Aparte
Opinião - Um ano e vários recordes

[*] Rômulo Rodrigues 

Demorou exatamente um ano para que o Brasil atingisse os estratosféricos números de 1.726, 1.840, 1.910 mortes em 24 horas pela Covid-19 e o presidente da República comemorasse com um banquete no Palácio do Planalto para parlamentares e ministros do seu governo num ambiente alegre e descontraído.

Não demorou e, nos mesmos dias, tanto o objetivo de alcançar 250 mil mortes como em seguida já pular para 260 mil e ele dizer que o choro das famílias enlutadas era mimimi.

Para marcar o mês de março como substituto de agosto como mês macabro, no dia 4 completou cinco anos do início da ofensiva do desmonte do Estado e desmonte da soberania brasileira.

Não tem como esquecer o dia 4 de março de 2016, quando em viagem para visitar o município de São Bento do Norte, Rio Grande do Norte, distante 180 km de Natal, ao pararmos para abastecimento e tomar um café da manhã, vimos as cenas cinematográficas de dezenas de viaturas da polícia Federal e helicópteros da Globo, um verdadeiro circo midiático, para prender o ex-presidente Lula, como parte do decálogo programado pela CIA para dar um Golpe de Estado.

Foi de cortar o coração ver a massa de olhos fixos no monitor de TV, totalmente petrificada e dominada ante o show pirotécnico, aplaudindo um ato que causaria sua própria desgraça num futuro bem próximo.

Era o auge da glória da quadrilha da Lava Jato e o procurador que comandou o espetáculo era o marido da gerente do Banestado que deixou escapar R$ 600 bilhões nas contas CC-5 para paraísos fiscais, crimes abafados por Sergio Moro.

Um corrupto, chefe de uma quadrilha, constrangendo e humilhando um homem honesto para gáudio da galera que dois anos depois assumiria a identidade de gado.

Na verdade, todo esse processo foi meticulosamente para impedir que o país desse um salto olímpico para assumir o posto de 5ª economia do mundo, para não mais sair, e com a construção iminente do submarino nuclear, com tecnologia genuinamente nacional e assumir uma cadeira definitiva no Conselho de Segurança da ONU.

O detalhe que chama a atenção, pela evidência, é que no ataque à soberania brasileira foi preso e execrado o almirante Otto, pai de todo o processo de desenvolvimento tecnológico e as Forças Armadas não emitiram uma nota de protesto.

Nos últimos dias, com as provas reveladas por Henrique Pizzolato, sobre a farsa da Visanet, na AP-470, desenvolvida fantasiosamente pelo capitão do mato Joaquim Barbosa, fica claro que ali já estava descoberta a ponta do iceberg que veio a ser o golpe civil-militar de 2016.

O processo do golpe em si foi acelerado quando algumas condições estiveram dadas:

1) Criado o mote para exacerbar o falso moralismo da classe média com o combate à corrupção;

2) Comprar todo o apoio da mídia corporativa para homogeinizar a classe média; obter o apoio dos grupos, partidos e personalidades envolvidos com a verdadeira corrupção;

3) Eleger o Partido dos Trabalhadores como o inimigo interno a ser combatido;

4) Criar a tese de guerra interna para os militares fazerem o combate e se sentirem úteis;

5) Destruir a democracia e as conquistas sociais obtidas nos governos do PT;

6) Derrubar a presidenta Dilma Rousseff;

7) Acusar, desmoralizar e prender o ex-presidente Lula para que não voltasse a disputar e ganhar mais uma eleição;

8) Eleger um presidente corrupto, sem condições de apresentar um programa de desenvolvimento nacional e tutelado pelo mercado;

9) Tomar o Pré-sal e desmontar a Petrobras e outras estatais e

10) Fazer o país retornar a uma economia exportadora de commodities e produtos primários sem importância na agenda mundial.

As revelações da vaza jato não deixam nenhuma margem de dúvida quanto ao ataque mortal sofrido pelo Brasil pelos que traem os princípios de patriotismo para servirem a outras bandeiras.

O anúncio esta semana da queda de 4,1% do PIB é uma amostra de até onde chegaram as ações dos traidores.

A pandemia avança e os criminosos festejam com banquete onde o prato principal foi leitão assado com galhofa.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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