Aparte
Opinião - Mas o Mocambo conhece Edvaldo Nogueira

[*] Elton Coelho

Falta um ano e menos de um mês para as novas eleições no Brasil - presidente, governadores, senadores, deputados estaduais e federais - e a onda política que aquece o país por meio de governistas - bolsonaristas -, não-governistas - petistas, independentes e terceira via -, já mexe com a cabeça dos brasileiros, dos projetos futuros da nação, das relações internacionais e, igualmente, dos guetos regionais que povoam, de quatro em quatro anos, estas mudanças democráticas por meio do voto popular.

Em Sergipe, uma força mais retumbante dá o tom destas prospecções, encenado pela leva de pré-candidaturas ao Governo do Estado pelo lado situacionista, “sobrando” nomes para composições daqui a pelo menos quatro meses, quando as coisas já estarão definidas.

A vantagem de ter vários candidatos fica sob a liderança política do atual ocupante da cadeira número 1 do Palácio Olímpio Campos, e atende pelo nome de Belivaldo Chagas, ou de, para o seio da intimidade de amigos, admiradores e até de jornalistas, o Galeguinho.

É o Galeguinho que, ao fazer um bom governo, com índices interessantes de aprovação e resolutividade, vai tocando o processo eleitoral nos bastidores da política sergipana, observando, ao longo de sua experiência política, as danças dos postulantes ou dos citados à sua sucessão, todos aliados temporários – a saber: Edvaldo Nogueira, PDT, Fábio Mittidieri, PSD, Laércio Oliveira, PP, Rogério Carvalho, PT, e Ulices Andrade, sem partido.

Dito isso, percebe-se com clareza que cada político citado vai interagindo, ao seu modo, à forma de como se expor à escolha interna do grupo governista, ora utilizando-se das reuniões partidárias e encontros políticos, ora pelas pesquisas de opinião pública, ou pelo jogo dos bastidores e com acenos de futuras alianças, ainda que não sejam somente no campo governista.

Ulices, conselheiro do Tribunal de Contas, aguarda o desfecho da liturgia do cargo para se movimentar. Ele faz isso em absoluto silêncio. Laércio Oliveira, bem articulado e com marca no conservadorismo local e nacional, gravita entre as forças do seu partido e aliados do Sistema S, que comanda em Sergipe, para alargar seu campo de ação.

O senador Rogério Carvalho já vai às escâncaras. Prevê um futuro promissor com o apoio de Lula e de outras forças fora da base governista, e algumas dentro também, para dar o tom que lhe fez senador em 2018, derrotando “os grandes da política de Sergipe” e os cobiçados institutos de pesquisas. Já deu seu grito de alerta e ameaça romper com a turma do Galeguinho.

Fábio Mittidieri é dentre eles o mais afoito. Não perde tempo. Colocou o time em campo, planeja semanalmente uma série de adesões que lhes convém, faz um alarde programado na imprensa e anuncia estar “pronto” para ser o escolhido.

Já o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, segue retilíneo em sua administração em favor da capital, que o projeta grandiosamente para todo o Estado. Todas as pesquisas de opinião pública encomendadas pelos partidos, por prefeitos municipais e até por quem quer ver de qual lado segue, apontam uma dianteira de mais de 20% de liderança de Edvaldo sobre os demais governistas e até os chamados “candidatos de oposição”.

A tal liderança tem incomodado tanto, não sei se por ciúmes ou por forçação de barra para não vê-lo candidato a governador, que políticos da base governista têm se revesado em declarações à imprensa apoiando um e outro, especialmente à suposta capacidade de aglutinação de Fábio Mitidieri, fazendo com que um deputado aliado chegasse a declarar essa semana que “Edvaldo não pode ser governador por nem conhecer o povoado Mocambo, em Frei Paulo, e por conseguinte o resto do Estado”.

Natural e certamente que o prefeito eleito por quatro vezes em Aracaju e com uma administração aprovada por mais de 70% da população não tem tempo e nem conhece todos os povoados de Sergipe ou parte deles. Precisam saber é o porquê de sua imagem já ser tão aceita e propalada em todo o Estado sem ao menos visitar os quatro cantos de Sergipe.

Conclusão: se Edvaldo não conhece Mocambo, com certeza Mocambo conhece bem Edvaldo, ou pelo cidadão que vem de lá e vê com seus olhos o que se faz em Aracaju ou porque ele mesmo deseja que seu povoado, cidade, município copie a capital e tenha um administrador experiente e capaz para gerir o Estado. Esta é a diferença. Isso é o resultado das pesquisas.

[*] É jornalista, professor de História e pós-graduado em Gestão e Planejamento de Turismo.

 

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