Aparte
Opinião - Botando o dedo na ferida

[*] Rômulo Rodrigues

A semana que termina traz notícias estarrecedoras das conspirações de oficiais generais, na linha de frente o general Villas Boas, com o então ex-vice-presidente Temer, com o objetivo declarado de derrubar uma presidenta honesta, para atender aos desejos do mercado e do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Tudo já havia sido revelado em conversas gravadas e amplamente divulgadas de Romero Jucá.

Diante da certeza da natureza do golpe, já passa da hora de se resgatar o Estado Democrático de Direito e do pertencimento da sociedade civil organizada como detentora da sua predominância, assumindo o comando do Estado para tomar decisões imediatas como fechar a Escola Superior de Guerra das Forças Armadas, fechar o Clube Militar e democratizar os meios de comunicação. Inclusive, há uma pergunta que não quer calar: para que servem as Forças Armadas que consomem bilhões de reais por ano do orçamento da União?

Vivemos sob a égide de um estado policial, comandado pelo partido militar, que tem no seu histórico inúmeras maquinações para golpear a democracia e defender os interesses econômico e geopolítico dos EUA, chegando ao ridículo de seus chefes baterem continências à bandeira americana.

Na consumação da traição ao Brasil teve um elemento importante que foi o descarado apoio do Judiciário, cujo papel de destaque foi a república de Curitiba em que o juiz Sergio Moro agiu para esconder o documento que comprova que o Triplex do Guarujá pertence à Caixa Econômica Federal.

O prejuízo para o Brasil será enorme, segundo opiniões de renomados cientistas políticos já que o atrelamento direto ao governo Trump e seu insucesso previsto vai deixar um prejuízo para o Partido Republicano irrecuperável em 50 anos e os primeiros sinais locais já são vistos com revelações que o comércio Brasil x EUA retrocedeu a níveis de 2009 e a inflação para os pobres hoje é três vezes maior que para os ricos.

O estado policial já vem sendo implantado, pelo partido militar, há bastante tempo como, por exemplo: o domínio do debate nas reuniões familiar e social sobre a falta de segurança nos momentos dos cafés das manhãs, dos almoços e dos jantares, em cada lar, quando em cada uma dessas pequenas reuniões se faz uma votação diária, pelo endurecimento.

Bolsonaro, produto acabado da conspiração política, militar, judicial e midiática anda dizendo que acabou com a corrupção, mas o que fez foi aumentar a lavagem de dinheiro ao flexibilizar o crime de evasão de divisas ao elevar de 100 mil dólares para um milhão de dólares o limite de depósitos não declarados no exterior.

Totalmente desnorteada com a conjuntura desfavorável a seus arroubos, a delegada bolsonarista, lavajatista e morista desfila na propaganda eleitoral com mãos em riste como se fosse sacar sua pistola a qualquer momento contra os desafetos.

No desespero de quem vê que o buraco da eleição é muito mais embaixo, sentindo que o edifício do golpe a quem foi servir para ganhar projeção está desmoronando, já deu para falar besteira atabalhoadamente, começando por dizer que sempre foi contra o isolamento social, e que o governador Belivaldo fez empresas quebrarem, fechando o comércio e proibindo circulação e aglomeração de pessoas.

Perdeu pontos. Se há algo elogiável na governança estadual é sua posição sempre firme para preservar a população e salvar vidas. Delegada, não devia, mas, vou dar-lhe um conselho: não seja defensora do CNPJ em detrimento da vida. Seja a favor do CPF e do Eclesiastes que diz: vida em abundância.

Recomendo que a senhora delegada se espelhe na serenidade de suas colegas Katarina e Georlize, que esbanjam elegância e serenidade no trato com a política.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

 

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