Aparte
Sim, um panteão urgente para Gilson Andrade, de Estância  

Gilson Andrade: vitória retumbante

Uma das derrotas mais feias das eleições municipais em Sergipe no último domingo, 15 de novembro, veio da cidade de Estância.

Mas essa frase poderia ter outra construção. Seria essa: uma das vitórias mais bonitas das eleições municipais em Sergipe no último domingo, 15 de novembro, veio da cidade de Estância.

Sim. A vitória bonita foi a obtida por Gilson Andrade, PSD, em reeleição, sobre Márcio Souza, PSOL. De modo que, em construção reversa, a derrota mais feia foi a conseguida por Márcio Souza, PSOL, sob Gilson Andrade.

Gilson lascou sobre a titela de Márcio 5.980 votos de frente. Foram 18.867 - ou 54,14% dos válidos - contra 12.887, ou somente 36,98% dos válidos - para Márcio.

Esses números absolutos e esses percentuais por si sós não fazem a boniteza da vitória de um e nem a feiura da derrota de outro. Afinal, perder e ganhar - mesmo que com tanta largura e folga - não deve mover os adjetivos belos e feios. Deve ser encarado como algo normal. Como parte do jogo eleitoral.

Mas o problema de Estância é mais embaixo e complexo. O problema de Estância é de como os arranjos políticos de Gilson e de Márcio jogaram-nos, um e outro, em caminhos que renderam os mais variados e estranhos pitacos sobre os destinos eleitorais de ambos e da sucessão da cidade.

Resumindo: Gilson, premido Deus-sabe-lá-por-qual-pressão-e-razão, viu inviabilizar - ou inviabilizou - a permanência de uma aliança com o líder local Ivan Leite, ex-prefeito duas vezes, ex-deputado estadual, empresário bem-postado, ao ponto de desmontar a chapa que traria de volta Adriana Leite, vice-prefeita e esposa de Ivan, como candidata novamente a vice.  

Chateados, Ivan e Adriana foram se atracar eleitoralmente, e sem nenhuma contrapartida, com o projeto político de Márcio Souza, que já estava dando braçadas numa aliança com Carlos Magno, médico bem-postado, outro ex-prefeito, ex-deputado estadual e federal, oponente clássico de Gilson, que emprestara o filho Tito Magno, PSB, para disputar com Márcio como candidato a vice-prefeito. Todos aí são históricos oponentes entre si.

Márcio Souza, com bom nível de popularidade e de inserção, vinha numa ascendente de três disputas pela Prefeitura de Estância e uma ao Governo do Estado em 2018 em que teve forte votação na cidade.

Com esse perfil, com a atração em aliança formal dos Magno e com apoio final de Ivan Leite e da sua esposa e vice-prefeita, pronto, batata: Márcio estaria regiamente eleito e Gilson seria um morto, um desvalido eleitoral. O Márcio incorporou isso laicamente e já usava o terno de vidro da posse de 1ª de janeiro.

Muita gente também pensou e agiu assim. Muita gente deu essas fichas por contadas e esse jogo por jogado. Menos uma pessoa: o próprio Gilson Andrade, que, numa autoestima assombrosa, disse que nada estaria perdido, que seguiria em frente, e rearrumou sua aparentemente baratinada casa política, botou o vereador André Graça debaixo da asa como candidato a vice-prefeito e o resultado é esse da tal vitória mais bonita das eleições municipais em Sergipe no último domingo.

As expectativas em Estância renderam tanto e vazaram para além do lugar, que na nota “Trauma e ruptura entre Ivan Leite e Gilson Andrade vêm de longe. E é irreparável!”, publicada nesta Coluna Aparte no dia 24 de setembro de 2020, foi feita a seguinte construção frasal que muito debate rendeu em Estância.

“Se esse “mói” de gente unida perder para Gilson Andrade, o reeleito prefeito poderá erguer para si um panteão de herói e Márcio Souza socar-se num sarcófago e dormir o sono da eternidade. Ivan Leite e Carlos Magno, chamuscados, seguirão suas vidas em paralelo, e meio intactos”.

Sim, como o terno de vidro de Márcio Souza se quebrou, urgentemente um panteão merece ser erguido para Gilson Andrade. Ele foi um gigante político.

Ele é, sim, diante de tudo, uma espécie de herói que conseguiu ganhar desse “mói” de gente unida e ainda mais com uma frentona de 5.980 eleitores a mais que os dos seus oponentes, deixando, além de Márcio, mais três outros candidatos na poeira.

Resta somente saber se Ivan Leite e Carlos Magno, chamuscados, se sentem meio intactos e como de fato seguirão suas vidas politicas nesse paralelo.  

PS - Segundo o Dicionário do Aurélio, um panteão é “monumento onde são guardados os restos mortais de homens ilustres”, ou um “templo consagrado pelos gregos e romanos a todos os deuses”.

A Coluna sabe disso e sabe da condição de super vivo de Gilson Andrade. Desde a primeira hora ela usou no sentido figurado e no aspecto histórico. Digamos que Gilson seja credor de um panteão de vivos.

 

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