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Ironia: Jackson Barreto pode garantir um quarto mandato de senador a um (novo) Valadares

Valadares Filho: sai da zona das chinfras de JB para a do afago

Entre tantos outros condimentos, a política é feita também de ironias. E está sendo encarada como uma fina ironia a possibilidade de que o ex-governador Jackson Barreto, MDB, possa vir a estar na raiz de um eventual mandato de senador de Valadares Filho, PSB, a ser conquistado nas eleições deste ano.

A ironia estaria no fato de que de 2016 para cá Jackson Barreto está também na raiz, como um adubo forte, das três derrotas de Valadares Filho - a prefeito de Aracaju em 2016, a governador de Sergipe em 2018 e a vice-prefeito de Aracaju em 2020.

E mais um pouquinho, mas em dose mais alta: JB está na cepa da derrota de Valadares pai, quando esse tentava se reeleger para o quarto mandato de senador em 2018. Ficou em quinto lugar, um atrás do próprio JB, que chegou em quarto.   

Mas, numa ironia reversa, JB está também na base dos três mandatos de senador do Vavazão pai.

1 - Em 1994, disputava o mandato de governador, quando Valadares e José Eduardo Dutra passaram pro Senado e ele perdeu para Albano.

2 - Em 2002, JB disputava mandato de deputado federal - foi o mais votado - numa aliança em que Valadares se reelegeu senador apoiando a candidatura de José Eduardo Dutra ao Governo de Sergipe e a de Lula à Presidência e

3 - Em 2010, JB estava candidato a vice-governador ao lado de Marcelo Déda quando Vavazão, dando sopapos tenebrosos em seu colega de chapa Eduardo Amorim, PSDB, subiu ao céu do Senado pela terceira vez, ainda que em segundo lugar.

De modo que JB e os Valadares já trocaram trombadas perigosas. Do rompimento de Jackson Barreto com Belivaldo Chagas, no entanto, renasce a flor da afeição entre eles.

E a ironia de que trata esse texto vem do fato de que, para alguns, Vavazinho passou de competitivo a competitivíssimo e moeda mais do que forte exatamente por essa vinda de JB, que viabilizaria não somente a candidatura de Rogério.  

A tese central é de que na configuração das pré-candidaturas postas aí, Laércio Oliveira e Danielle Garcia rachariam o voto mais de centro-direita e conservador, e Valadares Filho ficaria sozinho no universo da centro-esquerda e dos progressistas no sentido etimológico mesmo da palavra. JB, Lula e Rogério o ajudariam a judiar dos demais. 

Não é uma tese abusada ou forçosa. É real e difusa nas opiniões de diversas observadores. E mais redondo de tudo isso é que JB e Vavazinho não se bicaram quando se viram recentemente no centro de uma mesma rinha. Ambos se atracaram com o pragmatismo e mandam cravos vermelho um pro outro.

E isso a seguir aqui agora não é tese geral. É desta coluna: Jackson ainda tem carisma e poder político. Não é gracioso dizer que os 205 mil votos obtidos por ele para um quarto lugar na disputa ao Senado são genuinamente dele.

Não é gracioso dizer que aqueles 205 mil votos valem tanto ou mais do que valem os 474 mil dados a Alessandro Vieira, o campeão de 2018 impulsionado pelo MBL, pela internet profunda ou por uma confusão de conceitos sobre quem exatamente era Vieira e que o torna hoje um senador crivadíssimo por rejeição, apesar da boa atuação técnica dele no Senado.

Sem mais delongas, se os afagos de JB em Vavazinho passarem um pouquinho além da epiderme, pode ter-se materializada a ironia de vê-lo senador. E talvez Jackson aposenta assim o telefonezão amarelo das últimas ironias contra esse político.

 

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