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Opinião -  O adeus ao amigo Dr. Thomaz Rodrigues Porto da Cruz

Dr. Thomaz Rodrigues Porto Cruz, em cadeira, com amigos – entre eles, Lion

[*] Lion Schuster

Todo ser humano tem um destino traçado pelo ser supremo. São missões que Ele nos determina. Nós somos, apenas, uma minúscula partícula, nesse universo infinito, porém, temos o defeito de querer entender tudo que se passa no mesmo.

A nossa vontade seria a de que todos aqueles que amamos ficassem para sempre por aqui. Mas, infelizmente, a nossa vontade nem sempre é atendida e com o passar dos anos a gente vai ficando sozinho ao vermos as pessoas queridas partindo para outro estágio de existência.

Partindo para um mundo desconhecido por todos nós. E na última quarta-feira, dia 14, embarcou no trem da eternidade um grande amigo, o irmão do Dr. Carlos Rodrigues Porto da Cruz - amigo e que eu considero como um irmão querido.

Estou falando do médico sergipano Dr. Thomaz Rodrigues Porto da Cruz, nascido em Aracaju. Estudou no Colégio dos Maristas em Salvador, juntamente com seus irmãos Carlos Rodrigues Porto da Cruz e Eduardo Porto da Cruz - este já partiu no trem da eternidade há alguns anos.

Depois de terminarem o curso no Colégio Maristas, os dois voltaram para Aracaju e o Thomaz ficou por lá e foi fazer Medicina. Enquanto eles estavam no Maristas, o pai deles  faleceu. Foi um grande golpe para a família.

Thomaz Rodrigues Porto da Cruz se formou na Bahia, fez estágio nos Estados Unidos, retornou à Bahia e de lá nunca mais retornou para Aracaju. Casou-se, criou o Laboratório Leme, que se tornou o mais famoso e competente Laboratório do Estado da Bahia e serviu de referência para outros no Brasil.

Thomaz Rodrigues Porto da Cruz se especializou em Endocrinologia e repassou seus conhecimentos para os ilustres colegas de mesma especialidade, não só do Brasil, mas também de outros países. Embora morando em Salvador, não esqueceu a sua pequena cidade de Aracaju.

De vez em quando, vinha visitar a mãe, os irmãos e os amigos dele, é claro. Gostava muito de pitangas, cajus e mangas. Sempre que vinha aqui, eu fazia questão de colhê-las para ele e sempre que ia visitá-lo lá em Interlagos as levava também.

Íamos, até a madrugada, ouvindo sua esposa Malu tocar piano. Foi em Salvador que ele se tornou famoso. Foi reitor, fez parte da Academia Baiana de Medicina, recebeu várias condecorações pelos serviços prestados à medicina e lançou vários livros - ainda arranjava tempo para tal. Amante da boa música, amante da vida, viveu-a em sua plenitude.

Ao embarcar no trem da eternidade, trem este que só tem estação de embarque, lá vai encontrar-se com a sua querida mãe, com o seu querido pai, com o seu querido irmão e, com certeza, com os muitos de seus queridos amigos.

Lá, também estará o nosso Thomaz Rodrigues Porto da Cruz zelando pelo grande amor de sua vida, a sua querida Malu, que o acompanhou e o apoiou até o fim de sua vida. Pedirá a ela que toque no piano, que ela tão bem sabe executar, as músicas que ele gostava de ouvir enquanto aqui na terra esteve.

Amigo Thomaz, você foi um cara simples, e por isso era respeitado e admirado não só por brasileiros, mas também por colegas de outros países – para os quais você tanto viajou levando conhecimentos para o bem da humanidade.

As centenas de sergipanos que saiam daqui para ser atendidos em Salvador agradecem e choram a sua partida. Você levou para o mundo todos os seus conhecimentos. Carlos Benjamim, seu sobrinho, e sua esposa, Dra. Débora, sua colega e sobrinha por opção, choram a sua partida.

Todos os seus parentes e amigos aqui de Sergipe também choram a sua partida. Perde a humanidade um grande cientista de difícil substituição. Perdemos um amigo insubstituível. Nosso irmão Carlos Cruz chora e sente também.

Dr. Francisco Rollemberg assim o definiu: “O Dr. Thomaz Cruz tinha Inteligência acima da média. Culto, paciente médico e mestre. Honrou o nosso Estado no exercício da profissão e nos cargos que ocupou. Era seu amigo e estou triste com a sua partida”.

De modo que só me resta desejar-lhe um boa viagem, amigo Dr. Thomaz Rodrigues Porto Cruz. Não queríamos que você partisse, mas se essa foi a vontade do nosso Ser Supremo, que assim seja.

[*] É economista e escritor.

 

 

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