Aparte
Opinião - O dia das tropas e dos trapos

[*] Evaldo Campos

Por causa dos conflitos permanentes entre as três expressões do Poder, o Brasil assistiu na última terça-feira, 10, a um ranger de dentes tanto das tropas quanto dos trapos.

As tropas, em gesto perigoso, traçaram uma linha divisória e, subliminarmente, deixaram seu recado: basta de intromissão.

Aprendam a decidir o jogo dentro das quatro linhas. Estamos fora do conflito, mas atentas e preocupadas com o derramar constante da pólvora.

Aqui fica nosso aviso de advertência: se cruzarem as linhas divisórias, mesmo sem o desejar, entraremos em campo e conteremos os brigões da insensatez. 

Os trapos, saudosistas da corrupção farta e tranquila, parecem não haver entendido o recado e continuam de olhos voltados para o butim, antes partilhado entre eles e parceiros ideológicos desse e de outros continentes.

Sintoma límpido desse comportamento é o ranger de dentes do senador Omar Aziz, um mar de insensatez e prepotência, proclamando que não será possível esquecer o crime daquele desfile da Marinha. 

Certo é que esse jogo de provocações mútuas vai nos levar ao confronto. Portanto, chamem os bombeiros, porque o incêndio está à caminho.

Mas o meio ambiente da paz tem de ser preservado. É preciso acabar, urgentemente, com a poluição da intolerância.

Os ateadores do fogo estão cegos, surdos e sem olfato. Não sentem o cheiro perigoso da fumaça, nem escutam os sons dos tambores da guerra.

Diz um antigo provérbio chinês que quando o barco faz água, todos têm de baldeá-la. Se não o fizerem, teremos naufrágio à vista.

[*] É advogado criminalista e professor universitário, e foi vereador de Aracaju.

 

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