Aparte
Opinião - Eleições da OAB/SE 2021: o novo, o velho e o grito

[*] Gustavo Machado de Sales e Silva 

Em 16 de novembro de 2021, próxima terça-feira, mais uma vez a advocacia sergipana irá às urnas para eleger seus representantes junto à Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Sergipe. Também mais uma vez, encontramos na arena do debate público o confronto entre o novo fazer e o velho manter.

Uma terceira repetição que a advocacia sergipana encontra neste momento, contudo, impõe a toda a classe uma reflexão: o grupo que hoje ocupa a OAB/SE repete de maneira assombrosa as mesmas promessas e propostas que vem reeditando em campanhas passadas.

Ao observador que tudo presencia de maneira atenta, uma conclusão nos é comum: a OAB/SE é uma instituição que está parada no tempo. Perdeu-se em alguma curva ao longo de sua estrada institucional e possui como maior - e, porque não: único - projeto de Ordem a manutenção do seu grupo no poder.

Infelizmente, essa é a estratégia de campanha que vemos no agrupamento que busca a reeleição: repetem-se as propostas e, quando indagados sobre sua inaptidão em cumprir os compromissos que firmaram com a advocacia sergipana, fazem ouvidos de mercador e, como se tal questionamento não fosse legítimo, aumentam o volume sonoro de sua campanha até não se ouvir mais quaisquer questionamentos. Mas esta estratégia cansou, como mostra-se cansada esta gestão atual da OAB/SE.

Não podemos deixar prevalecer uma campanha que, não optando por prestar contas de sua gestão em uma campanha à sua sucessão, escolhe a estratégia de tentar vencer no grito.Essa é a reta final desta disputa e, na data que escrevo este opinativo, em completo desdenho ao direito de todos nós advogados de ver uma real prestação de contas quanto a toda uma gestão, o candidato à reeleição Inácio Krauss, em debate com seu adversário, Danniel Costa, furta-se a responder de maneira clara o questionamento básico a todo candidato que busque a sua recondução ao cargo: por que a quase integralidade das suas propostas de campanha em 2018, compromissos de gestão que firmou, não foi cumprida?

A resposta oscila entre responsabilizar genericamente a pandemia da Covid-19 por todo e qualquer compromisso que não cumpriu, ou então afirma que este período de crise sanitária importou em novas propostas. Em ambas as respostas, não podemos nos furtar de apontar que a negligência com os compromissos que fez, compromissos que embasou cada um dos apoios que lhe levou à vitória, é também uma falta de compromisso com a advocacia sergipana. Especialmente com quem lhe confiou o voto em 2018.

A pompa e a celebração com que o grupo reedita suas propostas de pleitos passados, não nos enganemos, é mais uma tentativa de, no grito, ocultar um vasto e vexatório cemitério de compromissos e promessas. Uma verdadeira ofensa ao discernimento do eleitor: em plenas eleições para a OAB/SE, um dos grupos concorrentes aposta na desinformação, empreendendo toda uma perfumaria propagandística sobre um deserto de realizações.

Nessa estratégia, a jovem advocacia tem um papel central: aposta no grande número de jovens advogados não para nos tratar com a relevância que temos na força da advocacia sergipana, mas sim para, em função do ainda breve tempo de vivência nas fileiras da advocacia, tentar ocultar de nós um histórico de decepções e abandonos que, sistematicamente, vem ocorrendo ano após ano, eleição após eleição.

E aqui volto ao título do texto: o resultado da eleição pela OAB/SE não será ganho no grito. A verdade, filha do tempo, jamais sucumbirá à voz da autoridade. Por isso, neste pleito pela OAB/SE em 2021, toda a advocacia deve conhecer não só as propostas e ideias que estão em jogo neste momento, mas quem se propõe a executá-las.Deve conhecer qual projeto contém participação ativa dos jovens na sua condução e em qual grupo a jovem advocacia é tida na gestão apenas como soldados de eterna primeira patente. Não podemos aceitar por mais uma gestão um projeto que tenta varrer para debaixo do tapete seu deserto de decepções, seu histórico de abandonos e descaso para com os compromissos que assumiu.

No dia 16 de novembro teremos a chance de ter a jovem advocacia na vanguarda dos destinos da OAB/SE, atuando de forma harmônica com os colegas mais experientes, que também abraçaram o projeto da mudança, e dão respaldo a um movimento que surgiu pequeno, mas cresceu e ganhou enormes proporções junto à advocacia sergipana. Por isso, nestas eleições para a OAB/SE, meu voto é pela retomada do protagonismo da nossa entidade. É pela abertura das portas de sua sede para os milhares de jovens advogados que não aceitam mais uma OAB/SE omissa.

Dado o grande número de jovens advogados, é necessário um passo mais ousado pela nossa participação, o que começa pela renovação daqueles que mantêm a OAB/SE distante de nossa realidade. É a hora, nas palavras de Caetano Veloso, dos jovens que possuem a coragem de sempre, pedir licença, mas nunca deixar de entrar.Assim, por um projeto onde o jovem advogado seja protagonista, por um novo modo de fazer gestão na OAB/SE, pelo restabelecimento da dignidade e protagonismo de nossa instituição e o início de uma nova história, construímos esse projeto de oposição, a Chapa 2, como alternativa ao que aí está.

E é por isso, por esta mudança que, dia 16 de novembro de 2021, nas eleições da OAB/SE, a advocacia sergipana dará importante passo para a correção dos rumos de nossa Ordem e retomada do seu protagonismo, elegendo a Chapa 2, representada pelo candidato a presidente Danniel Costa e a vice Letícia Mothé. 

[*] É jovem advogado com atuação na área de Direito Público, candidato à vaga no Conselho Seccional da OAB/SE pela Chapa 2.

 

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