Aparte
Jozailto Lima

É jornalista há 38 anos, poeta e fundador do Portal JLPolítica. Colaboração Tanuza Oliveira.

Zezinho Guimarães não se acha patinho feio da CPI da Covid e afirma que Georgeo Passos foi “com muita sede ao pote”
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Zezinho Guimarães: sem pressão de Belivaldo, mas cedendo aos interesses do PL

O deputado estadual Zezinho Guimarães, MDB-PL, não aceita ser o patinho feio ou o traidor no caso da não-instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19 pela Assembleia Legislativa de Sergipe, conforme queria a oposição em ação liderada através o deputado estadual Georgeo Passos, Cidadania, com quem ele colaborou, assinando pela instalação da CPI e na hora de protocolar, retirou-a.

Além de não aceitar ser esse patinho feio e nem tampouco traidor, Zezinho Guimarães patenteia que não atendeu, com seu gesto, a qualquer pedido do governador Belivaldo Chagas, PSD. Ele admite, no entanto, que bateu continência, sim, para o presidente nacional do seu futuro partido, o PL, Valdemar Costa Neto, que lhe pediu “para ficar de fora da contenda”.

Em síntese, pela visão de Zezinho Guimarães, o cipó de aroeira vai quebrar no lombo de Georgeo Passos, a quem ele vê como alguém que foi com muita sede ao pote, jogou para a plateia e lhe “traiu” ao protocolar a CPI na Alese assim que obteve, com o deputado João Marcelo, a oitava assinatura, mas sem lhe comunicar que o faria, conforme era o acertado entre ambos.

Segundo Zezinho, sua assinatura pela instalação da CPI está no pacote de Georgeo há cinco meses, mas condicionada a um comunicado que o deputado do Cidadania lhe faria antes do ato da protocolagem dela. “O que eu posso dizer é que retirei a minha assinatura convencido de que, primeiro, o objeto da minha intenção era a compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste. Mas o Ministério Público já teria respondido e me convencido agora sobre isso, depois do quadro das assinaturas. Me convenci com a resposta de que a Polícia Federal já está nessa contenda investigatória. Acabou. Não era investigar nada de Covid, Secretaria de Saúde nenhuma. Porque isso é papel do Tribunal de Contas da União”, afirma Zezinho.

“Eu vi que a validade do objeto da CPI não teria mais esse alcance. Mas por que não tirei antes? Não tirei porque eu estava vigilante. Se tivesse oito assinaturas há cinco meses atrás, era possível que até deixasse a minha. Mas eu percebendo que o objeto da CPI já estava na mira da Polícia Federal, que o próprio procurador que foi sabatinado quarta-feira também e disse que o próprio Tribunal de Contas já abriu uma diligência especial, por tudo isso, eu não iria mais. Para tudo isso, uma CPI não se faria tão necessária. Para que expor mais?”, questiona.

Para o parlamentar, o tira-e-bota de assinaturas em pedidos de CPIs é um procedimento normal. “Essas contendas são normais em qualquer parlamento e, aliás, é um direito do deputado tirar ou manter sua assinatura num pedido de abertura de CPI. É natural da política e eu não serei nem o primeiro nem o último”, diz ele.

Para Zezinho Guimarães, seria ilícito e uma ilação associar a sua retirada de assinatura com qualquer barganha de interesse frente ao Governo do Estado, que seria o alvo das investigações e do qual ele faz parte. “O que é preciso ficar claro nesse caso em tela é que eu não fiz jogo duplo e nem fui manipulado pelo governador, e pronto”, diz ele.

“Belivaldo não ligou pra mim, em hipótese alguma. Aliás, Belivaldo é um brucutu que nunca liga pra mim nem quando eu aniversario. Não teve nada de governador, de barganha e nem disso e daquilo. Nada. Outra questão em relação ao PL: eu não posso chegar a uma agremiação partidária e, na primeira oportunidade, desobedecer ao meu presidente, que nesse caso me pediu que me fizesse de estátua”, afirmou.

“Sim, porque o Valdemar Costa Neto pediu que eu me mantivesse na posição de estátua. Ou seja, que saísse da confusão, que saísse de qualquer contenda. “Aguarde, saia de contenda”. Belivaldo não me fez pedido em momento algum. Agora, repare: em momento algum eu autorizei a Georgeo revelar meu nome, mesmo porque até então ninguém sabia quem era a sétima assinatura. Eu imaginava que ninguém soubesse, porque foi esse o compromisso que eu tive com o Georgeo. Embora eu não tenha sido a sétima, eu fui a segunda. Mas a segunda que veio cinco meses atrás”, relembra Zezinho.

O parlamentar Zezinho não tem dúvida, portanto, de que houve açodamento e afetação de Georgeo Passos no ato de protocolar o projeto de abertura da CPI sem uma palavra final ante ambos. “Deixa eu dizer uma coisa importante: o Georgeo foi com muita sede ao pote, porque ele sabia que eu poderia tirar minha assinatura. Isso nem é sagacidade. Quando cheguei na Assembleia na quinta-feira no meio da manhã eu disse: “Georgeo, quando você chegar, quero falar com você”. Aí ele correu com a assinatura de João Marcelo pra protocolar sem combinar comigo”, afirma Zezinho Guimarães.

Zezinho Guimarães tem uma versão que nega que tenha sido ele o batalhador pela busca da assinatura final que garantisse a abertura da CPI da Covid, que fora subscrita além de por ele, Georgeo e João Marcelo, por Gilmar Carvalho, Kitty Lima, Rodrigo Valadares, Iran Barbosa e Samuel Carvalho.

“Eu não trabalhei pela oitava assinatura coisa nenhuma. Aí tem coisas que eu preciso dizer, porque Georgeo não pode dizer a verdade. Ele tem que dizer a versão dele. E qual é a verdade? Ele sabe que eu estava apenas vigilante dessa oitava assinatura. Eu estava vigiando a oitava, para saber se aconteceria ou não. Por isso que não autorizei Georgeo em momento algum expor meu nome como um dos assinantes”, afirma.

“Agora, Georgeo tanto sabia que eu poderia retirar que, sem me avisar, correu para protocolar. Eu me senti surpreendido, por que não foi isso que a gente combinou. A gente combinou que quando tivesse oito assinaturas, ele me avisaria. Porque aí eu decidiria o que é eu iria fazer. Tanto é que eu não autorizei ele a dizer da minha assinatura. Eu assinei, mas eu não vou querer CPI. Eu nunca quis. Ele está comigo todo dia. Poderia ter pactuado isso na hora H. Antes de protocolar: “Ei comandante, olhe, está aqui e aí, vamos lá? Está valendo?”, diz Zezinho.

O deputado Georgeo Passos prometeu à Coluna Aparte que na próxima segunda-feira, 18, vai à tribuna da Alese explicar passo a passo como se dera essa contenda em torno da assinatura retirada por Zezinho Guimarães. E certamente sua versão será bem diferente dessa que está sendo dada pelo parlamentar que ainda é do MDB, mas que já está com um pé no PL. 

 

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