Aparte
Opinião - Perdas e danos. Ou, esse não é o país que nós queremos

[*] Adalberto Vasconcelos Andrade

No início de 2918 a Rede Globo lançou a campanha “Que país você quer para o futuro?”, creio que visando as eleições daquele ano para presidente da República, governador, senador, deputados federal e estadual.

Talvez com a intenção de fomentar o pertencimento das pessoas aos locais onde vivem, através dos vídeos-selfie que eram divulgados ao longo da programação. Ali naquela campanha, muitos brasileiros anônimos tiveram os seus 15 segundos de fama.

Mas daí eu pergunto: o que melhorou de lá para cá? Difícil saber. Mas é possível constar que houve mais perdas do que ganhos, principalmente para a classe trabalhador. E isso bem antes da pandemia da Covid-19 invadir o mundo com seu vírus cruel.

Por isso vou limitar meus comentários, fazendo uma breve retrospectiva do que aconteceu de ruim na vida de milhões de brasileiros. Senão, vejamos.

Foram três reformas aprovadas pelo Congresso Nacional - a Trabalhista, a da Previdência e da polêmica Lei da Terceirização -, e mais uma está a caminho: a Reforma Administrativa.

Essa, com certeza, irá penalizar ainda mais os servidores públicos, que estão há oito anos sem reposição salarial, com sua estabilidade funcional comprometida - as privatizações estão aí -, principalmente os servidores vinculados ao Poder Executivo, seja em âmbito federal ou estadual.

O efeito dominó parte de Brasília, passa pelos Estados e municípios, e vai desembocar no bolso do trabalhador, que só conhece perdas a cada reforma aprovada pelos que se dizem nossos representantes.

A primeira pancada veio com a Reforma Trabalhista - Lei 13.467/17 -, ainda no Governo de Michel Temer. Na época, o governo chegou a falar em dois milhões de vagas em dois anos, e seis milhões em dez anos. 

O saldo de vagas com carteira assinada entre outubro de 2017 e setembro de 2019 foi de 961 mil, de acordo com a Caged - Cadastro Geral de  Empregados e Desempregados -, do Ministério da Economia.
Dessas vagas, 762 mil foram abertas em 2019. O fato é que a Reforma completou quatro anos e não gerou o boom de empregos prometidos.

Hoje, o que vemos é um exército de quase 14 milhões de desempregados, a taxa de informalidade subir para 40% da população ocupada no trimestre finalizado em maio deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, cuja pesquisa foi publicada  em 30/07/21. Sem contar com os desalentados.

Com relação a Reforma da Previdência - Emenda Constitucional n° 103/19 -, eu endosso as palavras do economista e deputado federal Enio José Verri, vice-líder do PT na Câmara: “Essa Reforma só tem um destinatário: tirar direitos daqueles que menos ganham”.

E ele disse mais: “E só tem três beneficiários: os empresários, os banqueiros e o Governo Federal. Sobre esse discurso, sobre esse “canto da sereia”, nós vamos combater privilégios? Comece a cortar nossos benefícios, daqueles que mais ganham, daqueles que têm super salários, dos ministros. Por que começar a cortar justamente do pobre? Nós estamos numa Casa composta por homens brancos, ricos, decidindo a vida daqueles que não tem vez nem voz”. 

Em suma, com esse “pacote de maldades” nossos congressistas conseguiram desmantelar tudo o que se construiu em termos de direitos sociais nos últimos 50 anos e, no caso dos direitos trabalhistas, em mais de 70 anos.

Importante destacar que isso tudo aconteceu antes da pandemia do Covid-19. Com ela, só fez aumentar o drama vivido pela classe trabalhadora, os pequenos e médios empresários. 

Para finalizar, acho que não fui infeliz na escolha do título, porque para o povo brasileiro só houve “perdas e danos”. E com certeza esse não é o país que nós queremos, tampouco o desejamos para as futuras gerações.

[*] É administrador de empresas, policial rodoviário federal aposentado, escritor e colaborador efetivo do Portal JLPolítica.

 

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