Aparte
Opinião - Em 2018, como o sergipano votou para o Senado?

[*] Emerson de Sousa Silva

No Brasil, de acordo com o artigo 46 da Constituição Cidadã de 1988, o Senado é composto por 81 senadores, sendo três representações para cada uma das 27 unidades federativas.

Com mandatos de oito anos, as cadeiras de cada uma dessas 27 partições são renovadas de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços.

Em 2018, por causa disso, foram duas as vagas postas para a Câmara Alta brasileira, para as quais se apresentaram 14 concorrentes sergipanos, dos quais apenas 12 tiveram seus pedidos deferidos, a saber:

• O delegado da Polícia Civil Alessandro Vieira, pela Rede Sustentabilidade (REDE).
• O então deputado federal André Moura, pelo Partido Social Cristão (PSC);
• O empresário “Cadu” Silva, pelo Partido Social Liberal (PSL);
• O petroleiro Clarkson Messias, pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU);
• O ex-presidente da OAB em Sergipe, o advogado Henry Clay, pelo Partido Pátria Live (PPL);
• O ex-prefeito de Canindé do São Francisco Heleno Silva, pelo Partido Republicano Brasileiro (PRB);
• O ex-governador Jackson Barreto, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB);
• O professor Jossimário Mick, pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL);
• O servidor público Reynaldo Nunes, pelo Partido Verde (PV);
• O ex-deputado federal Rogério Carvalho, pelo Partido dos Trabalhadores (PT);
• A professora Sonia Meire, também pelo PSOL;
• E, disputando a reeleição, o então senador Antônio Carlos Valadares, pelo Partido Socialista brasileiro (PSB).

Esse cenário coloca Sergipe num patamar próximo ao dos demais Estados do país que, em média, tiveram que escolher entre 13 candidatos.

Outra característica desse pleito foi que, uma vez que o eleitor poderia escolher dois nomes dentre os que se pronunciavam, o total de votos dados era maior do que o eleitorado inscrito em cada Estado.

Dessa forma, em Sergipe, que possuía 1.577.058 eleitores aptos a votar, foram contabilizados 2.559.164 votos para o Senado Federal.

Desses, um somatório de 1.828.084 foram considerados válidos, o que representou 71,4% do total, por outro lado, 539.360 foram anulados (21,1%) e outros 191.720 foram registrados como em branco (7,5%).

Apenas para fins de comparação, em nível nacional, o cômputo de votos válidos para o mandato de senador chegou a 72,9% do volume apurado, enquanto os votos brancos ficaram em 8,9% e o de nulos em 17,9% desse mesmo quantitativo.

Ao final da apuração, Alessandro Vieira, hoje no Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB), com 474.449 votos, e Rogério Carvalho, com 300.247 votos, foram declarados vencedores.

Em terceiro lugar ficou André Moura, atualmente no União Brasil, escolhido por 251.213 eleitores, e em quarto Jackson Barreto, até este momento filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), a quem foi destinado 204.677 votos.

Em suma, esse quarteto acumulou uma massa de 1.230.586 votos, ao passo em que os demais pretendentes amealharam para si uma porção de 597.498 dos votos válidos.

Em termos individualizados, Vieira ficou com 26,0% dos votos; Carvalho, com 16,4%; Moura, com 13,7% e Barreto, com 11,2% e os demais ficaram com os 32,7% restantes.

Ou seja, construiu-se uma situação na qual um terço dos concorrentes abarcou dois terços do somatório dos votos enquanto dois terços desses mesmos aspirantes recebeu um terço dessa mesma totalidade de votos.

Os resultados também mostraram que Vieira ficou entre os dois mais votados em 42 das 75 cidades sergipanas, das quais em 28 ele foi o primeiro colocado e em outras 14, o segundo.

Carvalho, por sua vez, compôs o duo vencedor em 50 municípios, sendo o primeiro em 23 e o segundo em 27. Já Moura triunfa em 29, em 13 liderando e em 16 acolitando o campeão.

Em adição a isso, Valadares ganha em cinco e fica em segundo em duas, Heleno Silva em quatro e duas e Barreto em duas e doze, respectivamente. Já Henry Clay completa essa imagem ocupando a segunda posição em apenas duas cidades.

Focando apenas nos quatro mais votados é possível identificar um cenário multifacetado em que o protagonismo fica por conta de Vieira e Carvalho, com Moura e Barreto assumindo certa coadjuvância.

