Aparte
Opinião - Barreiras a serem enfrentadas por Henri Clay entre a margem e o centro

[*] Misael Dantas

Quando eu nasci pro mundo jurídico, o caro colega Henri Clay Andrade já era o comandante da Ordem dos Advogados do Brasil em Sergipe. Inclusive, fui presidente da subseção da OAB de Estância em um dos períodos em que ele presidiu nossa Ordem.

Sempre vi em Henri Clay Andrade um sujeito de fino trato, geralmente atencioso, muito sorridente e que promove um bom equilíbrio nas conversas com os colegas advogados. 

Em 2018, deram-se as mãos o experiente e então senador Antônio Calos Valadares e Henri Clay. Um querendo continuar e o outro querendo iniciar no Senado, tendo Valadares Filho como o candidato do grupo ao Governo do Estado de Sergipe.

Ele, Henri Clay, saiu-se bem, mas apenas em Aracaju. Nos municípios interioranos não teve corpo eleitoral, significativamente para tal pleito.

Poderia ter ido para deputado estadual, ou até federal e, com a sua simpatia, oratória e traquejo com os códigos e com as demais leis faria do mandato - principalmente, na Alese - um elevador eleitoral para um andar mais acima depois.

Sendo operador do direito, onde atua mais na advocacia operária, poderia hastear essa bandeira junto ao operariado sergipano. Essas mudanças de siglas partidárias - PPL, Rede e agora PSOL - poderão, de repente, não fortalecê-lo em grupos político-partidários.

Tipo: nem é o comandante do partido nem é uma voz decisiva dentro dele. Nos momentos decisivos partidários, isso pesa muito. O potencial e o perfil de Henri Clay são de um bom comandante. Mas longe de mim ensinar o Pai Nosso a vigário. 

“Chegar ao centro indo pelas margens”, como alude o título dado por Jozailto Lima na sua Coluna - “Henri Clay quer chegar ao centro indo pelas margens e filia-se ao PSOL” -, é uma das regras da política - a de comer o mingau pelas beiras. Mas, partidariamente falando, o bom é já entrar no centro.

Ou seja, entrar no comando, com poder de decisão, porque no percurso entre a margem e o centro há inúmeras barreiras a serem enfrentadas.

Mas, como eu disse, o caro Henri Clay Andrade tem muita habilidade. Sabe entrar e sair sem provocar máculas. É cortejado por todos os partidos. O PSOL terá nele, sim, um bom filiado.

[*] É professor, advogado e vereador de Estância, e está presidente do Poder Legislativo estanciano.

 

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