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Sergipe perdeu 10 ex-governadores para a morte em menos de 20 anos

Marcelo Déda: único entre os 10 a morrer no mandato, em 2 de dezembro de 2013  

Nos últimos 20 anos - estas duas primeiras décadas deste milênio -, o Estado de Sergipe perdeu 10 ex-governadores para a morte, com um deles indo-se em pleno exercício do mandato.

Foram, pela ordem de partida, Luís Garcia e João Andrade Garcez - em 2001 -, Augusto Franco - em 2003 -, Celso de Carvalho - em 2009 -, Arnaldo Garcez - em 2010 -, Seixas Doria - em 2012 -,  Lourival Batista e Marcelo Déda - em 2013 -, este último, o que estava no exercício de um segundo mandato obtido em 2010, Paulo Barreto Menezes - em 2016 - e, esta semana, dia 24, partiu João Alves Filho.

É um número muito alto que, sem dúvida, produz uma lacuna na história de gestores deste Estado. “É claro que esta gama de mortes em 20 anos empobrece o Estado. Qualquer figura qualificada que se vá, naturalmente empobrece a comunidade à qual servia, e todas estas eram qualificadas”, diz o professor aposentado da UFS, escritor e pesquisador Jorge Carvalho do Nascimento.

No entanto e por outro lado, há quem ache que isso tenha ensinado ao povo e às instituições a respeitarem a importante memória dos ex-gestores do lugar - isso se aplicaria somente se o parâmetro não forem inexistência de memoriais, museus, panteões e outros que tais a avivarem memória de gente ida.

Pelo menos é nesse avivamento que acredita o cientista político Helder Teixeira. “Sergipe tem uma memória, um respeito e um zelo pela história dos seus ex-governadores. Todos são devidamente reverenciados. Principalmente Augusto Franco e João Alves, porque foram aqueles governadores que se concentraram mais na questão de desenvolvimento e da infraestrutura”, avalia cientista político Helder. Esta não é uma visão consensual. “Sergipe não cuida bem da memória dos seus ex-governadores”, contrapõe Jorge Carvalho.

Para Helder Teixeira, Marcelo Déda procurou enfrentar mais questões de ordem social. “O que reflete a mentalidade e a geração de cada um deles”, ressalta Helder. Porém, apesar da linha de atuação adotada por cada um, o que restou deles no imaginário sergipano é bem preservado, segundo o cientista político.

“Mesmo pequeno em território e em número de eleitores, Sergipe, com estes três governadores, sempre teve mais destaque nacional que Estados como o Piauí, o Rio Grande do Norte, a Paraíba e Alagoas, por exemplo. Falo em relação a destaques e presença na imprensa e junto ao Governo Federal”, argumenta Helder, referindo-se a Augusto Franco, Marcelo Déda e João Alves. Isso, sem dúvida, é um alento em meio à dor da perda de mais um representante do povo.

O Estado de Sergipe tem três ex-governadores vivos - Albano Franco, que fez 80 anos no domingo passado, 22 de novembro; Antônio Carlos Valadares, de 77 anos, e Jackson Barreto, de 76. Belivaldo Chagas, de 60 anos - ele é de 19 de abril de 1960 -, como está reeleito, é atual e já ex-governador ao mesmo tempo. Mas no dia 1º de janeiro de 2023 ele será somente um ex.

 

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