Aparte
Opinião - Doze meses de pandemia e milhares de desempregados

[*] Marcio Souza

Após três meses e várias discussões, o Governo Federal edita a Medida Provisória que traz de volta o pagamento do auxílio emergencial. Agora com valores e prazos menores.

Além disso, haverá redução também no número de atendidos. Saindo dos 68 milhões para 45,6 milhões de pessoas que terão direito a receber. Mas é um alento para milhões de brasileiros que se veem sem alimento na mesa. 

É inegável que o país necessitava da volta desse auxílio. São 12 meses de pandemia que resultaram em milhares de desempregados e milhões de pessoas sem poder trabalhar direito. Um impacto que só daqui um tempo teremos a real noção.

O benefício terá valores entre R$ 150 para solteiros, R$ 250 para casados e R$ 375 para mães que são provedoras de sua família.

Na soma total de todos que poderão receber o auxílio, o governo fará uma nova injeção de R$ 44 bilhões. Valor abaixo do que a população esperava, mas suficiente para fazer a economia voltar a girar.

Após o fim do primeiro auxílio e com o abrupto aumento nos casos do Covid-19, vários setores sentiram o impacto da ausência deste dinheiro, o que resultou em novos negócios fechando as portas, gerando mais desemprego e queda na renda.

Apesar de terem sido três meses de discussões e embates políticos para ao retorno do pagamento, as maiores incertezas estão nos impactos na economia do país e no respeito ao teto de gastos - regra constitucional que limita o aumento das despesas - do Governo Federal.

A saída encontrada foi a aprovação de uma PEC emergencial que permite ao governo fazer este novo gasto, passando-o por fora do teto de gastos e, como a PEC foi bastante desidrata, dados do Palácio do Planalto dizem que não há previsão do governo ultrapassar o limite prudencial pelo menos nos próximos três anos, uma notícia que gera certo alívio.

Mas então o que pode haver de ruim nisso? Para explicar de uma forma prática - mais dinheiro, mais gastos, inflação a vista.

Como esse dinheiro vem em um momento de extrema necessidade, dificilmente haverá quem poupe, além de o valor individual ser baixo, nossa população não tem como comportamento o ato de poupar dinheiro.

Então o esperado é que estes R$ 44 bilhões entrem e circulem na economia. Via de regra, mais consumo gera alta nos preços e o país já vive um momento de elevação na curva de juros futuros - estimativa da taxa de juros para um dado período no futuro - e fortes altas, especialmente em produtos de consumo diário, como a gasolina, gás de cozinha, carne e outros itens da cesta básica.

E o medo de termos uma inflação fora de controle já fez o Banco Central reagir, elevando nossa taxa básica - a Selic – para 2,75% ao ano. Uma elevação de 75bp, algo que não acontecia há quase seis anos no país.

Este temor tomou conta do mercado financeiro que reagiu com fortes quedas nas cotações das ações de grandes empresas e principalmente nas estatais neste ano e, seguem cautelosos com os próximos capítulos da batalha do governo com as questões políticas e de combate a pandemia.

Uma notícia muito importante que pode resolver grande parte de toda esta problemática foi a de que a Fundação Oswaldo Cruz realizou uma cerimônia de entrega ao Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde do primeiro lote de vacinas Covid-19 produzidas na instituição.

Soma-se a esta mais uma bela notícia: o Governo Federal assinou contrato de compra de 138 milhões de doses das vacinas da Pfizer e Janssen.

Esta era a medida que todos aguardavam, pois sem a vacinação não há previsão de reabertura da economia como, de fato, precisamos.

Somente com a população protegida, teremos o retorno das atividades com desejamos e tanto aguardamos.

Por fim, ficamos na esperança de que as medidas de incentivos financeiros do governo, as medidas de proteção aos gastos e controle da inflação, somados ainda com uma vacinação em massa, traga o mais rápido possível o pleno funcionamento da economia, fazendo o país voltar a funcionar a todo vapor e a população voltar a produzir e fazer o país prosperar.

[*] É consultor financeiro.

 

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