoral que a compra de votos não corrompe, tem os melhores apoiadores e fazem questão de mostrar.

É a chapa de Lula, que saiu da Presidência com 87% de aprovação - a eleição é federalizada, sim senhor. A luta é contra o fascismo, a homofobia, o preconceito, o feminicídio, o racismo, o desemprego e a falta de moradia.

A estratégia do PT está correta desde o tempo das pré-candidaturas e não serão eventuais erros táticos que irão tirar o brilho da estrela. O PT está dando exemplo de coragem.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

 

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