Aparte
Opinião - Federação, só com centralismo democrático

[*] Rômulo Rodrigues

A primeira prova de fogo enfrentada pela nova regra eleitoral da lei 14.208/2021 deixou dúvidas quanto sua validade.

A votação da PEC 05, foi um balde de água fria na cabeça de quem pensa que ditos partidos de esquerda não têm como eixo de sobrevivência, destruir o PT.

Decerto que muitos velhos combatentes da esquerda clássica devem ter pensado que a nova lei resgata uma regra histórica, o centralismo democrático, que devia ter sido testado e aprovado na votação da PEC e acatada pelo PSOL, alguns brizolistas e gente que antes de migrar para o PSB, ganhou régua e compasso, no PT.

Quem levantou a placa de alerta mesmo foi o PSOL e Marcelo Freixo, agora no PSB do Rio de Janeiro e, anunciado candidato a governador com o apoio do Partido dos Trabalhadores.

Exemplos recentes deixam a pulga atrás da orelha. Vejamos; na eleição para prefeito da cidade do Rio de Janeiro em 2020, Marcelo Freixo do PSOL, era candidato natural e o PT indicava Benedita da Silva como candidata a vice. Surpreendentemente, ele desistiu e o PT foi obrigado a lançar Benedita como sua candidata e o PSOL, em vez de apoiar, lançou outro candidato.

Já na cidade de São Paulo, a pressão foi intensa para o PT retirar a candidatura de Jilmar Tatto e apoiar Guilherme Boullos. O PT manteve a candidatura, Boullos foi para o segundo turno contra Bruno Covas e o apoio ao candidato do PSOL foi imediato e intenso.

No momento o que se tem é que faltaram 11 votos para por um basta no pretenso poder moderador do partido dos procuradores, cuja executiva está na, ainda agonizante, quadrilha de Curitiba e quem puxou a revoada foi o deputado federal Marcelo Freixo, expoente da esquerda que tem como obsessão destruir o PT e, por isso, fez Sergio Moro e Deltan Dallagnol terem orgasmos múltiplos.

E é ai que mora o perigo; como é que vai ter noites de sonos tranquilos nas alianças de 2022, dormindo com o inimigo? O jogo vai ser pesado; basta ver o que o editorial de O Globo fez de mudança no relatório final da CPI.

O partido midiático continua sendo temido por essa gente de esquerda que tem como fetiche ver o PT fora do jogo político, e não é de hoje.

A mídia patronal sabia desde o inicio que o sitio de Atibaia e o apartamento do Guarujá não eram de Lula; sabia que a Friboi e a OI não eram do filho de Lula e que a loja da Havan nunca foi da filha de Dilma; sabia que Haddad nunca fez Kit Gay e mamadeira de piroca mas, precisava manter o terror da lava jato para destruir a economia brasileira e lucrar nos paraísos fiscais.

O cenário era assustador para ela e seus aliados, e por isso a ação cirúrgica da CIA no golpe; a descoberta do Pré-sal ia colocar o Brasil na OPEP; as empreiteiras brasileiras respondiam por mais de 3% do setor de construção do mundo; a Embraer despontava na aviação comercial; a fabricação de Submarino nuclear e a indústria militar estavam em alta.

Para frear o país, foi bastante montar a lava jato e comprar alguns milicos que almejavam o tráfico de cocaína em aviões da FAB, como está sendo descoberto.

Como a política é dinâmica e a conjuntura muda que nem nuvem, e que além da eleição de governador é fundamental eleger senador e deputados federais, sugiro que o PT local pratique algo em que Marcelo Deda era mestre, e dê um passo à frente na aplicação da soberania do gesto, fundamental na grande política, e tome a iniciativa de conversar e aparar arestas com o governador Belivaldo Chagas e o ex-governador Jackson Barreto, aliados de convivência de 27 anos e que não podem ser afrontados com noticias não desmentidas de alianças espúrias e nem serem enquadrados por quem vai hastear as bandeira da lava jato e do bolsonarismo. A política requer coragem e também fidalguia.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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