Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Sucessão 2022: das bandas de Ulices Andrade armam-se queixas profundas contra Edvaldo Nogueira
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Edvaldo Nogueira: o que lidera as pesquisas, mas que acende divergências

Numa visada geral dos bastidores dos que fazem política no grupo liderado pelo governador Belivaldo Chagas, PSD, à primeira vista há quem diga haver uma unidade, um consenso, entre os aspirantes a candidato ao Governo de Sergipe no ano que vem, como Edvaldo Nogueira, PDT, Fábio Mitidieri, PSD, Laércio Oliveira, PP, e Ulices Andrade, sem partido - esse é conselheiro do Tribunal de Contas e o mais silente de todos. Silente em ação e fala.

Mas não é bem assim e não há bem um consenso. Ao contrário, há desavenças, insatisfações, discórdias. Birras germinando. A esta Coluna Aparte, uma fonte bastante ligada exatamente ao conselheiro Ulices Andrade exibe profundas queixas, por exemplo, contra o modo de ser e de fazer política do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, dentro do grupo. Edvaldo é justamente o que tem recebido os melhores índices de intenção de votos da parte dos sergipanos nas pesquisas eleitorais feitas até agora.

“Edvaldo Nogueira não cumpre o que acerta e não se relaciona bem com as lideranças políticas do Estado. O que se pode dizer é que Edvaldo Nogueira é, politicamente, um péssimo companheiro. Veja: ele é um bom administrador, mas, politicamente falando, há possibilidade de se for Edvaldo Nogueira o candidato indicado ao Governo muita gente do interior não acompanhá-lo”, afirma a fonte, uma quase alter ego de Ulices Andrade.

Essa fonte aponta, por exemplo, que no secretariado de Edvaldo Nogueira não tem um só nome indicado por nenhuma outra liderança política do grupão. “Edvaldo é muito individualista. É todo mundo da escolha pessoal dele. Para refrescar a memória: a SMTT, que equivale a uma Secretaria Municipal, é de Edvaldo. A Emsurb, de Edvaldo. A Emurb, é de Edvaldo. A Saúde, Edvaldo. A Fazenda, Edvaldo. Que nos digam aonde é que tem um secretário da gestão de Aracaju indicado por um aliado de Edvaldo!”, reforça o, ou a, informante de Aparte.

E aqui, apela. “Vale lembrar aqui com profundo significado e simbologia: qual é o espaço que Edvaldo deu ou dá à vice-prefeita de Aracaju Katarina Feitoza? Ora, a coisa é séria: nem a Katarina ele concedeu nada. Ele deveria ter dado algo à vice-prefeita. Mas nem a ela ele deu”, diz.

“Se nem a Katarina ele prestigia, como ele quer ter espaço nesse grupo? Ou seja, essa é a prova cabal de que não tem companheirismo em Edvaldo Nogueira. É somente ele e ele. E é bom lembrar que o reinado político de Edvaldo Nogueira fica aqui em Aracaju, Socorro, São Cristóvão e Barra dos Coqueiros. Daí para adiante, a turma não quer ele não. De jeito nenhum. Saindo da Grande Aracaju, ele só tem voto em Pão de Açúcar, Alagoas. E aí não conta”, ironiza a fonte.

Observe-se: Pão de Açúcar é a cidade na qual Edvaldo nasceu em 25 de janeiro de 1961, sobreviveu ao coronel Elísio Maia como Jesus e as demais crianças de Jerusalém sobreviveram a Herodes, o Grande, e onde viveu até meados da adolescência antes de migrar para Sergipe e se fazer prefeito de Aracaju por quatro vezes sempre nesse jeitão gauche que a fonte de Ulices estranha. A mãe dele é uma simão-diense.

“E tem outra coisa: Edvaldo Nogueira acha que ele sozinho, com Carlos Cauê, ganha a eleição de governador. Mas isso é um bruto equívoco”, reforça a fonte. De acordo com essa mesma fonte, Ulices Andrade estaria olhando o debate em torno da sucessão sergipana de 2022 “muito discretamente”. Do estaleiro. Em stand by.

“Ele afirma estar recolhido e vendo o tempo passar. Pede que deixam o tempo passar e afirma que só tratará dessa questão da sucessão em 2022. Porque em 2021, até pela função que ele ocupa, não terá interesse algum. Se a discussão for feita em 2022 e se o grupo político do governador Belivaldo Chagas precisar dele, tudo bem. Senão, ele vai ficar quieto onde está. Se o grupo, representado pelo governador Belivaldo, tiver uma candidatura forte para ganhar a eleição, ótimo. Mas, se achar que o nome dele é um com o qual pode juntar todo mundo num consenso e que pode ganhar a eleição, aí é coisa pra ele pensar”, diz. Aí necessitaria obviamente de Edvaldo, el estranho.

Segundo a mesma fonte, “UIices entende que se não precisarem dele na disputa, o seu nome preferido à sucessão será o do deputado federal Fábio Mitidieri”. Bem, a eleição para escolher o sucessor de Belivaldo Chagas vai acontecer no dia 3 de outubro do ano vem. A contar deste 30 de agosto, restam um ano, um mês e quatro dias. São muitos e poucos dias. Mas o suficiente para pôr em infusão as divergências e no quaradouro as roupas que até lá deixarão de ser sujas.

Foto: Ana Lícia Menezes

 

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