Aparte
Opinião - Edvaldo Nogueira já desceu do palanque. É importante que todos façam o mesmo

[*] Edson Júnior

O segundo turno da eleição em Aracaju terminou na noite de 29 de novembro com a vitória de Edvaldo Nogueira, PDT. Ele foi reeleito com expressivos 150.823 votos, correspondendo a 57,86% dos votos válidos, enquanto sua adversária, a delegada Danielle Garcia, Cidadania, obteve 109.864 votos, equivalentes a 42,14%. A diferença foi de quase 41 mil votos - exatos 40.959. 

Após a divulgação do resultado, alguns analistas tentavam transformar a vitória de Edvaldo em derrota e a derrota de Danielle em vitória, revelando que a pancada eleitoral doía no estômago dos inconformados. Contorcionismo atroz.

Vi muitas farpas trocadas entre as diversas torcidas, inclusive decretos de morte ao Partido dos Trabalhadores e a alguns veteranos da política. Não entro nesse debate. 

A vida não é estática e na política circunstâncias fazem as nuvens mudar de direção, lideranças se reformulam, erros são corrigidos e vitórias serem criteriosamente analisadas. Enfim, os cenários mudam. Já assistimos derrotados em um pleito renascerem em outro. Muita calma!

Indiferente às análises que normalmente pululam no day after eleitoral, após a vitória Edvaldo Nogueira recolheu as bandeiras de campanha e na manhã da segunda-feira, 30, já estava dando expediente na Prefeitura de Aracaju, com o mesmo entusiasmo e dedicação de antes do pleito. Haja fôlego! 

Não demonstrava cansaço, nem que havia saído de uma batalha eleitoral onde foi duramente fustigado por seus adversários com inverdades e agressões. Suportou a pancadaria com uma campanha de paz e alegria pelas ruas da cidade. 

Em nenhum momento partiu para o jogo grosseiro e agressivo com o qual era atacado. E ao final, com o resultado ao seu favor, respeitou os derrotados, não tripudiou sobre eles. Mostrou grandeza antes, durante e depois do pleito. Elevou-se como político. Merece as alturas.

Outro fato que chamou a atenção após o resultado do pleito foi a rapidez com que oráculos zapianos - de grupos de WhatsApp - passaram a alardear um suposto desejo de Edvaldo em disputar o Governo do Estado de Sergipe em 2022. Não esperaram nem o sangue esfriar! Só pensam naquilo (eleições).

Embora o próprio Edvaldo já tenha afirmado, categoricamente, que não pensa nas eleições de 2022, e que seu foco é administrar Aracaju com todo suor e dedicação, é evidente que sua gestão e aceitação popular o colocam na sala da sucessão em uma cadeira de destaque. 

E que bom para Sergipe tê-lo como nome para levar a outros municípios a gestão realizadora que faz em Aracaju. Essas especulações, no entanto, sobre 2022 parecem incitar derrotados da eleição recém-acabada a encadear um terceiro turno de 2020. 

Percebe-se, em algumas entrevistas de rádio, que integrantes da oposição ainda mantém o clima de campanha com aqueles discursos beligerantes usados contra Edvaldo. 

O mote recauchutado, mas com cheiro de borracha queimada, agora vem com o nome de “verdadeira oposição”, um erro tão letal quanto foi o “nova política”. Não se faz política com bravatas, nariz empinado e alijando “aliados”. 

O modus vivendi dessa atividade – política - exige cumplicidade, lealdade, encontro de ideias, jogo de cintura. E jamais criminalizar expressões consolidadas com o propósito de se apresentar como o ser único a possuir selo de pureza, uma espécie de ISO 9000 da política. 

O fato é que 2022 está longe, muito longe, e Edvaldo, em sintonia com o governador Belivaldo Chagas e com o grupo político que o apoia, mostra que é hora de arriar as bandeiras e trabalhar. 

Em seus discursos, Edvaldo costuma citar o Eclesiastes, e uma passagem desse livro diz muito sobre 2022: “Existe um tempo certo para cada coisa, momento oportuno para cada propósito debaixo do sol: tempo de nascer, tempo de morrer; tempo de plantar, tempo de colher”.

Ao descer do palanque de 2020, Edvaldo diz a “todos e todas” que a hora é de plantar. 

[*] É jornalista.

 

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