Aparte
Opinião - O país que desejo daqui pra frente

[*] Rômulo Rodrigues

Começo explicando o porquê deste título: é por obediência à filosofia popular, na voz de um filósofo praticante do melhor da boemia que costuma dizer que “Não venha me falar de futuro, eu quero saber é daqui pra frente”.

Pois é, puxando pela lembrança, resgato que em 2018, na construção do perfil do personagem para dar prosseguimento ao golpe político, jurídico, militar e midiático de 2016, o Sistema Globo de Televisão pôs em andamento, diuturnamente, um questionamento com o seguinte teor: “Que país você quer para o futuro”?

Como até hoje, passados quase três anos, o Sistema não veio a público informar quantas pessoas caíram no engodo e quais foram as prioridades elencadas para a construção de um programa de governo para seu candidato, a partir daí, se é que se pode fazer plano de governo manipulado, toda a desgraça a que o país está submetido vem de lá.

O grande quartel do controle mental da massa descerebrada faz um teste anual de como fazer o controle do rebanho através de um reality de 100 dias, chamado BBB, para depois exibir os números grandiosos do seu poder de alienação, como 163 milhões de votos na programação, 40 milhões diários e 3,6 mil por minuto, sem dizer quanto foi o faturamento.

Após resistir a 20 edições sem assistir a um único capítulo, me atrevi a assistir ao da última prova de resistência e ao grande final, na expectativa de ver o que ia sair dali. Confesso que em princípio me surpreendi com a votação da vencedora Juliette, com 90,15% dos votos.

Porém, a surpresa maior veio na manhã seguinte nos noticiários da Globo e na grade de programação, ao constatar que todo o Estado da Paraíba esteve em permanente mobilização pela filha guerreira, fazendo, após a retumbante vitória, carreatas gigantescas que vararam toda a madrugada, principalmente, em Campina Grande e João Pessoa, deixando como exemplo que tendo motivação como resgate da autoestima o povo vai às ruas.

Ponto para Juliette, ponto para o “Pau pereira, mulher macho sim, senhor” marca registrada da mulher paraibana. Durante a edição do Jornal Nacional, veio a notícia da morte do grande brasileiro Paulo Gustavo, vitimado pela Covid-19, repetida várias vezes durante o desenrolar do último capítulo do BBB, e aos poucos revelando ao Brasil que não era mais um simples número a acrescentar aos mais de 420 mil mortos.

De repente, Niterói, o Rio de Janeiro e o Brasil foram para as janelas dos edifícios, para as portas das casas, as ruas e praças para dizer: basta de genocídio. Vocês mataram um ícone da cultura e cidadão anônimo da solidariedade. Vocês mataram o contra genocídio. Não passarão!

Horas antes dos dois fatos que poderão mudar o curso da história, a espoleta capaz de detonar as ogivas da autoestima e da solidariedade havia sido acesa na CPI do Coronavírus no Senado com as revelações do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, deixando claro que a mortandade da pandemia obedece a um programa de governo, hoje sustentado apenas pelas bravatas de alguns generais de pijama.

Portanto, o país que quero para daqui pra frente não é nenhuma ficção. Ele já existiu entre 1º de janeiro de 2003 e 31 de dezembro de 2014, com índice de desemprego de 4,6%, menor da história; taxa média de crescimento do PIB de 7,5%, maior da história; maior taxa de crescimento do salário mínimo, 76%.

O país que criou o Samu e construiu mais de Upas. Criou 60% das vagas em UTI, criou o Mais Médico, que cuidava de mais de 48 milhões de pessoas; pagou o FMI e passou a ser credor; fez correr daqui a Alca; criou 22 milhões de empregos com carteiras assinadas e atingiu o maior crescimento do PIB per-capita entre os países do G-20.

Um país onde a classe trabalhadora tenha aprendido com a pandemia que se ela não sair de casa para trabalhar, não tem geração de riqueza e que quem consegue sobreviver com pouco é o trabalhador, pois o patrão que nada produz, é quem só sabe viver com muito.

Um país que nunca mais aceite ser comandado por um genocida como Jair Bolsonaro, tendo no banco de reservas um general da banda como Hamilton Mourão, que não perde a oportunidade de louvar massacres e assassinatos em massas nas comunidades pobres.

Um Brasil governado por Lula, que dialoga com os maiores líderes mundiais, capaz de propor quebra de patentes no combate à pandemia e ver o Joe Biden encampar a proposta e lavar a honra da nação, conversando com embaixadores das grandes potências.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

Ω Quer receber gratuitamente as principais notícias do JLPolítica no seu WhatsApp? Clique aqui.