Aparte
Opinião - Mantra de Sukita: “Falem bem, falem mal, mas falem de mim”

[*]  Francisco Emanuel Silva Meneses Alves

Em 2020 escrevi alguns artigos sobre o que poderia acontecer com as pretensões eleitorais de Sukita, o moço de Capela. Acertei em algumas coisas e errei em outras, mas permaneceu de pé o fato de uma política construída a longo prazo através de ataques, frases de efeito e índices da própria cabeça.

Presumi que a campanha eleitoral de Capela ficaria concentrada entre Astrogildo e Silvany. Ponderei o risco de Sukita talvez só conseguir eleger o irmão vereador, numa lista que trazia esse, a irmã de ambos candidata a prefeita em Capela e uma filha do Sukita candidata a vereadora em Aracaju.

A campanha acabou sendo decidida em favor de Silvany, PSC, com 7.378 votos - 39,3% dos válidos - e duramente por uma diferença pequena. Razões? Obras terminadas por ela, relações com servidores públicos, boa relação com parlamentares federais e Governo do Estado no sentido de por obras e ideias em prática, além do apoio e da orientação da federação dos municípios.

Sukita não elegeu nem Clara, nem Isadora e nem Adalto Sukita – naufrágio geral. Apenas sua sogra, a vereadora Josefa, Republicanos, em Capela, logrou êxito nas eleições de 2020. Provavelmente Heleno e Jony, bem Republicanos - antigo PRB -, esperam os 7.040 votos que Sukita conseguiu para sua irmã - 37,25% dos válidos - numa futura eleição estadual.

A Sukita restaram ataques pessoais e tentativas de trazer supostas traições e confusões entre sua vida pessoal e sua atuação política para atacar a candidatura da ex-mulher - essa entrou na justiça para que ele não usasse seu sobrenome de refrigerante bem conhecido para quase que identificar-se completamente com a candidatura da irmã, sempre irmã mas bem neófita em campanhas eleitorais e jogos políticos.

Vale ressaltar que a marca Sukita foi decisiva na primeira eleição de sua ex-mulher, mas em política, como em tudo na vida, algumas coisas mudam e podem não ser mais interessantes. Ele não esperava era provar da derrota pela única força política autônoma a que ele conseguiu dar apoio e vazão: a prefeita Silvany.

Em 2004, o capelense e então jovem candidato a prefeito Sukita, no PSB do senador Valadares, venceu o pleito enfrentando os ex-prefeitos Manuca, PFL, e Carlão, então candidato à reeleição pelo PDT. Já em 2008 Sukita, PSB, venceu Roberto do Boticário, PSC.

Em 2012, ainda pelo PSB, Sukita tentou emplacar como sua sucessora a desembargadora aposentada Josefa Paixão. Naquele pleito, ela foi derrotada por Ezequiel Leite, PR. Em 2016, pelo PTN, Sukita apoiou sua ex-mulher Silvany. Concorrendo contra Astrojildo da Farmácia, então no PMN, Silvany venceu por 9.929 votos contra 8.858 de Astrojildo. 

Nos idos de 2004, Sukita vendia a si mesmo como “o novo” e contava com o apoio de nomes muito variados, como André Moura, Valadares e Marcelo Déda. Aproveitou-se astutamente do fato de ainda serem permitidos showmícios em parte de sua carreira política.

Em 2005 chegou a ser afastado do mandato e concorreu em eleição suplementar contra Chico de Ary, então no PFL. Foram 6.715 votos - 50,89% - contra 6.479 - 49,11%. Em 2006 e 2010 deu expressivas votações a seus parceiros no âmbito estadual e federal, notadamente o ex-senador Antonio Carlos Valadares e o candidato Zé Eduardo, o ex-deputado federal Valadares Filho e os deputados estaduais André Moura e Adelson Barreto. Também deu boas votações ao ex-presidente Lula e a Marcelo Déda em Capela.

