Aparte
Opinião - Duas mortes pautaram a semana

[*] Rômulo Rodrigues

A semana que se encaminha para um final decisivo para o Brasil, onde em Aracaju e outras capitais e grandes cidades há eleições, foi sacudida por duas notícias de mortes que não só abalaram o ambiente político, como o sentimental global, que foram as de João Alves Filho e de Diego Armando Maradona.

João Alves, com seus 79 anos, era de se esperar devido ao agravamento progressivo do Mal de Alzheimer e da contaminação final pela Covid-19.
João, chapéu de couro, Negão como era carinhosamente chamado por seus admiradores nas campanhas eleitorais, está sendo reverenciado em todo o Estado de Sergipe, e com justíssimas razões. 

Já escrevi em outras mal traçadas linhas que, após João de Seixas Dórea, Sergipe foi contemplado por três líderes que se destacaram dos demais. Aliás, foram absolutos, e viveram em um mesmo tempo.
João, sendo ungido como prefeito biônico na ditadura militar, soube aproveitar as circunstâncias de empréstimos abundantes para endividar o Brasil e torná-lo dependente, fez o que era sua vocação pessoal e profissional - bem na cartilha do coronel Mário Andreazza: obras, obras e mais obras, derrubando obstáculos a qualquer preço.

Merece todas as homenagens? Merece sim! Foi um Juscelino de um Estado pequeno e soube exercer seu populismo de direita, como ninguém. Seu ponto mais alto como líder se deu em 1998 quando foi armada uma arapuca para tirá-lo de cena, num acordo torto, juntando os grupos de Albano Franco e Jackson Barreto, o que causou enorme estardalhaço.

João, ao ser isolado, juntou seus abnegados aliados e seguidores e seguiu em frente, levando a eleição de governador para um segundo turno, onde foi derrotado, mas elegeu Maria do Carmo senadora.

Um momento destacado que vivi com o Dr. João foi na greve da Petromisa, 1986, quando, ao lado do prefeito Jackson Barreto, fomos às 6h da manhã tomar café no Palácio de Veraneio quando ele, de viagem para Brasília, nos recebeu, prometeu interferir no processo em favor dos trabalhadores e cumpriu.

Também já destaquei como líder inconteste de Sergipe o atual ex-governador Jackson Barreto,  e que em sua trajetória teve momentos em que soube liderar seu povo e conquistar grandes vitórias.
Como acredito que "quem irá dizer que não existe razão nas coisas ditas pelo coração", jamais poderia fechar a porta das lembranças sem colocar em destaque, no panteão, o grande e eterno Marcelo Déda, que deixou pactuado para Sergipe que governar é decidir com o povo, no projeto desenvolvimentista com participação popular. Foi o maior líder popular do Estado de Sergipe.

Mas, eis que, em menos de 24 horas da partida do Dr. João, no dia em que fez aniversário da morte do comandante Fidel Castro, parte o seu grande amigo, amigo de Lula, amigo de Chaves, admirador inconteste de Che Guevara, amigo do povo do Brasil, do povo de Cuba, do povo da Venezuela e de todos os povos da América Latina: Diego Armando Maradona.

Diego Maradona foi um dos monstros sagrados do futebol de todos os tempos. Não vou cair no lugar comum de comparar quem foi melhor, se  ele ou Pelé. Isso não cabe no meu quesito inteligência.

Digo, com toda convicção: o que Dieguito escreveu com os pés, nem Pelé, nem Romário, nem Ronaldo, nem Ronaldinho Gaúcho, nem Neymar e nem todos os jogadores de futebol reacionários que negam suas origens, escreveram e escreverão com as mãos.

Dias antes de morrer, sabendo da intenção do presidente argentino de taxar as grandes fortunas, como homem íntegro não titubeou e mandou mensagem dizendo que o presidente podia começar taxando a sua fortuna.

A morte de Maradona causou comoção no mundo do futebol e além do futebol. Ele era um líder político mundial respeitado. Duas homenagens atestam isso: o acender dos holofotes do estádio do Nápoles, Itália, e os mais de um milhão de compatriotas que foram lhe dar adeus.
Armando Diego Maradona! Presente!

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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