Aparte
Opinião - O ovo da serpente e a mãe do filósofo Sócrates

[*] Alonso Gomes Campos Filho

Estou aproveitando alguma coisa do que li na última quinta-feira, 12, sobre o filme “O ovo da serpente”, para fazer as observações a seguir.

O filme mostra a ascensão do nazismo. O nome do filme compara o surgimento do nazismo com o que fazem as traiçoeiras e venenosas serpentes: elas escolhem um momento de distração da ave dona do ninho e põe seu ovo entre os ovos já postos pela ave. 

Quando a serpentezinha nasce, começa a devorar quem a fez surgir, inoculando seu veneno onde encontrou condições para ser chocada.

Portanto, alerto que os apoiadores de movimentos em prol do autoritarismo podem ser atropelados por esse autoritarismo, se ele for vencedor. Não têm nenhuma garantia de que serão poupados. 

É bom esclarecer que não é qualquer ninho que tem a possibilidade de chocar o ovo da cobra. A “serpente autoritária” escolhe pôr seu “ovo” em “ninhos” onde já estão sendo chocados o “ovo da intolerância”, o “ovo do preconceito”, o “ovo do conformismo", o “ovo da indiferença”, o “ovo do fanatismo e da alienação”, dentre outros ovos. 

É somente em ninhos onde já existem tais ovos que a “serpente do autoritarismo e da desumanidade” aproveita para pôr o seu ovo, que é então “chocado” por parte da sociedade incauta e desavisada. 

Foi assim que se chegou ao quadro da sociedade atual do Brasil: de um lado, os ignorantes envenenados e os cúmplices bem-pagos desse envenenamento. Do outro, estamos nós, que somos muitos, porém dispersos. 

Precisamos encontrar um antídoto que nos proteja a tempo. 

Neste momento, aproveito para ressaltar, porque cabível, uma passagem da vida do filósofo Sócrates, cuja mãe era parteira.

Em uma palestra que proferia, perguntaram-lhe se, com toda a capacidade de convencimento que tinha, ele conseguiria mudar o modo de pensar de 30 incautos e alienados por uma ideia.

Sócrates respondeu que a mãe dele só conseguia fazer parto de mulheres grávidas. Ou seja, para que a pessoa mude, ela tem que gestar dentro de si a vontade de ouvir e compreender. 

[*] É advogado criminalista e promotor de justiça aposentado.

 

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