Aparte
Governo de Belivaldo e trabalhadores públicos fazem do entorno da Alese uma praça de guerra

Baixou Antonio Carlos Valadares no Governo de Belivaldo Chagas: polícia contra professores e servidores gerais

Trabalhadores colocados contra trabalhadores, mesmo estando todos no mesmo front. Foi essa a situação que o atual governador de Sergipe, Belivaldo Chagas, colocou diferentes categorias de servidores públicos na luta pelo reajuste salarial, que há oito anos não é concedido em Sergipe.

Um forte aparato policial militar – trabalhadores públicos do Estado - foi colocado, na manhã desta terça-feira, 22, em frente à Assembleia Legislativa e no entorno da praça Fausto Cardoso com o objetivo de impedir e reprimir os professores e outros servidores, como assistentes sociais, enfermeiros e até os próprios policiais manifestantes, que se concentraram para o ato contra os projetos de lei enviados pelo governador para a aprovação no Parlamento estadual.

A confusão foi tamanha que até militares de unidades especializadas foram distribuídos em todo o quarteirão da Assembleia e do Poder Judiciário, fechando ruas do Centro, provocando um caos no trânsito.

O acesso dos servidores públicos ao prédio do Legislativo estadual, para acompanhar a votação, não foi permitido e nem mesmo os representantes das categorias puderam entrar.

Os servidores afirmaram que tamanho aparato policiais nunca foi usado pelo governador para tentar coibir manifestantes, sendo tal situação semelhante apenas ao que se viveu no período de repressão da ditadura militar brasileira.

“Um aparato policial absurdo foi colocado pelo governo com o objetivo de intimidar os servidores diante da gravidade que está ocorrendo com os projetos de lei que foram enviados à Assembleia Legislativa”, disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Sergipe de Sergipe, professor Roberto Silva.

“No caso da educação, os projetos atacam de morte os direitos dos professores, porque o governador usa o subterfúgio do piso salarial para destruir totalmente os direitos do magistério. E os demais servidores públicos estão aqui lutando pelo reajuste linear de 34,44%, que foi o reajuste proposto pelo governo aos servidores que aderiram ao PCCV”, reforçou Roberto Silva.

Os profissionais do magistério protestaram contra o que classificam como “projetos da degola”, como são vistos os projetos de lei complementar 04 e 05/2022 e o projeto de lei 72/22, que para a categoria colocam uma pá de cal sobre os direitos do magistério.

Na avaliação do professor Roberto, essas propostas são um artifício jurídico que o governo usa para dizer que paga o piso salarial dos professores em Sergipe.  “Esses projetos incorporam a regência de classe - paga a professores em sala de aula - ao vencimento do professor, e essa incorporação eleva o vencimento para pagar o piso. Então ele só troca seis por meia dúzia, usando um artifício jurídico”, disse.

Roberto explicou ainda que com esses projetos o governo concede 10,16% de aumento aos professores e, também, um abono temporário de R$ 916,00, a ser pago até o próximo mês de dezembro, somente para os professores da ativa, deixando de fora os aposentados.

“E em janeiro de 2023, quando esse abono não mais será pago, os professores não terão direito ao reajuste do piso no próximo ano, porque teoricamente o vencimento estará acima do valor do piso”, observou o professor.

De acordo com o presidente da CUT/SE, que também é integrante do Sindicato dos Profissionais em Educação de Sergipe – Sintese -, com esses projetos que tratam da incorporação da regência de classe e fim dos triênios, se estima que os professores terão uma perda de R$ 380 por mês.

“Somos totalmente contrários à incorporação da regência ao vencimento, e defendemos que se o governo quer incorporar que ele encaminhe à Assembleia Legislativa um projeto de lei que transforme a regência em um benefício permanente comum a todos os professores e não somente os que estão em sala de aula”, acrescentou Roberto Silva.

A presidenta do Sintese, professora Ivonete Cruz, disse que esta terça, 22, foi um dia histórico da luta e da resistência e destacou a importância de dialogar com cada trabalhador e trabalhadora que estava na praça, mas, especialmente, com os jovens que fazem a segurança pública.

“Mas hoje, por um comando do governo, estão cumprindo (os jovens militares) uma tarefa que só se viu na ditadura militar. E o que estamos vivendo hoje na porta da Assembleia é a mais expressiva força do poder usando o trabalho de trabalhadores e trabalhadoras”, disse Ivonete Cruz.

“O que está sendo votado na Assembleia é a vida de todos nós, dos nossos direitos e o nosso lugar não deveria ser aqui: uns trabalhadores do lado de cá e outros do lado de lá. Porque aqui não tem bandido. Aqui tem trabalhadores e trabalhadoras”, enfatizou Ivonete.

O professor Rubens Marques, o Professor Dudu, diretor da CUT/SE, lamentou a recepção feita aos servidores públicos e classificou o ato como o modus operandi do governador Belivaldo Chagas.

“Ele tira direito dos trabalhadores e usa a polícia para reprimir. Que o povo de Sergipe fique de olho não só nele, mas no candidato dele ao governo do Estado (Mitidieri)”, frisou Dudu.

  

“GOVERNADOR QUE NÃO RESPEITA SERVIDOR, NÃO PODE FAZER SUCESSOR” - Também presente ao ato, assistentes sociais das três fundações públicas de Sergipe - Fundação Hospitalar de Sergipe – FHS -, Fundação Parreiras Horta e Funesa – protestavam pela não inclusão dos trabalhadores da saúde das fundações em quaisquer reajustes anunciados pelo governador Belivaldo Chagas, inclusive os 5% de aumento linear, nos PLs 067 e 068/22.

“Estamos aqui para cobrar dos deputados uma solução para esse impasse que criou com os trabalhadores da saúde em Sergipe, que tanto lutaram e defenderam a vida especialmente na pandemia, e agora o que recebem é zero de reajuste. Isso é um absurdo e vamos continuar nas ruas até que o governo nos dê uma reposta”, afirmou o coordenador do Sindicato dos Assistentes Sociais de Sergipe - Sindasse -, Anselmo Menezes de Oliveira.

Anselmo Menezes de Oliveira acrescentou que o governador criou um clima de rivalidade entre as categorias quando anunciou reajustes diferentes e, para piorar, não anunciou nada para esses mais de 6 mil empregados da saúde pública em Sergipe. 

Policiais também participaram da manifestação e, mais uma vez, protestaram contra a falta de diálogo nas negociações entre a categoria e o Governo de Sergipe.

“Nós estávamos aqui ontem na Assembleia porque o governador Belivaldo disse que nesta Casa nós iríamos dialogar. Mas o que a gente encontrou hoje foi essa guerra, uma demonstração muito clara de como foi conduzida as negociações com os servidores públicos de Sergipe com o governador Belivaldo Chagas. Governador que não respeita servidor, não pode fazer sucessor”, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe - Sinpol/SE -, Adriano Bandeira, também integrante do Movimento Polícia Unida. 

Insatisfeitos com a falta de negociação e a retirada de direitos, os manifestantes fizeram a queima de um boneco de pano simbolizando Belivaldo e representando a falta de comprometimento do governo em resolver os problemas, nunca cumprindo promessas.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.