Aparte
Opinião - A direita sergipana que não se elegeu

[*] Gerlis Brito e Elber Magno

Temos ouvido dos candidatos da direita que não se elegeram nesta eleição - ou pretensamente, daqueles candidatos que se acham de direita -, que foi a “falta de união” da direita que tirou deles a possibilidade - para eles, quase certa – de se elegerem.

Para justificarem as suas derrotas eleitorais, apelam para o símbolo fantasioso da união da direita, como se isso bastasse, e como se a união da direita - ou pretensa direita - poderia sem equívoco tornar o sonho da eleição um passeio no parque de mãos dadas com o povo conservador.

Mas alguém já viu apenas a união fazer com que um aglomerado de pessoas com ideias, percepções, objetivos diferentes e capacidade política embrionária, obtenha algum êxito?

O que pode proporcionar sucesso aos políticos, vai muito além de somente unir um grupo de pessoas com visão imediatista e divergências primárias para concorrer às eleições. Há muito que navegar! 

É preciso dizer aos papagaios de pirata que só porque fizeram algumas postagens de fotos com Bolsonaro nas redes sociais, ou exibindo apoios de última hora por alguns que gravitam em torno do poder federal, e que achavam que já estariam eleitos, que isso é visão simplista e infantil da política e de suas práticas.

“Pode isso, Arnaldo? Galvão, o jogador esperou o contato sem bola, o contato não veio, ele trombou sozinho e se jogou no chão. Não foi nada, nada, tá certo o juiz. Segue o jogo”. 

O que se viu foi uma demonstração de despreparo de toda a direita para o jogo político, que requer, imprescindivelmente, substância política construída na base eleitoral e não se confunde com o ativismo das redes sociais ou com o discurso retórico ideológico das questões que estão longe do cotidiano da população. Afinal, o que importa para o eleitorado é, sem dúvida, bem diferente do que a visão apenas ideológica tem a oferecer. 

Alguns poucos autointitulados candidatos de direita em Sergipe dizem ser eles estudiosos dos cânones do conservadorismo, algo que não se comprova observando o conteúdo dos seus discursos comuns.

Segundo Roger Scruton, “para o conservador, os seres humanos chegam ao mundo com várias obrigações e sujeitos a instituições e tradições que contém em si uma preciosa herança de sabedoria, sem a qual o exercício da liberdade tem tanto a probabilidade de destruir os benefícios e direitos humanos quanto de melhorá-los” (Conservadorismo: um convite à grande tradição, 1ª ed. Editora Record, 2019, p. 22). 

Então vejamos: desprovidos da capacidade de aplicar à realidade o que se estuda - se é que entendem o que estudam, isto quando e se estudam - os ginasianos direitistas só conseguem usar o que aprendem nos seus estudos dos autores de direita - os que realmente estudam – raridade - para alcançar o objetivo pueril de massagearem os seus alter egos ao vencer um debate contra um membro da esquerda.

Porém, não conseguem usar os ensinamentos das obras escritas por autores da direita, ou qualquer outro ensinamento, para aplicarem ao seu dia-a-dia. Ao contrário, passam longe da prática; e pretender que eles tragam do mundo das ideias para prática política aquilo que defendem é exigir demais desses cérebros convictos de uma iluminação que salta aos olhos: lhes falta.

Infantilmente, se convenceram de que vitória na política é vencer um debate, e que fortalecer um grupo político é unir o que Deus manda separar: o joio do trigo.

A direita, a “incipiente” e “insipiente” direita sergipana está cheia de bem-intencionados que podem até pensar em parte como um direitista, mas não conseguem observar com olhos de aprendiz a eficiente máquina política da esquerda construída ao longo de suados anos de militância.

Presos no campo materialista, eles não são capazes de praticar princípios fundantes da boa prática política como a meritocracia e o respeito à hierarquia - algo básico que a esquerda construiu e preserva dentro das suas bases; quiçá de absorver o próprio discurso em suas personalidades, porque isto requer ainda mais do que o estudo: o desenvolvimento das virtudes, requer o mínimo de noção de espiritualidade.

Requer colocar a alma e o espírito em um movimento que se sustenta e anseia pela busca da verdade, e ao encontrá-la, aceitá-la mesmo que ela não seja tão bonita quanto a que se mostra na teoria dos livros. Só depois disso, com muito trabalho sério, num horizonte de longo prazo e pautado em humildade para aprender, a prática política que se pretende atingir na direita tornar-se-á consistente.

[*] São fundadores do Conservadores Sergipe.

 

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