Em 2008, venceu um único opositor, vendendo a imagem de imbatível e muito aprovado. Em 2012, levando o ex-governador Marcelo Déda ao seu palanque para apoiar sua candidata, a viu perder para um usineiro ex-vereador fora da política há mais de 20 anos.

Em 2014, Sukita candidatou-se a deputado estadual ainda pelo PSB. Foi muito bem votado, mas não conseguiu ser diplomado devido a questões judiciais - já havia sido preso. Em 2016 candidatou-se a prefeito de Japaratuba pelo PTN, ficando em segundo lugar no pleito com 3.218 votos, perdendo para Lara Moura, PSC.

Em 2016 elegeu sua primeira indicada, Silvany, a época ainda casada com ela. No mesmo pleito, elegeu seu irmão Adaltro Sukita, PTN, vereador mais votado, com 1.190 votos - 6,06% dos válidos -, quase o triplo da votação do último colocado - 458 votos.

Em 2004, Sukita aparece como progressista, inclusive em seu partido, ali o PSB, com o apoio de Valadares e apoiado nas figuras de Lula e Déda durante seus dois mandatos. Após se desligar do PSB, entra no PTN, hoje Podemos, partido pequeno, mas longe de ser progressista e atualmente se encontra no Republicanos, partido extremamente ligado a certos segmentos evangélicos.

Cabe ressaltar que a primeira e única vez em que Sukita conseguiu eleger alguém que candidatou-se à Prefeitura foi exatamente em 2016, quando sua então esposa, com experiência administrativa por já ter sido titular de várias Secretarias nas gestões dele em Capela e detentora de um carisma pessoal e desenvoltura que lhe deram mais possibilidades de eleição do que doutora Josefa em 2012.

Josefa foi juíza em Capela, foi desembargadora e foi secretária na gestão de Sukita também. Mas carisma e jogo de cintura para eleições não se compra enlatado nem surgem instantaneamente. Silvany foi eleita num pleito em que durante boa parte da apuração esteve atrás na contagem.

Popular? Sim. Carismático? Sim. Tem importância eleitoral? Sem dúvida. Pasmem: Sukita nasceu em 1º de abril e isso não é mentira. Não existe imbatível em política, sobretudo quando esse tira teima de força depende de transferência de votos.

Democrático? Nem sempre. Numa eleição para a Presidência da Câmara de Capela, Sukita rendeu impropérios contra André Moura e Ulices Andrade, desferidos contra vereadores aliados do então deputado André e do conselheiro do TCE. Não foi só isso.

Desde a situação que afastou Sukita da Prefeitura em 2005 que ele protagonizou uma série de episódios de ofensas ao Ministério Público e aos Poderes Judiciário e Legislativo, seja pessoalmente seja pelos meios de comunicação. Na sua Mega FM, chegou a dizer que se o então senador Eduardo Amorim ganhasse a primeira eleição que tentou para o Governo de Sergipe - 2014 -, pegaria o cofre do Estado, pintaria de azul, diria que era uma geladeira e levaria pra casa. 

Para se manter sob holofotes, costumou e costuma causar com frases de efeito, entradas triunfais e expressões. Ele é, sem dúvida, irreverente, inconsequente e, por vezes, desesperado. Na campanha a deputado federal apareceu com um helicóptero em 2018, segundo ele uma “ajuda” do ex-presidente Collor, que ele trouxe para a Festa do Mastro de 2019 em Capela.

São expressões suas “Suplente de Deus” e “um sofredor que conhece o outro”. O jovem velho político que apelidara seus adversários de caranguejos e saiu distribuindo cordas desses animais às pessoas da cidade que ele considerou que preferiam ver sua comunidade andar para trás é um caso peculiar de liderança política - tem votos, tem evidência, até consegue ter grupo, mas não consegue ter mandato.

Sua falta de filtro para falar, faz com que até os seus aliados a nível estadual não se exponham a defendê-lo, e tampouco a colocá-lo numa posição de evidência via indicação, tamanho são o constrangimento e o estrago que ele costuma causar.

[*] É fiscal de acesso, poeta e cientista social.

 

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