Aparte
Luciana Nunes: “Não basta impedir reeleição de Bolsonaro. É preciso frear o bolsonarismo e a necropolítica”

Luciana Nunes: visão dura sobre dimensão da direta e defesa de formação de bloco de esquerdas

“Entendemos que o nosso projeto programático para eleições deve estar voltado a atender necessidades da maioria da população e, por isso, deve ser construído de forma ampla, com a participação dos movimentos sociais, intelectuais e demais partidos de esquerda”.

Essa é a posição do PSOL, através da advogada e nova secretária de Mulheres do Diretório de Aracaju, Luciana Nunes. Ela disse isso em entrevista exclusiva para a Coluna Aparte e falava em relação ao projeto da sigla para as próximas eleições.

Segundo Luciana Nunes, isso será possível com a defesa de um programa que tenha como pontos de partida a revogação de medidas e contrarreformas do que ela chama de pós-golpe de 2016 e apontem outro modelo de desenvolvimento. 

“Portanto, que implique numa mudança do modelo econômico, na retomada dos direitos trabalhistas e previdenciários, na proteção das empresas públicas e do funcionalismo, na ampliação de investimentos nas áreas sociais, na retomada das políticas de proteção ambiental, no fim do desmatamento, na demarcação das terras indígenas”, especifica a secretária.

“Pautamos também um modelo de desenvolvimento com transição na matriz energética e no modal dos transportes; reforma agrária popular e agroecológica, democratização das instituições de Estado - Forças Armadas, Poder Judiciário, etc -, democratização do direito à comunicação, afirmação dos direitos das mulheres, negros e negras, LGBTs, pessoas com deficiência, etc”, completa.

Para Luciana Nunes, esse posicionamento passa também por um projeto nacional de geração de empregos, reforma tributária progressiva, plano nacional de segurança pública cidadã com respeito aos direitos humanos, democratização do poder com ampliação da participação popular, recuperação da soberania nacional com controle público sobre e setores estratégicos. 

“E, sobretudo, reivindicamos uma radicalização da democracia, combinando formas representativas e participativas de deliberação cidadã, descentralizando o poder e pensando o Estado como representação de uma nova relação de forças que expresse os interesses dos que vivem do trabalho e não aceitam que a tecnocracia determine os rumos do país”, detalha Luciana Nunes.

Questionada sobre se o PSOL pretende promover alguma mudança ideológica para atingir esse novo patamar, ela afirma que o partido se colocou como alternativa plausível de esquerda e isso tem se refletido no incremento das filiações e na eleição de suas lideranças negras, de mulheres, de pessoas LGBT e da juventude para as casas legislativas em todo Brasil já em 2022. 

“Em Aracaju, tal como vem ocorrendo no cenário nacional, o partido cresceu e obtivemos um resultado eleitoral importante com a eleição de Linda Brasil, mulher trans e vereadora mais votada para a Câmara de Aracaju, além da expressiva votação obtida pela Professora Sônia Meire, oitava mais votada e que se encontra como suplente”, ressalta Luciana.

A dirigente avalia que esse momento é resultado da coerência das escolhas políticas do partido, principalmente durante a pandemia - “quando não titubeamos em ocupar as ruas para pautar, com prioridade, o fora Bolsonaro, a exigência por uma ampla campanha de vacinação e a necessidade de auxílio emergencial digno para a população em vulnerabilidade”.

“No mais, seguimos denunciando a ideia equivocada de Estado mínimo, a política neoliberal de Paulo Guedes, as privatizações e o entreguismo das nossas riquezas, o desarranjo econômico provocado pela financeirização, bem como a desigualdade social, a criminalização da política, a violência contra as lideranças de esquerda e contra a juventude preta nas periferias”, diz ela.

Ou seja, ideologicamente, pondera Luciana Nunes, o partido tem reafirmado o compromisso com a construção de um país inclusivo, justo e igualitário. “E assim pensamos para o nosso Estado e para a nossa Aracaju, fazendo a defesa de um programa voltado para a maioria, que atenda às reivindicações do povo explorado”, assegura Nunes. 

“Neste último Congresso, o partido também deliberou resoluções acerca da conjuntura política nacional e local. Elas apontaram que a prioridade tática é derrotar a extrema-direita”, revela. Para isso, segundo Luciana, é preciso continuar mobilizando a população a ocupar as ruas e a lutar pelo impeachment de Bolsonaro. 

“Entendemos que a permanência de Bolsonaro no poder representa mais sofrimento, miséria, ataques aos direitos e ameaça às liberdades democráticas. Por isso não basta impedir a reeleição de Bolsonaro. É preciso frear o bolsonarismo e sua necropolítica”, reitera. 

Isso porque, para Luciana, o negacionismo e a falta de assertividade na condução da pandemia são responsáveis pela morte de mais de 600 mil brasileiros. “Para além do luto, o Brasil voltou ao mapa da fome, a inflação voltou a ser realidade, o desemprego é altíssimo e, a cada dia, o trabalho precarizado é a única alternativa para a classe trabalhadora”, avalia. 

Por isso, e ciente dos desafios que estão postos nesse ano que antecede as eleições de 2022, o PSOL, segundo ela, está aberto para dialogar sobre a formação de uma frente política que unifique a esquerda brasileira e que tenha como base um eixo programático que atenda às demandas da classe trabalhadora e de todo povo oprimido. 

“Ou seja, o PSOL entende que, para tirar o país da crise, precisaremos de um programa que se comprometa com mudanças estruturais para o Brasil, com a construção da unidade de esquerda. Contudo, há dificuldades a serem superadas para tornar viável essa construção, em virtude da política de Belivaldo Chagas à frente do governo estadual”, pondera Luciana Nunes, referindo-se ao alinhamento do Governo com o grande empresariado.

“E, enquanto o PT mantiver sua posição por um programa de conciliação com o grande capital e alianças com partidos do governo, o PSOL tem o dever e a legitimidade de apresentar uma candidatura de esquerda para o Governo de Sergipe nas eleições 2022, buscando ampliar o diálogo com os demais partidos de esquerda”, assegura.

A ideia, segundo a dirigente, é a de formar um bloco histórico para construir mudanças estruturais para o Estado, reunindo, por exemplo, entidades como CUT, MTST, Afronte, Fórum de Entidades Negras, Fórum de Mulheres e Movimento Tudo para Todos.

“A unidade desses setores é fundamental, como vimos nos atos unitários desde o início da pandemia. De qualquer maneira, o certo é que, até as próximas eleições, seguiremos avaliando o cenário e manteremos aberto o diálogo, cientes de que precisamos aprofundar o calendário de lutas e manter firme a mobilização pelo impeachment de Bolsonaro”, reitera. 

 

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