Aparte
Opinião - Falando de poesia, política e Edvaldo

[*] Rômulo Rodrigues

Começando pela poesia, recorro a um estilo que é marcante nas verves dos poetas da boemia, do sarcasmo, da irreverência e do improviso nas regiões do Seridó e do Oeste potiguar: a glosa, que se destaca por ser derivada de um mote como, por exemplo, “A moça quando diz não, tem nele um sim escondido”.

Recitando versos pelas veredas da política, fui bater de cara com o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, que de tanto dizer que não está pensando na eleição de 2022, escancarou o seu sim da moça donzela ao exibir uma reunião com o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, o presidente estadual do PDT, deputado federal Fabio Henrique e o presidente municipal de Aracaju, secretário de Governo na sua governança, Evandro Galdino.

O mote, que não dá glosa nem aqui e nem no Seridó e Oeste potiguar, foi: “Reunião para tratar da campanha presidencial de Ciro Gomes”.

Ora, pois, em tempos em que a Rede Globo de Televisão tenta ressuscitar cadáveres vivos do extinto “Casseta e Planeta”, na reencarnação de Bussunda, só me resta dizer um fala sério!

Não acredito que caiba na cabeça de alguém que Carlos Lupi tenha vindo a Aracaju para planejar a candidatura de Ciro, na qual nem ele mesmo acredita.

Justo no dia sai uma pesquisa do Instituto Paraná Pesquisa, lá no Ceará, terra onde o Ciro e Cid Gomes se proclamam vices reis, e que dá números decepcionantes para o pré-candidato pedetista.

Os números enterram qualquer pretensão de Ciro ser via de alguma coisa. Lula tem 45,9% das preferências dos votantes, Bolsonaro 19,4% e Ciro, 13,3%, com o agravante da desaprovação de Bolsonaro ser de 67,5% e a aprovação ser 29,8%, o que deixa para o pedetista uma certeza: nem pela via da direita ele será viável.

Como tudo indica que o flerte de Lupi com a Geringonça de Lula é perceptível a olho nu e sem remorso, a vinda dele aqui foi mesmo para posicionar o prefeito Edvaldo Nogueira no tabuleiro da sucessão do governador, num cenário em que tanto um quanto o outro estão se saindo muito bem no enfrentamento da pandemia.

Ocorre que cada eleição é uma eleição, e a de 2022 é uma que já apresenta algumas incógnitas: o governador Belivaldo Chagas ficará até o final do mandato e, aos sessenta e poucos anos, na plenitude da experiência, iniciará o ano de 2023 sem mandato público, a mercê do futuro tabuleiro do jogo da política e aceitar ser subalterno, sendo ele de Simão Dias?

No jogo, quem está traçando bem as cartas é o prefeito Edvaldo, que dá mostras de ser um exímio jogador de pôquer, que se mantém com toda frieza, segura a respiração para não denunciar o que tem em mãos, deixando os ansiosos se precipitarem e serem traídos pelo nervosismo característico de inexperientes em mesa de profissionais.

Edvaldo sabe que tem um sempre citado postulante que não sentará à mesa porque seus interesses empresariais deverão ser afetados, e muito, nos espaços da máquina do Estado e isso não vale a pena.

O que Edvaldo e sua competente equipe de assessores não sabem é que está sendo gestada uma surpresa que poderá baldear a água do imenso reservatório hídrico das eleições majoritárias de Sergipe no ano vindouro.

E não é segredo de polichinelo. É algo real, que em breve vai começar a incomodar os até então senhores dos anéis e propagadores das opiniões publicadas.

Como nos diz o Eclesiastes, é tempo de plantar, mas não é tempo de colher, pois o cenário só será real quando a Geringonça aportar por aqui e, aí sim, parodiando a lógica de Sidarta Gautama, se todos sabem ler, se todos sabem contar, a colheita será de quem souber esperar.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.  

 

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