Aparte
Opinião - Os militares atravessaram o rubicão. E agora?

[*] Rômulo Rodrigues 
 
Agora, o mundo, o Brasil e a Bahia já sabem que as Forças Armadas do Brasil não têm poderio militar para invadir a Venezuela, onde seriam derrotadas em poucas horas.

A tática hilariante de soltar fumaça dos tanques de guerra sucateados, como camuflagem, só pode ser encarada como uma homenagem antecipada ao ator Paulo José e seu já imortalizado parceiro Flávio Migliaccio, da dupla Shazan e Xerife, com sua saudosa e romântica Camicleta que encheu uma geração de alegria e romantismo.

Os venezuelanos fariam uma festa, com sua gasolina a R$ 0,10, ao terem tantas sucatas para venderam no ferro velho, logo após o resfriamento dos metais retorcidos e abandonados nos campos de treinamento do seu exército nacionalista muito bem equipado e treinado.

Claro que nossos briosos chefes militares não são loucos para mandarem cabos, soldados e sargentos atravessarem aquela fronteira, são maduros demais para tal aventura; tudo não passou de uma comemoração pelas promoções de 100 heróis ao posto de marechal.

Isso não quer dizer que o patético desfile não teve serventia; teve sim, e muita. A serventia do desfile foi encobrir com uma cortina de fumaça a farsa da votação do voto impresso, enquanto votavam algo bem mais terrível; a volta dos homens e mulheres escravizados, numa nova legislação onde ter o privilégio de trabalhar sem carteira assinada, dá o direito de não receber salário, 13º, FGTS, férias e indenização e, se reclamar, receber o xingamento de petista.

Foi mais um passo à frente no megalomaníaco projeto, com Supremo, com tudo de; é só tirar a Dilma que tudo vai melhorar, faltando apenas a volta do FMI para monitorar o Orçamento da União e determinar quantas pessoas vão ingressar por ano no glorioso exército dos miseráveis e famintos.

Como não estava na hora de: “Fecharem-se as cortinas e findar o espetáculo”, como diria Fiori Gigliotti, botaram um bode na cena do crime, para continuidade do show.

Não foi um bode qualquer, foi um pai de chiqueiro que já havia sido rejeitado por duas vezes, em comédias anteriores, com o pomposo nome de Distritão.

Fedorento, capado, mais gordo e inútil que o general Pazuello, foi logo tangido pelos 423 membros do latifúndio chamado Centrão, mesmo assim, recebendo afagos de 35 capatazes, sempre dispostos a fazerem os serviços pesados, como a limpeza do ambiente.

Na retirada do bode do plenário, foi colocado em seu lugar um cabrito que sempre habitou o palco para preenchimento das vagas da casa; a volta das coligações partidárias proporcionais, com a volta da predominância dos quocientes partidários e das médias eleitorais; com os grupos mais espertos voltando às suas províncias para cuidarem de como será o novo colegiado que brotará do passado nas invioláveis urnas eletrônica, em 2022.

Se não tiver nenhuma surpresa até a publicação no Diário Oficial da União em 2 de outubro do corrente ano, tipo uma marrã de cabra, é muito provável que os donos de currais, que compram mandatos e são contra o Fundo Partidário Eleitoral, que hoje bradam: “ Ao nosso Rei tudo, menos espaço ao PT na chapa majoritária”; tenham que queimar as línguas no fogo da pouca vergonha e do cinismo e corram atrás do único partido que ultrapassa o quociente eleitoral em número de votos proporcionais, esmolando uma coligação, com cada um deles apresentando um único, ou no máximo dois candidatos, a deputado federal enquanto pedem misericordiosamente ao rejeitado Partido dos Trabalhadores que apresente um número maior para completar a chapa e eleger uma grande bancada, para o bem de Sergipe onde; o besta terá votos para eleger mais de um e elegerá um, e os sabidos não terão votos para eleger nenhum e também elegerão um e depois da eleição, sobem o tom no poleiro e vão cantar de galo.

E todos serão felizes, com o PT mais uma vez deturpando a pregação de São Francisco de que; é dando que se recebe, pela sua já conhecida bondade do é dando que se perde tudo.
 

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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