Aparte
Opinião - O ano político de 2022 e suas sucessões de expectativas

[*] Francisco Emanuel Silva Meneses Alves

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PDT, tem holofotes maiores e melhores do que o deputado federal Fábio Mitidieri, PSC. Mas Fábio tem mais carisma e mais mobilização no interior – estamos falando das pretensões de disputa ao Governo de Sergipe e 2022.

Querendo tanto e tão claramente ser o candidato ao Governo de Sergipe, Fábio Mitidieri engoliria e acompanharia um Edvaldo Nogueira até mais experiente, mas menos trabalhado no interior? Na política, Aracaju é o centro de tudo em Sergipe, mas tem muitos poréns aí.
O senador Rogério Carvalho, PT, é bem articulado no interior. É um parlamentar muito atuante, influente e presente nos parlamentos onde esteve e está.

Uma disputa entre Fábio e Rogério seria no mínimo embaraçosa por causa do primeiro suplente de Rogério, Jorge Mitidieri, tio de primeiro grau de Fábio.

Mas uma disputa entre Rogério e Edvaldo tende a contar com um torcer de cara de quem queria Fábio somado aos que, no interior, preferem a novidade Rogério a apostar nas incertezas de um Edvaldo, que já fora vereador e vice-prefeito e que quando foi candidato a deputado federal em 2014 foi muito bem votado na capital e muito menos no resto do Estado.

Sim, nesta disputa Rogério Carvalho não tem o que perder. Além de ter mais quatro anos no Senado, encontra agora um vácuo de lideranças gigante - onde ele mesmo se inclui.
O senador Alessandro Vieira, Cidadania, tem sinceridade de propósitos, mas juntou a fome com a vontade de comer. Ou seja, além de ter bem a ideia de que não venceria o pleito para o Governo de Sergipe, preferiu intensificar a imagem nacional – diz que disputará a sucessão presidencial.

Em 2026 Alessandro poderá tentar o Governo de Sergipe como uma mostra de coragem. Ainda sobre Alessandro, deve-se dizer que ele é figura interessante. Embora muitos não tenham votado e jamais votariam nele, consegue desagradar todo mundo. Só por isso, levando em conta porque Alessandro desagrada especificamente em cada caso, parece razoavelmente coerente.

Mas ele não está perto de quem está à esquerda, é mais intervencionista, e tampouco de quem joga confete para a direita bolsonarista. O delegado-senador mistura tecnocracia com frieza e gesta um político saudoso do delegado - sabe muito de lei, tem aprendido mais sobre a política, mas resiste a adentrar mais nessa última.

A única vaga do Senado de 2022 terá uma disputa curiosa e interessante. Têm-se Valdevan Noventa, Danielle Garcia e Jackson Barreto, para começo de conversa.

Parece que Danielle aprendeu muito mais. Provoca os adversários, aparenta estar mais à vontade e é menos engessada que o colega delegado-senador.
Na Câmara Federal, além do grupo dos que pensam em migrar da Alese para a Câmara Federal e dos que pensam em voltar à capital federal, podemos ter mais novidades.

Valdevan tenta o Senado, Fábio Mitidieri espera a bênção para o Executivo ante o fogo amigo, João Daniel enfrentará dificuldades domésticas na própria agremiação e Laércio Oliveira não esconde que quer ir, mas não esperneia se não for candidato ao Governo do Estado.
Valadares Filho, Valmir de Francisquinho, André Moura e Henri Clay Andrade são nomes para prestar atenção na eleição para deputado federal.

Quanto à Assembleia, provavelmente teremos mudanças substanciais. Seja por quem vai tentar ir para a Câmara Federal, seja pelas novidades que se anunciam fortes chegantes – a lista é grande.

O ex-prefeito de Ilha das Flores e presidente da Fames, Christiano Cavalcante; o vice-prefeito de São Cristóvão, Paulo Júnior; a primeira-dama de Socorro, Carminha Paiva; a vereadora de Aracaju, Linda Brasil e sua suplente a professora Sônia Meire, o empresário Breno Silveira, que nada de braçadas largas nesse projeto, entre outras lideranças, principalmente do interior.
Enfim, essas minhas palavras aqui não são e nem querem ser previsões. São um misto de especulações com observações. A política gira entre a oportunidade e o oportunismo, e até a hora H de 2022 muita coisa ainda acontecerá. Acompanhemos, então.
 
[*] É cientista social, analista político, professor e membro da Academia Capelense de Letras e Artes.

 

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