Aparte
Em Moita Bonita, dois primos disputam a sucessão municipal

Com o filho Thalles Costa, Bosco Costa busca o poder em Moita Bonita

Na efervescência da política do interior, um município tem se destacado no Agreste de Sergipe, pelo rumo atípico que tem tomado conta da campanha eleitoral deste 2020.

Moita Bonita, localizada na zona central do Estado, conhecida pela capital estadual da batata doce e reconhecida nacionalmente pelo bom futsal que levou o município conquistar importantes títulos, vivencia um momento diferente em toda sua história.

Na cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, a hegemonia da família Costa é marca registrada das administrações. O grupo comandado hoje pelo deputado federal Bosco Costa, PL, só perdeu um pleito, depois que o antigo povoado Alto do Coqueiro se emancipou definitivamente de Itabaiana.

Foi na primeira eleição, quando Josias Costa - pai de Bosco, saiu derrotado por Pedro Paes Mendonça, em 1963. Mas a partir de 1967, aliados e membros da família de seu Josias governam a cidade ininterruptamente até os dias atuais, que tem como chefe do Executivo Marcos Costa, MDB.

Mas a credibilidade desse grupo é conflitada hoje com o rompimento de membros da família. Dr. Vagner, PSB, sobrinho de Bosco, é candidato à sucessão, junto ao agrupamento de oposição. 

Esse rompimento foi motivo de estardalhaço na imprensa do Agreste por alguns meses. Alguns davam como certo que o médico não seguiria o caminho distante da família.

Até mesmo porque a oposição “raiz” tinha dois pré-candidatos a prefeito - os vereadores Jorge Sindô, PSD, e Bolo das Candeias, Progressistas, que acabaram cedendo. O primeiro saiu a vice e o segundo vai à reeleição. 

Em resumo: todas as correntes da oposição uniram-se em torno do nome de Dr. Vagner, a fim de fortalecer o grupo e tentar quebrar a hegemonia de mais de cinco décadas.

Pela situação, o nome é do vereador Thalles Costa, PL, filho de Bosco Costa, que tem sido uma revelação da política no município, com um mandato participativo e aceitação entre as mais variadas camadas da sociedade.

O candidato a vice-prefeito dele é Paulinho do Oiteiro, PL, filho do atual vice-prefeito Paulo Barbosa, que recuou da pré-candidatura a prefeito e tentará voltar à Câmara de Vereadores.

Mas surgem questionamentos de qual seria o motivo desse embaraço. Os rompimentos com Bosco Costa datam já de 2004, quando a família Sindô abandonou o “barco” e fortaleceu o grupo de oposição, conseguindo angariar mais simpatizantes.

As enormes diferenças de votos não existem mais em Moita Bonita - prova inconteste é o pleito de 2012, quando Edmilson Sindô, à época PSC, perdeu por apenas 58 votos.

Para o desenho da atual conjuntura, o deputado Bosco Costa afirma que após as eleições 2018, quando conseguiu voltar à Câmara Federal, questionou o sobrinho se ele tinha interesse em disputar para fazer o nome na cidade, e ele disse que não.

Quando no início desse ano foi procurado pelo médico, demonstrando interesse, Bosco o convidou para deixar o PSB e filiar-se ao PL, como todos os outros pré-candidatos do agrupamento. Mas Vagner não quis, alegando que estava em conversa com os vereadores da oposição, que só somariam se fosse na legenda socialista.

Em Moita Bonita, nenhuma pesquisa ainda foi registrada para divulgação e o clima na cidade segue um pouco tenso, principalmente nas redes sociais. Fala-se em lealdade, respeito e gratidão. É só aguardar as próximas cenas dessa “novela” que terá fim em 15 de novembro.

 

 

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