Aparte
Opinião – Uma história de desenvolvimento industrial que passa por Estância

[*] Ivan Leite

A Ford está fechando as portas em vários continentes, em várias regiões e na nossa querida vizinha Bahia. Fará falta? Foi útil enquanto funcionava? Sim e sim. 

Até aqui em Sergipe sentiremos os seus efeitos diretamente pelo provável e consequente fechamento de um dos seus fornecedores de parte elétrica.  

O empresário que não tem vínculos pessoais e emocionais diretamente com a localização onde implantará a sua fábrica, certamente buscará situá-la onde ela tenha melhor condição de lhe proporcionar bons resultados. 

A conquista da vinda da Brahma para Sergipe foi e é um case de sucesso. Sua implantação iniciou-se como fruto posterior a um importantíssimo e grande seminário em plena Avenida Paulista, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp. 

À época eu era secretário de Estado da Indústria, Comércio e Turismo do Governo do nacionalmente prestigiado ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria - CNI - e governador de Sergipe, Albano Franco. 

Convencê-lo a realizar este evento foi tarefa fácil, pela sua vivência e pelo espírito desenvolvimentista que sempre trouxe consigo. Foram centenas de participantes, representando expressiva fatia do Produto Interno Bruto nacional. 

Posteriormente, foi feita a vinda em jatinho dos diretores da Brahma para conhecer in loco em Sergipe o que havíamos apresentado em fotos e palavras lá em São Paulo, e foi a primeira batalha vencida. 

A Brahma tinha um desejo de aumentar sua produção no Nordeste e estava, em princípio, em dúvida entre dois Estados - a Bahia e o Pernambuco. 

O nosso querido e pequenino Sergipe tinha algo próximo de zero de chance de ser o escolhido. Estavam praticamente fazendo uma deferência de cortesia determinada pelo seu presidente. 

Marcaram como data da visita o 12 de outubro de 1995 - feriado nacional. Antes tinham solicitado que enviássemos cinco alternativas locacionais entre Aracaju e Propriá. 

Atendi parcialmente, mandando quatro – o terreno da Infraero no entorno do Aeroporto, o Platô de Neópolis, o Distrito Industrial de Própria, e Cruz da Donzela, na BR-101, nas proximidades de Japaratuba - dentro do solicitado, e a quinta e extra foi Estância. 

A resposta foi que iriam olhar apenas os quatro primeiros. Sequer viriam a Estância. O que eu poderia fazer? Desistir? De jeito nenhum! Deixei um helicóptero à disposição em Aracaju e fiquei aguardando em Estância.

Então eles tiveram que vir me buscar onde eu estava. O pouso do helicóptero no campo de futebol da Fábrica Santa Cruz foi uma festa, centenas de pessoas acorreram para assistir. 

Obviamente com os executivos da Brahma aqui estando, aproveitei para expor nossa potencialidade: água, energia elétrica, gás natural, estrada, BR-101, população trabalhadora com tradição operária, Senai, proximidade do aeroporto, proximidade do mercado baiano e não tão distante do alagoano e pernambucano - tudo isso ok.

Enfim tínhamos e temos todos os atrativos para implantação de uma grande indústria, e eles não queriam antes sequer conhecer. Conheceram e gostaram. 

Têm outras etapas pitorescas que poderei contar em outro relato, como a moça do riacho Águas Claras, a camisa do garçom do Restaurante de Dona Lúcia, a capa do cardápio, o terreno da Igreja, o caminhão de chopp, e...!

Mas, concluindo o texto, a Brahma veio para Estancia em 1996. A Crown, fábrica de latas para cervejas e refrigerantes, foi a primeira a vir por consequência dela. A IVN - Indústria Vidreira do Nordeste -, a segunda a vir juntamente com a Jundu Mineradora, que lhe fornece matéria-prima e fabrica garrafas de vidro para cerveja, as quais geram diretamente centenas de empregos e milhares por decorrência.

Sinto-me um tanto quanto pai destas indústrias e grato ao governador Albano Franco por ter me proporcionado a oportunidade de ser seu parceiro na conquista inicial como secretário de Indústria, Comércio e Turismo. 

Hoje parabenizo o governador Belivaldo Chagas por ter viabilizado recentemente mecanismos de continuação da Brahma - atualmente Ambev -, em Sergipe, inclusive com uma ampliação muito expressiva. Enfim, o leite aqui não derramou. Faria falta, muita falta, se fosse deixado fechar. 

[*] É engenheiro, empresário do setor elétrico e foi deputado estadual, secretário de Estado da Indústria, Comércio e Turismo e prefeito de Estância.

 

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