Aparte
Opinião - Eleições 2022: a razão impõe paciência para a definição do nome governista

[*] Edson Júnior

A cada dois anos, o Brasil vive períodos eleitorais. O primeiro, com a eleição de prefeitos e vereadores. O segundo, com a escolha de presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. 

Em comum nesses dois períodos, o que o saudoso ex-governador Marcelo Déda classificou como TPE, a tal Tensão Pré-Eleitoral, momento em que os blocos políticos estão definindo seus jogadores para a disputa nas urnas.

Desde 1989, quando o país voltou a ter eleições diretas para presidente da República, já contabilizamos 16 eleições, número suficiente para sabermos o tempo em que o jogo eleitoral deve começar.

O processo antecipado de escolha de candidaturas é sempre condimentado por futricas e por especulações. Ingênuo quem imagina que notinhas na imprensa e os digladiamentos em redes sociais não têm comando. “Sergipe é terra de muro baixo”, diz um conhecido ditado.  

Para as eleições de 2022, os times estão se arrumando e o funil começa a pingar prováveis pré-candidaturas ao Governo do Estado. Por ora, a situação conta com os nomes do prefeito Edvaldo Nogueira e dos deputados federais Fábio Mitidieri e Laércio Oliveira. A oposição conta com o senador Rogério Carvalho e o empresário Milton Andrade. 

O nome do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Ulices Andrade, aparece em notas e editorias políticas na imprensa, mas até o momento não foi pronunciado pelo próprio, por isso não o citei acima, o que não significa um descarte dele. 

Já o ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, embora se insinuado como pré-candidato ao Governo, tem seu nome muito citado como pré-candidato a vice-governador ou mesmo candidato a deputado estadual. Talvez até a deputado federal, quem sabe. 

Dos nomes colocados aqui - e o leitor é livre para pensar outros -, pode-se extrair que será uma eleição bastante disputada. 

O prefeito Edvaldo Nogueira desenvolve uma gestão avançada, aplicada, inovadora. Seu nome já ganhou estrada e seu trabalho ecoa positivamente nos municípios sergipanos, sem que ele esteja em pré-campanha. Continua focado na administração de Aracaju e também em suas atribuições como presidente da Frente Nacional de Prefeitos – FNP. 

Fábio Mitidieri é um político novo, com bom trabalho parlamentar e penetração nos municípios. Conversa política com desenvoltura, não teme se posicionar, por mais delicado que seja o tema. Isso é bom. Mostra caráter, um predicado importante.

Já Laércio Oliveira colocou seu nome à disposição do bloco, tem buscado apoios e conversado com lideranças políticas. Tem influência na Câmara dos Deputados e forte liderança no meio empresarial. É razoável afirmar que seria reeleito para um novo mandato de deputado federal. 

Rogério Carvalho anunciou sua candidatura como oposição ao governo. Tirou o Partido dos Trabalhadores do bloco criado por Marcelo Déda e inaugurou um novo ciclo na sigla. É um nome forte na disputa, seja por sua trajetória ou mesmo na ascensão que o mandato de senador lhe confere. 

Milton Andrade é considerado um bom empreendedor, mas sem um grupo político forte para alicerçar a sua candidatura. Pode até ter uma boa votação, mas creio que insuficiente até para figurar em um segundo turno. Terá importância no debate eleitoral com suas propostas, sem dúvidas. E crescerá eleitoralmente. 

O que se percebe neste alvorecer do processo eleitoral é a ansiedade na definição de nomes. Nesse sentido, é preciso serenidade, atributo que sobra no governador Belivaldo Chagas, mesmo com seu jeitão eloquente em se expressar. 

O Galeguinho já participou de muitas eleições - sentiu na pele o ardor das disputas - e se consolidou como líder em 2018 com uma acachapante vitória sobre seu adversário, Valadares Filho, numa diferença de 308.890 votos. 

Experiente, sabe que o momento é de construir pontes dentro e fora do bloco, não de definição de nome. Quesitos como liderança, capacidade de gestão, histórico eleitoral e posição em pesquisas internas certamente comporão sua equação para a definição do pré-candidato do bloco.

Para que antecipar o nome a cerca de um ano do pleito? Qual o benefício do anúncio neste ano e não no próximo?

Além do mais, conjuntura nacional e mudanças partidárias podem criar perspectivas diversas para alianças. 

Portanto, a razão impõe paciência para uma boa escolha, e o tempo é a mais segura medida para isso. Decisões bruscas, nos legam algumas eleições em nosso Estado, penalizam os apressados. É preciso calma para uma decisão segura. 

[*] É jornalista.

 

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