Sob essa óptica, nas 10 cidades onde recebeu as suas maiores votações, Alessandro Vieira obteve 69% de seu resultado, sendo esse o maior nível de concentração desse quarteto.

Afinal, em seu igual conjunto de cidades, Rogério Carvalho capturou 48% daquele mesmo montante. André Moura 42,2% e Jackson Barreto 43,7%.

E esse perfil de concentração de Vieira fica mais nítido quando se vê que, apenas na capital do estado, o hoje parlamentar tucano conseguiu 40,4% de sua votação. Para fins de comparação, Carvalho o fez em 16,7%, Moura em 12% e Barreto em 14,7%.

Aracaju foi crucial para Vieira. Se, na média, ele recebeu 6.326 votos em cada localidade sergipana, quando a maior cidade do estado sai dessa conta, esse número cai para 3.378 votos.

Com os seus concorrentes a situação não foi tão dramática. Nessa transição, Rogério sai de 4.003 para 3.378 votos, Moura de 3.350 para 2.987 votos e Jackson, até cresce, de 2.279 para 2.360 votos.

Reduzindo ainda mais o enfoque e jogando luzes apenas sobre os dois vencedores – Vieira e Carvalho – há de se descobrir algumas nuanças que permeiam esse embate.

Primeiro, os números mostram que o professor bate o delegado em 41 cidades sergipanas, mas é derrotado pelo mesmo antagonista em outras 34.

Todavia é preciso registrar que, quando ganha do “lavajatista”, o petista o faz com 29,5% de vantagem, porém, quando sobrepujado, esse insucesso se mostra com diferenças da ordem de 57,1%, em média.

De modo análogo, Rogério Carvalho vence André Moura em 49 cidades com uma vantagem média de 35,9% e perde por uma desvantagem média de 27,3%, em 26 municípios.

Alessandro Vieira, por sua vez, vence o ex-líder do governo Temer em 42 localidades, mas com uma dianteira média de 69% e perde em 33 com uma inferioridade de 35,3%.

Saliente-se que ainda existem quatro perfis de conduta para o conjunto das votações desses dois adversários.

No primeiro padrão, que ocorre em 28 municípios de Sergipe, ambos os candidatos se encontravam entre os dois mais votados. Nesse contexto, Vieira aparece estando à frente em 19 dessas localidades.

Com uma votação válida média para o cargo de 24.826 votos, aí estão presentes locais tais como Estância, Nossa Senhora do Socorro e Lagarto.

Na soma de todas essas cidades, os dois postulantes ficaram com 44% dos votos válidos. Em cada um desses redutos eleitorais, na média, Carvalho foi escolhido por 4.697 inscritos e Vieira por outros 6.220.

No segundo, que se dá em 14 cidades, apenas Alessandro Vieira aparece entre os dois mais votados.

Aí estão listadas Aracaju, Itabaiana e Laranjeiras, e suas componentes apresentaram, em média, um montante médio de 49.468 votos para o cargo disputado.

Nelas, os atuais senadores absorveram 46,8% dos votos válidos. Por município, Vieira recebeu uma média de 17.364 votos e Carvalho 5.763 votos.

Por seu turno, o terceiro agrupamento é formado por aqueles lugares nos quais apenas o parlamentar petista conseguiria uma cadeira no Senado Federal.

Com 22 unidades territoriais e votação média para senador de 14.228 votos por município, esse aglomerado tem como principais elementos as terras de Simão Dias, Nossa Senhora da Glória e Canindé do São Francisco.

Ali, em valores médios, Alessandro Vieira serviu de opção para 1.984 votantes, enquanto Rogério Carvalho apresentou-se como depósito para 3.020 eleitores por cidade.

Por fim, a quarta tendência foi aquela na qual nenhum desses dois teria sido eleito. Nesse rol de 11 localidades, com votação válida média de 21.090 votos, estão paragens como Poço Redondo, Poço Verde e Frei Paulo.

Alessandro Vieira saiu-se, por essas regiões, com uma votação municipal média de 1.232 votos e Rogério Carvalho com outra de 1.964 votos.

Dependesse somente desses colégios eleitorais, os senadores por Sergipe seriam André Moura e Jackson Barreto, que, nesses lugares, arrebanharam para si 39,3% dos votos válidos.

E, basicamente, esse foi o mosaico desenhado pelo eleitor sergipano para o mandato de senador da República no ano de 2018.

[*] É doutor em Administração e mestre em Economia.

 

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