Aparte
Opinião - O TSE apitou e o jogo começou

[*] Rômulo Rodrigues

O placar favorável no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral deu ao governador Belivaldo Chagas o balão de oxigênio que precisava para sair da agonia sobre a sucessão estadual e poder respirar fundo e tomar decisões sobre o processo, com suas especulações naturais.

O julgamento aconteceu numa tarde noite de grande movimentação na viga-mestra da política onde o presidente Bolsonaro ganhou uma fortuna de R$ 90 bilhões para arrumar sua reeleição, já anunciando o PL-22 como seu novo partido.

Sérgio Moro se filiou ao nada espanhol Podemos, tendo uma ogiva nuclear chamada Tacla Duran apontada, lá da Espanha, para sua cabeça, tendo de quebra as notícias de como está sendo formatada a geringonça de Lula, envolvendo, inclusive, o partido, PSD, do governador e embarcando para a Europa como real estadista do Brasil, para fazer articulações de Chefe de Estado na Alemanha, Bélgica, França e, vejam só, Espanha.

Lula está construindo um cenário de amplas possibilidades de vitórias pessoal e de aliados. Ou do PT, em Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Maranhão, já liderando intenções de votos no Rio e em Minas, com a sempre ampla margem de intenções de todo Nordeste e uma esmagadora vantagem nacional de 56% de votos válidos.

O certo é que Lula não volta da viagem sem trazer apoio e segurança para conduzir o Brasil a partir de 1ª de janeiro de 2023.
E o que tem a ver Belivaldo com as movimentações políticas de Lula? Muito mais coisas que possa prever qualquer vã filosofia.

A grande expectativa do pós-julgamento é que Belivaldo abra a janela do palácio e dê o brado que todos querem ouvir: ok, vocês venceram, o candidato é fulano, ou fulana!

Falando em tijolo que é pau que boia, como se diz lá em Caicó, o governador já deve ter boa sabença de que no seu núcleo mais político tem como seu líder no parlamento um deputado do Podemos, partido em que Moro se hospedou para ser o candidato da Globo e do mercado a presidente da República.

E de acordo com a Lei 14.208/2021, os partidos nos Estados têm que seguir a federação nacional. Já com o PDT que tem Ciro Gomes como candidato oficial mas com seu estilo espalha brasa, vai dificultar uma federação que dê margem de sucesso a um candidato a governador depois, inclusive, dos papelões da bancada da Câmara nas votações da PEC dos precatórios e das filiações de grandes nomes pedetistas raiz ao PT.

O PSB, partido que tem histórico no Estado, de onde o governador é egresso, dá sinais de estar na federação com o PT e outros. O MDB é um caso à parte, como sempre, e depende muito da continuidade de Requião, que disputará o Governo do Paraná, é importante para derrotar Moro no nascedouro e apoiará a candidatura de Lula, com reciprocidade.

O PSD, que tem uma moeda de troca forte no nome de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, mesmo tendo uma chapa vitoriosa com o PT em 2018, tem candidato declarado ao Governo do Estado o que, em tese, dificulta, mas não impede a continuidade da aliança de convivência com o PT, que também tem candidatura declarada. Eita Maracatu mal ensaiado.

No polo lavajatista, onde impera a corrupção como “Real Politique”, o desgaste é grande e depois das descobertas de traição à pátria e corrupções, o Podemos poderá ficar isolado e não casar com o Cidadania.

No bloco que vem tendo sucesso e comanda o Estado desde 1º de janeiro de 2007 tem margem para uma saída de continuidade, porque, “teimosia com prejuízo, só tem quem não tem juízo”, tem à disposição quem sabe amalgamar e, está bem à mão. Só que no pacote tem que incluir o senador.

[*] É sindicalista aposentado e militante político.

 

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